Na preferência dos síndicos, a captação da água da chuva

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Boa parte dos paulistanos continua economizando água da rede pública, conforme balanços periódicos divulgados pela Sabesp, concessionária responsável pelo sistema.

 

No fechamento do terceiro trimestre do ano (em setembro), o valor nominal dos bônus concedidos aos domicílios pela redução do consumo atingiu R$ 248,9 milhões, contra R$ 231 milhões do 2º trimestre e R$ 211,2 milhões dos três primeiros meses de 2015.

O esforço concentrado, aliado à diminuição da pressão na rede e aos cortes diários no abastecimento, levou a uma queda de 27% (em setembro) da produção da água retirada dos mananciais. Ainda segundo a empresa, 70% dos clientes tinham recebido o desconto em setembro, mas conforme números de outubro, este percentual começou a cair (para 67%). Em contrapartida, aumentou a proporção dos que passaram a gastar mais: 21% em outubro, contra 19% em setembro, talvez estimulados pelos índices pluviométricos acima da média registrados nos meses finais do ano.

Enquanto os principais mananciais que abastecem São Paulo e a Região Metropolitana apresentam perspectiva de sair da UTI (e talvez do volume morto) nesta virada de ano, os condomínios exibem cisternas plenamente abastecidas com água da chuva, já que essa foi a principal alternativa buscada pelos síndicos diante da crise hídrica. “Houve [nos prédios] uma combinação da captação da água pluvial com o uso da água de drenagem, proveniente do lençol freático”, disse a engenheira civil Sibylle Muller, durante o Congresso Condomínio Sustentável, realizado em outubro passado em São Paulo.

É o caso do Condomínio Residencial Cupecê, complexo de 14 torres e 719 unidades, localizado na zona Sul de São Paulo, divisa com Diadema. Até o mês de outubro, ele havia finalizado três pontos de captação de água da chuva, formando uma reserva de 25 mil litros, destinada à rega dos extensos jardins e à limpeza das áreas comuns. Mas há outros dois em andamento, um deles com capacidade para armazenar 10 mil litros e, outro, 25 mil. “A meta é captar 60 mil litros em 2016”, afirma o síndico profissional Ricardo Yoshio.

Paralelamente, é feito um “controle diário do consumo”, além de “vistorias periódicas das unidades”. “O condomínio oferece serviços simples aos moradores, como troca de reparo da descarga e manutenção nas torneiras, a fim de garantir que não ocorra aumento na conta de água”, resume o síndico. Com dificuldades técnicas para instalar a individualização da leitura, a administração separa “a cobrança da água no boleto por unidade e, com isto, os moradores percebem que quanto mais economia realizam, mais barata fica a taxa do condomínio”. O Cupecê recebe os bônus da Sabesp, que contribuíram para baixar uma conta média mensal de R$ 40 mil, em 2010, para R$ 25 mil em 2015.

A engenheira Sibylle Muller ressalva apenas que alternativas como o uso da água da chuva e daquela proveniente da drenagem demandam tratamento adequado; na primeira situação, é preciso garantir não apenas a filtragem quanto a desinfecção do volume; o segundo caso exige análise mais detalhada, já que a água do subsolo costuma apresentar quantidades razoáveis de ferro e manganês. Uma reportagem completa sobre o assunto, com mais orientação da engenheira e balanço atualizado, será publicada na primeira edição de 2016 da Direcional Condomínios, em fevereiro. (Por Rosali Figueiredo, texto e foto)

Matéria publicada na edição - 208 de dez/jan-2016 da Revista Direcional Condomínios

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