Interfones, alarmes e cerca elétrica: equipamentos garantem a 'comunicação' dos sistemas de segurança nos condomínios; saiba ainda como devem ser instaladas as cercas elétricas

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Os equipamentos de segurança dos condomínios devem contar com o suporte de recursos de comunicação e ser capazes de sinalizar e barrar situações de vulnerabilidade. Caso contrário, não terão eficácia. Por exemplo, de nada adianta a abundância de câmeras no CFTV se não houver alarmes, afirma o consultor em segurança patrimonial e delegado do Grupo de Operações Especiais da Polícia de São Paulo, Luís Renato Mendonça Davini. Também é fundamental contar com o apoio de uma central de interfones, de sensores e cercas elétricas. Nesta edição, a revista Direcional Condomínios mostra como devem funcionar alguns desses sistemas para que a segurança ganhe eficácia.

INTERFONES

Os condomínios mais antigos estão fazendo a transição das centrais de interfone, optando por modelos digitais. O síndico Ricardo Wolf, do Condomínio Edifício Bariloche, residencial de duas décadas, localizado na Vila Formosa, zona Leste de São Paulo, ilustra bem a situação: “Tínhamos uma central antiga com muitos problemas de funcionamento, como ruído, instabilidade, chamados fantasmas, confidencialidade, além de não permitir aparelhos com teclas, obrigando à operação constante do porteiro”. Além disso, destaca Ricardo, havia oito aparelhos na mesa do funcionário, já que os seis porteiros eletrônicos do edifício não eram integrados.

No mês passado, o síndico concluiu a troca dos equipamentos na guarita e nas 36 unidades, com uma central que integra todo o sistema, “diminuindo a necessidade de intervenção do porteiro, uma vez que ele tem um único aparelho e todos os pontos do novo interfone conseguem falar entre si, através de discagem”. As mudanças trouxeram qualidade à comunicação, conforto aos moradores e reforço na segurança, já que “o porteiro pode agora dedicar mais atenção ao que está acontecendo ao seu redor”.

A troca dos interfones demandou, porém, algum preparo prévio. O condomínio precisou substituir antes a estrutura de cabeamento e providenciou aos moradores os telefones de contatos com a portaria. De outro modo, deixou na guarita telefones de todas as unidades, caso o funcionário tivesse que falar com as unidades. A substituição, em si, levou três dias, mas Ricardo Wolf prevê um período de duas semanas para o processo todo.

Também a síndica Agnes da Silva André, do Condomínio Edifício Minás, renovou o sistema de interfonia local. “Ela era muito antiga, uma espécie de paliteira em madeira, semelhante àquela que as telefonistas usavam antes. Tudo passava pela guarita, um morador na espera escutava a conversa dos demais, não havia privacidade.” Com 48 apartamentos, o Edifício Minás escolheu um modelo digital, que integra a comunicação entre todas as unidades e áreas comuns. “Cada unidade fala diretamente com outra, sem precisar da intermediação do porteiro.”

Já para o síndico Ricardo Yoshio, do Condomínio Residencial Cupecê, de 14 prédios e 719 unidades, a operação foi mais complexa. “Quando entrei no condomínio em 2011, não havia uma central de interfone, cada prédio e mais as partes comerciais tinham interfones locais, antigos, que traziam muitos problemas e não possuíam interligação para comunicação entre eles.” Em seis meses, segundo Yoshio, foi implantado um novo sistema, com uma recepção que centraliza o atendimento dos interfones e telefones. “Desta forma, aumentamos o nível de segurança, pois o interfone reduz demais os problemas relacionados a visitantes ou prestadores de serviços”, avalia. Em outro prédio em que atua como síndico profissional, Ricardo Yoshio pretende modernizar a central no começo do próximo ano. É o Condomínio Reserva Atlântica, de 168 apartamentos, cujos equipamentos demandam manutenção constante.

De acordo com o gestor de riscos em condomínios, Carlos Alberto Santos, os condomínios devem tomar um cuidado nessas substituições: providenciar sistemas de nobreak robustos, que apresentem boa duração de carga e evitem deixar o local sem comunicação durante quedas de energia ou situações emergenciais, como incêndio. Segundo o empresário do setor, João Luís Cicote, o nobreak mantém o interfone em funcionamento mesmo sem energia na rede elétrica.

Para João Cicote, a nova geração de interfones introduziu inúmeras funcionalidades em relação às antigas, entre elas:

- “Sigilo absoluto. Nas centrais antigas, muitas vezes se ouvia a conversa dos vizinhos em paralelo. Agora não há possibilidade de vazamento de comunicação entre dois pontos”;

- “O Porteiro não é mais ‘telefonista’. Ou seja, quando um apartamento queria falar com outro, pedia isso ao porteiro, que chaveava os dois pontos.

No Interfone digital, os aparelhos permitem aos usuários teclarem para seus destinos diretamente (ponto a ponto), como para demais unidades, portaria, elevador etc.”;

- “Sobra mais tempo para que o porteiro realize outras tarefas não menos importantes”;

- “O terminal na portaria é um simples ‘PBX’ - não é mais uma caixa imensa colocada sobre a mesa do porteiro, com chaves para cima e para baixo. E para maior segurança e controle, possui dispositivo ‘bina’, para saber quem está ligando para a portaria”;

- “Toda a fiação é encaminhada para pontos fora da portaria, resultando em instalação profissionalizada”;

- “Baixa manutenção, componentes robustos e assistência técnica em todo País";

- “Oferece outras programações como rastreamento, ‘pega trote’, ‘não perturbe’ e senhas especiais para se abrir portões, portas ou mesmo para acender alguma luminária”.

João Luís Cicote diz que os edifícios com mais de 30 anos de idade, “se já não trocaram o interfone pelo sistema digital, o farão dentro de pouco tempo, a necessidade e o resultado conquistado são irreversíveis”.

ALARMES/SENSORES DE PRESENÇA

A integração dos equipamentos é a chave da segurança em um condomínio, costuma dizer o consultor da área, delegado Luís Renato Mendonça Davini. Em relação aos alarmes e sensores, o mais básico entre eles é o sensor perimetral de presença, afirma. “Mas isto nada adiante se ele não estiver integrado, por exemplo, com holofotes, e estes, por sua vez, com CFTV, o qual deve estar ligado ao monitoramento.”

O objetivo do sensor de presença é denunciar a proximidade de alguém, por isso, a ideia de estar conectado a alarmes e holofotes. Tudo isso, porém, demanda “integração com o recurso humano, com pessoas treinadas e conhecedoras do sistema, para saber agir diante de uma situação real”. Ou seja, os equipamentos não resolvem sozinhos, ressalva Davini. O consultor recomenda ainda aos síndicos escolher bem os fornecedores e instaladores dos produtos, evitando o contrato de valor mais baixo. “O barato sai muito caro”, alerta.

CERCA ELÉTRICA

Feita para proteger o perímetro do condomínio, a cerca elétrica pode se transformar em uma arma se estiver inadequada às leis e normas técnicas relativas ao assunto, como a NBR IEC 60335-2-76, adverte o engenheiro de perícias e segurança do trabalho, Ayrton Barros. Há requisitos para a fabricação e também instalação do produto, como mostra o resumo abaixo:

- É obrigatório dispor de placas de advertências ao longo da cerca na cor amarela (tamanho mínimo de 20 cm X 10 cm), em intervalos regulares;

- Existe altura mínima para a barreira física e o 1º fio energizado. Por exemplo, a Lei Estadual 1113/2002, de São Paulo, regulamenta que a cerca tenha pelo menos 2,5 metros, medida do primeiro fio ao piso externo do lote; ela deve estar instalada com aterramento independente da rede elétrica do imóvel, utilizar isoladores de prolipropileno ou polietileno, ter voltagem máxima de até 10 mil volts, ser de energia eletrostática, e ter corrente elétrica de amperagem próxima à zero;

- A corrente máxima de saída deverá ser de 500mA;

- Também são determinados parâmetros de pulso e intervalo entre pulsos, “para evitar que a pessoa fique ‘grudada’ no fio e venha a óbito” em caso de contato e descarga;

- É proibido o uso de arame farpado na sua construção, bem como o emprego de transformador para lâmpadas de Neon no lugar de cerca pulsante, “por risco severo de óbito, visto que gera tensão contínua e não pulsante”.

OBS.: Em áreas em que a altura da cerca é baixa, ela não pode ser eletrizada - recomenda-se o uso de modelo que só dê sinal de violação, sem tensão (choque), com sinal contínuo de alarme. Seu emprego é usual ao redor de áreas em que do lado interno a altura seja inferior a 2,10m, como acontece perto das piscinas.

A manutenção deve ocorrer pelo menos a cada 24 meses e o projeto ser executado por engenheiro responsável, que apresente a respectiva ART (Anotação de Responsabilidade Técnica).

Matéria publicada na edição - 207 de nov/2015 da Revista Direcional Condomínios

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