CFTV & Monitoramento no prédio: Olhar digital na prevenção aos riscos

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Os sistemas de CFTV representaram 46% das vendas de equipamentos eletrônicos de segurança em 2014, conforme balanço divulgado pela Abese (Associação Brasileira das Empresas do setor) durante a 18ª Exposec, feira promovida no primeiro semestre deste ano. Sistemas de controle de acesso e alarmes responderam por dois outros nichos fortes, com participações, cada um, de 23% do mercado. Também entre os condomínios, os três itens mais vendidos foram controle de acesso, CFTV e alarmes.

De forma contínua, o CFTV costuma figurar nos planos de investimentos dos síndicos, com vistas a reforçar ou a modernizar a infraestrutura de câmeras, especialmente porque a tecnologia introduziu recursos bastante sofisticados, com equipamentos digitais de alta definição, zoom, infravermelho e amplo ângulo de visão (caso das speed dome, móveis). No Condomínio Residencial Cupecê, localizado na zona Sul de São Paulo, o síndico Ricardo Yoshio Donadone Toome dispõe de 300 câmeras, além de uma speed dome, para auxiliar as equipes de segurança contra riscos de invasão, furtos e vandalismos. A área do condomínio é ampla e abriga 14 torres de apartamentos, além de 39 salas comerciais. A ideia é aumentar o número de câmeras, assim que ele tiver concluído a implantação do novo sistema de controle de acesso.

No Edifício Minás, em Santana, condomínio em que a síndica Agnes da Silva André vem promovendo várias melhorias desde setembro de 2014, 16 novas câmeras foram instaladas, mas o objetivo é adquirir mais unidades para colocá-las nos halls internos de cada um dos doze andares. Já no Collina Parque dos Príncipes, os topos das seis torres ganharão câmeras speed dome (já há algumas delas), para assegurar a cobertura integral do perímetro que envolve o condomínio de 51 mil m2, afirma a síndica Maria Estela Bicudo.

INVESTIMENTO BÁSICO

A síndica profissional Luzia Maziero Fernandes, coordenadora de três bolsões do Vizinhança Solidária no Itaim Bibi, zona Sul da cidade, e presidente do Conseg local, diz que um dos quesitos para os condomínios participarem do programa de segurança comunitária do bairro é providenciarem uma infraestrutura básica de segurança, câmeras inclusas. “Recomenda-se o uso mínimo de 10 a 14 câmeras digitais por condomínio, com infravermelho, que possam identificar melhor as imagens, principalmente no período noturno.” Luiza observa, no entanto, que ainda há resistências de moradores mais antigos (situação comum no Itaim) mediante as novas tecnologias.

Também envolvido com um programa de Vizinhança Solidária, o síndico Ricardo Wolf, do Condomínio Edifício Bariloche, na Vila Formosa, zona Leste de São Paulo, pretende integrar duas novas câmeras speed dome ao sistema do CFTV do prédio. Hoje, o edifício de 36 unidades possui 34 câmeras analógicas e duas dessas móveis. Recentemente, ele promoveu a blindagem da guarita e em breve instalará as novas speed dome. De custo elevado, elas são acionadas através de joy stick, têm longo alcance de zoom e podem girar “até 360º”. O síndico justifica a necessidade da câmera pelo fato de o condomínio estar voltado para uma praça pública e também pela possibilidade de controlar a movimentação dos prestadores de serviços quando em trabalho interno. Quanto às câmeras analógicas, com resolução e área de cobertura limitada, o projeto é substituí-las no futuro pelas digitais.

Mesmo mobilizados em torno de programa de segurança comunitário, o Vizinhança Solidária, os síndicos Luzia Maziero e Ricardo Wolf não descuidam dos sistemas internos dos condomínios

 

O QUE ESCOLHER?

O fato é que a infraestrutura do CFTV (Circuito Fechado de TV) envolve câmeras de modelos diversos, caixas de proteção, cabos, fontes, placas, processadores, gravadores e monitores, de forma que as imagens possam ser visualizadas, acompanhadas e arquivadas. A tecnologia das câmeras vive a transição da plataforma analógica para a digital, a qual apresenta capacidade de captura e resolução de imagem bem superior.

As soluções variam bastante no mercado, algumas já oferecem a tecnologia Full HD (de alta definição). De acordo com o supervisor técnico da área, Alex Machado, câmeras HD com infravermelho são boa opção para os condomínios em termos de custo e benefício. “Hoje o que se busca é resolução e nitidez”, justifica. Outra variação recai sobre o tipo de tecnologia de transmissão de dados, que pode ocorrer tanto via cabo quanto através de rede IP (internet ou intranet, por exemplo).

Para o consultor em segurança patrimonial e delegado do Grupo de Operações Especiais da Polícia de São Paulo, Luís Renato Mendonça Davini, as câmeras HD, digitais, apresentam “nitidez maior, além de sistema de gravação mais limpo, eficiente e seguro”. Quanto à plataforma de transmissão de dados, ele recomenda o modo IP, “com imagens gravadas no DVR”. “Mas a melhor segurança é a que está firmada com simplicidade”, defende o consultor, lembrando que o condomínio deve se basear na “relação custo e benefício, dentro dos recursos que dispõe”, para fazer suas escolhas. Quanto às câmeras speed dome, Davini ressalva que o investimento é alto e exige conhecimento técnico do operador ou porteiro para sua operação.

Desta maneira, antes de escolher a quantidade e os modelos para aquisição, o consultor orienta que o síndico forme uma comissão de segurança no condomínio, contrate um diagnóstico das necessidades locais e providencie um projeto que irá definir o escopo da infraestrutura e equipamentos. Outro ponto a ser levado em consideração é que “hoje o crime mudou a cara, é mais sutil”, observa Davini. “Os criminosos estudam o comportamento do morador e preferem praticar o furto, que é mais vantajoso para ele, pois não precisa contratar 15 pessoas para um arrastão, por exemplo.” Assim, definir e cumprir procedimentos para funcionários e moradores é essencial para a eficiência de todo sistema. Por fim, o consultor alerta o síndico para que não compre material de segunda linha, de procedência incerta, e opte por fornecedores confiáveis.

MONITORAMENTO

Na Exposec 2015, maior feira de equipamentos de segurança da América Latina, uma das principais novidades foi o lançamento de gravadores que integram imagens provenientes de diferentes câmeras, como analógicas e digitais

 

Atualmente, muitos condomínios convivem com duas realidades, antigas câmeras analógicas ganham a companhia de modelos digitais. Para conseguir integrar imagens de tecnologia tão díspares em um mesmo sistema de monitoramento, o mercado lançou gravadores digitais híbridos ou “tríbidos”, capazes de processar todas elas, seja para transmissão em tempo real quanto para armazenamento. Essa foi uma das soluções mais divulgadas durante a Exposec 2015, feira internacional de segurança, realizada no mês de maio em São Paulo.

De acordo com Luís Renato Davini, é possível encontrar ainda condomínios que fazem a gravação em antigos aparelhos de VHS, mas esse é um cenário raro. A maioria já os substituiu por DVR, aparelho digital lançado no final dos anos 90 que permite tanto o acompanhamento em tempo real das imagens pelos monitores das portarias ou centrais, quanto sua gravação. O que muda em cada condomínio é o local de instalação do aparelho e também dos monitores. Por exemplo, no Residencial Cupecê, existem 21 equipamentos stand alone (DVR) para receber as imagens das 300 câmeras e enviá-las à central de monitoramento, na portaria. No Condomínio Bariloche, a central também funciona na guarita.

O consultor Luís Renato Davini sugere que os monitores sejam instalados justamente na guarita, “o ideal é o porteiro estar de frente para as imagens”. No Edifício Bariloche, ambas as câmeras speed dome utilizam um monitor e, as 34 restantes, três aparelhos. “A maioria registra apenas quando há movimento e indica no monitor que isso está ocorrendo. Assim fica mais fácil a observação pelos porteiros”, explica o síndico Ricardo Wolf. Segundo ele, “quando as câmeras são programadas para registrarem imagens em movimento, a capacidade de visualização de tantas tomadas por um ser humano é facilitada; é mais simples para quem realiza a monitoração prestar atenção às imagens que geralmente são destacadas das demais, ao se modificarem”.

Os funcionários do Bariloche são treinados para a tarefa, já que “a observação das câmeras é uma atividade que requer atenção, por isto estamos automatizando outras ações do porteiro para que ele se concentre mais nesta função”. Uma das medidas que vêm sendo adotadas pelo condomínio é o teste piloto de um novo equipamento para o controle do acesso à garagem, um leitor de placas que reforçará o sistema atual e liberará automaticamente os portões.

Outra opção é o monitoramento remoto, possibilidade viável, desde que o síndico fique atento à qualidade dos serviços prestados pela empresa contratada, ressalva o consultor Luís Renato Davini. Para o síndico Ricardo Wolf a alternativa é interessante para reduzir “os custos do serviço, sem perder qualidade, porém é importante conhecer a empresa, seus procedimentos e testá-los regularmente para ter certeza da efetividade”.

Quanto ao tempo de armazenamento das imagens, Luís Renato Davini sugere de 15 a 30 dias, dependendo da capacidade do sistema.

CUIDADOS NA INSTALAÇÃO E OPERAÇÃO

A partir dos diagnósticos de segurança que realiza nos condomínios, Luís Renato Mendonça Davini (Foto ao lado) faz os seguintes alertas aos síndicos quanto à disposição das câmeras do CFTV:

- Se tecnicamente mal instaladas, elas podem apresentar falhas em pouco tempo;

- Posicionamento errado e instalação em pontos equivocados comprometem a observação;

- Câmeras desvinculadas de um sistema de inteligência e com alarmes precários também prejudicam o monitoramento;

- Armazenamento da imagem na portaria pode comprometer as ações de segurança. O condomínio deve providenciar um backup remoto e manter na portaria uma “CPU escrava”, pois os criminosos sempre procuram quebrar ou levar o aparelho que retém as imagens.

O consultor sugere camuflar câmeras nas eclusas, para identificar o rosto dos visitantes, mesmo que estejam de cabeça baixa ou com bonés. E destaca que não adianta dispor de sistema de câmeras se houver lapsos nos procedimentos, como a permissão para entrada de pessoas com capacete.

Funcionários e moradores

No quesito procedimentos, o consultor deixa outras recomendações:

- Promover treinamento para que o porteiro saiba observar o comportamento do morador e identificar sinais quando algo fugir da normalidade;

- Combinar entre porteiros e moradores “senhas passivas”, cujo objetivo é sinalizar situações em que o condômino esteja rendido.

Segundo Luís Renato Davini, “o melhor sistema de segurança é aquele em que o morador participa”.

 

Matéria publicada na edição - 206 de out/2015 da Revista Direcional Condomínios

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