Reforma ou modernização da garagem do condomínio começa pelas superfícies

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Depois de seis meses de obra, que incluiu desativação total da garagem por quatro deles, o subsolo do Condomínio Edifício Uirapuru, no bairro do Paraíso, em São Paulo, ganhou aspecto renovado. Antes ambiente insalubre aonde escorria a água de seis minas pelas superfícies, a garagem teve todo seu piso e contrapiso arrancados para implantação de uma nova estrutura. Foi preciso instalar um sistema de drenos, para então recompor as camadas de cobertura do solo, até chegar a um revestimento de concreto “tipo zero”, tratado com máquina polidora. O espaço passou ainda por recuperação dos pilares e paredes, tratamento da ferrugem, dos encanamentos, da fiação, iluminação (agora em LED), pintura, e ganhou um bicicletário.

“Quebramos e refizemos tudo; somente não optamos pelo acabamento em epóxi porque não havia mais condições financeiras”, diz a síndica profissional Mariza Carvalho Alves de Mello, que contratou e acompanhou a obra de cerca de R$ 200 mil. O Condomínio Uirapuru foi implantado em 1970, tem apenas 26 unidades, ou seja, o orçamento é apertado e deve atender a outras demandas de modernização. No caso da garagem, além de arcar com rateio extra para a intervenção, os moradores tiveram que assumir o custo de um estacionamento externo.

A síndica afirma estar satisfeita com os resultados, apesar de o polimento à máquina ter sido feito de maneira inapropriada (“antes da cura do concreto”), o que gerou um problema de levantamento constante de pó de cimento e obrigou a protelar a pintura final do piso por período estimado em um ano. E pelo espaço exíguo de um prédio construído há mais de quatro décadas, foi impossível abrir mão dos trilhos utilizados para movimentação dos veículos no local, já que manobras são quase impraticáveis. Mariza é síndica de outros três edifícios e, em dois deles, mais modernos, também mexeu ou está investindo na garagem. A obra do momento envolve a cobertura da cerâmica original por resina epóxi no estacionamento do Condomínio Positano, localizado na Vila Nova Conceição, zona Sul de São Paulo.

RESINA EPÓXI

Considerado um “plástico termofixo” e conhecido também como poliepóxido, este material representa o sonho de consumo de muitos síndicos quando se trata de renovar a superfície das garagens. O Positano tem apenas quatro anos de idade, foi entregue com piso cerâmico em ambos os subsolos, mas a aparência bastante desgastada e manchada do revestimento sugere uma idade maior. “A peça cerâmica não será removida, ela receberá um composto aderente e depois o epóxi”, explica a síndica. Mariza precisou aprovar rateio extra para o serviço, orçado em R$ 45 mil e com garantia de quatro anos.

A síndica Aurora Rahal também aderiu ao epóxi no amplo subsolo do Condomínio Edifícios Málaga e Maiorca, no bairro do Campo Belo, zona Sul da cidade. Com duas torres de 35 anos, totalizando 60 unidades e 120 vagas espaçosas, o empreendimento precisava da repaginação, diz Aurora. “O piso estava esburacado e duas senhoras chegaram a cair.” A mudança realizada há cerca de dois anos foi tão radical que a neta pequena da síndica ficou admirada quando viu o piso: “Ela perguntou se eu havia trazido a garagem do shopping”, ilustra. A garantia também é de quatro anos e com uma limpeza simples, feita somente com pano úmido uma vez por semana, o condomínio mantém o aspecto de novo no ambiente. Aurora afirma que houve necessidade de fazer retoques em apenas alguns cantos, por causa da movimentação natural da estrutura do piso. Para os síndicos que optarem pelo acabamento, Aurora sugere utilizar cores distintas para demarcar e separar as áreas de tráfego com as de estacionamento.

NO MERCADO, SOLUÇÕES VARIADAS E EFICAZES

O uso intenso e os atritos constantes dos pneus sobre a superfície respondem pelo principal motivo de deterioração dos pisos de garagem, avalia o engenheiro Elorci de Lima, especialista em patologia e terapia de estruturas (foto ao lado). Isso provoca abrasão, o que pode contribuir para arrancar as camadas de revestimento e atingir o contrapiso, diz.

Desta forma, a manutenção e/ou reforma dos pisos de estacionamentos demandam tratamento específico, utilizando- -se argamassas especiais capazes de comportar o perfil do tráfego e do uso. É preciso cuidar ainda das juntas de dilatação, evitando quebras e infiltrações. O especialista observa que inexiste uma solução única para esses locais, pois o mercado oferece uma variedade de soluções eficazes, como, por exemplo:

1 - Argamassas de bases cimentícias, completadas com aditivos de base acrílica ou PVA. Elas oferecem alta resistência à abrasão e pequena espessura e proporcionam uma aparência homogênea ao piso;

2 - Endurecedor de superfície. Alternativa para estruturas ou lajes recém-construídas. É um composto líquido próprio, que penetra nos poros da base;

3 - Resina epóxi (somente em pisos internos). Apesar do custo mais elevado, produz um ambiente bonito e sofisticado. A vantagem deste material é que a intervenção pode ser feita em etapas, sem necessidade de interdição da garagem. Ela envolve preparo da superfície com correção de imperfeições; limpeza dos resíduos; uso de uma máquina “fresadora” para ajudar na aderência do revestimento; polimento mecânico; aplicação de primer selante e da argamassa epóxi; e finalização com o acabamento também em epóxi, na coloração definida pelo condomínio. Em dois dias a área tratada pode ser liberada ao tráfego de veículos;

4 - Material à base de poliuretano. Visualmente parecido com o epóxi, é mais caro e pode ser utilizado também em ambientes abertos, descobertos;

5 - Argamassa industrial de alta densidade. Apresenta elevada resistência à abrasão e também a impactos frequentes. Indicada para garagens com movimento intenso de veículos, mas sua aparência não fica tão homogênea quanto o epóxi, por exemplo;

6 - Granilite. De preço menor que as opções anteriores, esse material é indicado pelo engenheiro Elorci, tanto pelo desempenho (durabilidade) quanto efeito estético. Entretanto, o profissional observa que existe hoje dificuldade de os síndicos ou fornecedores encontrar mão de obra qualificada para executar os serviços. Outra ressalva é que o granilite não forma uma camada monolítica. Ou seja, o revestimento exige a instalação de muitas juntas de dilatação, necessárias também para as argamassas cimentícias. A diferença do granilite para essas é que o primeiro incorpora agregados de granito, em cores diferentes. O polimento dá o toque final ao acabamento deste tipo de piso.

Matéria publicada na edição - 208 de dez/jan-2016 da Revista Direcional Condomínios

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