Sistema de segurança nos condomínios: Guarita, blindagem e intercomunicadores

Escrito por 

Quando decidiu investir na revitalização Condomínio Maison Du Rhone, simpática edificação de 30 anos localizada no Campo Belo, zona Sul de São Paulo, a Síndica Nelza Gava Huerta apostou na repaginação completa da guarita, com blindagem de suas estruturas, como forma de proteger melhor o porteiro, reforçar as barreiras contra acessos indesejáveis e melhorar o padrão estético do local. Foi preciso derrubar a antiga e construir novo corpo em alvenaria, dotado de espaços para uso do funcionário, como banheiro.

 

A blindagem é tendência nos residenciais de médio e alto padrão, afirma o síndico profissional Waldemar Tubor. “Isso inibe a ação do bandido, pois se ele quisesse coisa difícil, iria trabalhar. Então, ele vai atrás de facilidade”, avalia. Em um dos condomínios que administra, o Rio Paraguai, localizado na região dos Jardins, em São Paulo, a portaria está incorporada à estrutura do edifício e é blindada. Ela foi construída em 2010. Na época, o porteiro ficava em uma mesinha no hall social, como ainda acontece em muitos edifícios do bairro e também de Higienópolis, comenta Waldemar.

O Edifício Rio Paraguai está passando por amplo processo de modernização, que chegou, no momento, à fachada, depois de finalizada a parte dos acessos, da hidráulica e dos halls. Na área da segurança, foram instaladas portaria e eclusa em vidro e alumínio, trocados os interfones (“eram de pinos”) e implantados recursos como câmeras, intercomunicadores e passa-objetos. “Recomendo que para uma reforma o síndico contrate antes um projeto, que integre a guarita à fachada e garanta ampla visão ao porteiro”, afirma. Fundamental também, diz ele, é adotar novos procedimentos de entrada no edifício, com treinamento dos porteiros. “No Condomínio Rio Paraguai entregamos um manual de novos procedimentos a cada morador”, completa.

De nada adianta a blindagem, com vidros e chapas de aço resistentes ao impacto de balística, se houver facilidade de se chegar ao funcionário através da abertura das portas da guarita, observa Waldemar, ponto sempre realçado por especialistas da área. A blindagem deve seguir a NBR 15.000/2005, norma da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) que estabelece três diferentes níveis de reforço conforme o tipo do armamento e calibre da bala. Além disso, as empresas que atuam no setor devem ter licença do Exército brasileiro (para fabricação, armazenamento, comercialização e transporte do material blindado), conforme o Decreto Federal nº 3.665\2000 e o regulamento R – 105, bem como alvará da Polícia Civil. E no que compete à responsabilidade do condomínio, este precisa definir critérios de operação do espaço.

Nesse aspecto, equipamentos como câmeras e intercomunicadores se tornam fundamentais, para evitar que o porteiro tenha que sair da guarita, exceto nos horários de troca de serviço e, às vezes, refeição (por isso, são instalados banheiros internos e recursos de copa). Por exemplo, no Condomínio Edifício Bariloche, localizado na Vila Formosa, Zona Leste de São Paulo, o síndico Ricardo Wolf observa que apenas o síndico, zelador e porteiros estão autorizados a entrar no local, que está blindado (nos vidros, alvenaria e esquadrias). Intercomunicadores permitem conversar com pedestres da área externa e motoristas na rampa da garagem. Como o edifício faz parte do Programa Vizinhança Solidária, há comunicação ainda com guaritas dos prédios vizinhos. Telefones fixos e celulares completam o sistema.

“O porteiro deve ter comunicação ampla para evitar qualquer necessidade de abertura da porta”, argumenta o síndico. Quanto aos procedimentos, ele afirma que os funcionários permanecem o tempo todo no local, aonde têm disponível banheiro anexo e recursos para lanchar, como uma cafeteira. Na saída para o almoço ou janta, “eles são rendidos pelo zelador ou folguista”.

O especialista em segurança José Elias Godoy diz que a blindagem da guarita, especialmente dos vidros, está cada vez mais acessível em termos de custo, principalmente se o projetista conseguir diminuir a superfície da parte transparente, ou seja, do vidro. Mas no Condomínio Residencial Alphaview, em Barueri, a blindagem ainda não foi possível, a portaria é extensa, possui três guichês de atendimento aos visitantes e moradores, com intercomunicadores, câmeras e passa-objetos. O empreendimento registra circulação diária de 12 mil pessoas, entre moradores (8 mil), prestadores de serviços e visitantes. A estrutura atual é uma versão ampliada e reforçada do projeto entregue pela construtora, afirma o conselheiro Alexandre Kasai. Com películas escurecidas na ampla superfície em vidro da guarita, os porteiros têm sua identificação protegida de quem se encontra do lado de fora.

Matéria publicada na edição - 208 de dez/jan-2016 da Revista Direcional Condomínios

Não reproduza o conteúdo sem autorização do Grupo Direcional. Este site está protegido pela Lei de Direitos Autorais. (Lei 9610 de 19/02/1998), sua reprodução total ou parcial é proibida nos termos da Lei.