Equipamentos eletrônicos de segurança nos condomínios: Tendências no controle de acesso

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Durante uma feira do setor de automação predial, realizada em São Paulo no final de julho, a síndica Angela Orefice percorreu os estandes para conhecer soluções em portaria virtual eletrônica, que dispensam a necessidade de funcionários na guarita. Essa é uma das novidades do mercado, que utiliza os aparatos digitais e a transmissão em banda larga pela internet para fazer a triagem remota de quem entra nos edifícios.

“A assembleia de condôminos decidiu há dois anos implantar uma portaria virtual, mas ainda estamos conhecendo as soluções e levantando orçamentos. Tenho ainda receio de que a ausência da pessoa, sua presença não física, deixe uma sensação de abandono do prédio”, afirma a síndica. Segundo Angela, a opção de seu condomínio, o Edifício Monterrey, localizado da Mooca, zona Leste de São Paulo, decorre da necessidade de reduzir custos com mão de obra. Há apenas 18 apartamentos no edifício, o que onera o rateio mensal, completa.

Ainda em setembro, Angela Orefice apresentará em assembleia as informações que levantou junto ao mercado. Durante a feira de automação, a 6ª ExpoPredialtec, que teve a participação da revista Direcional Condomínios, Angela se reuniu com os engenheiros Jean Percin e Selma Migliori, especialistas em segurança e empresários do setor. Eles recomendaram que, antes de qualquer decisão quanto ao perfil dos equipamentos a serem instalados, os condomínios avaliem a estrutura física e os recursos já instalados (como a presença de barreiras / eclusas, a existência ou não de controle de perímetros, de alarmes etc.). É preciso ainda definir as responsabilidades dos funcionários ou da empresa contratada, bem como os procedimentos a serem atendidos por todos.

Segundo Jean, o “primeiro trabalho” a ser feito pelo condomínio é “um amadurecimento interno”. Selma acrescenta: “O ideal é eleger uma comissão de segurança para elencar os pontos vulneráveis e, aí sim, partir para um projeto tecnológico”. A engenheira sugere quatro etapas de trabalho até que um sistema seja implantado:

a) Palestras de esclarecimento aos condôminos;

b) Formação de comissão de moradores para a área, que acompanhará o desenvolvimento de um esboço do projeto;

c) Aprovação do regulamento de segurança, em que estejam previstos tantos os procedimentos internos quanto aqueles pertinentes à tecnologia escolhida;

d) Instalação dos equipamentos e treinamento dos condôminos.

“É um processo que exige pelo menos seis meses”, estima Selma. A engenheira observa que os condomínios demandam antes, muitas vezes, recursos mais simples, porém indispensáveis, como eclusas. Ela afirma que a portaria virtual representa a tendência do futuro, mas, para isso, terá que contar com uma infraestrutura de banda larga mais estável que a disponível no Brasil. Além disso, as edificações deverão dispor de outros recursos de apoio, como geradores.

 

MODERNIZAÇÃO NOS ACESSOS

Um condomínio em que circulam pelo menos mil pessoas por dia, dispõe de 14 torres, 719 unidades residenciais, 39 lojas e escritórios, além de área total de 64 mil m2, não pode se acomodar na gestão da segurança, acredita o síndico profissional Ricardo Yoshio Donadone Toome. Ele administra há quatro anos o Conjunto Residencial Cupecê, localizado na zona Sul de São Paulo, divisa com Diadema, período em que vem desenhando a modernização do setor. No momento, a administração está implantando TAGs para identificação dos veículos, já instalou biometria em cada uma das torres e prevê também o uso de chaveiro magnético, especialmente para pessoas com problemas nas digitais.

Tudo isso vem acompanhado de um trabalho hercúleo, que foi cadastrar todo veículo, morador e locador das salas comerciais para inserir as informações no sistema de monitoramento das entradas e saídas. “95% dos condôminos estão cadastrados, iremos partir para a segunda etapa, que é fotografar.” O condomínio espera concluir em breve essa primeira fase de todo seu projeto de segurança, qual seja, o controle de acesso eletrônico. A segunda prevê a terceirização paulatina das equipes de profissionais, iniciando-se pela contratação de vigilantes que farão ronda motorizada interna no local. Por fim, está prevista a criação de uma central de monitoramento para as 300 câmeras existentes em todo espaço, voltadas inclusive a coibir atos de vandalismo interno.

ENTREVISTA/ JOSÉ ELIAS DE GODOY

“TODA MELHORIA NO CONTROLE DE ACESSO É BEM-VINDA”

Sistemas eletrônicos de portaria, que substituem a presença física do funcionário, alguns dos quais controlados à distância, via internet, “representam tendência futura”, avalia também o consultor de segurança José Elias de Godoy. O especialista ressalva, no entanto, que é preciso “quebrar alguns paradigmas na cultura dos prédios residenciais” na hora de escolher a solução. Em entrevista à revista Direcional Condomínios, José Elias (foto ao lado) aborda esse e outros pontos estratégicos da segurança nos prédios.

Direcional Condomínios – O que os condôminos deverão considerar ao discutir a viabilidade da portaria virtual?

José Elias – O tamanho do condomínio, o número de apartamentos, a estrutura necessária para a instalação dos equipamentos eletrônicos, deixar bem clara a grande responsabilidade que os moradores terão e observar o perfil da empresa que fará o monitoramento de todo sistema e da portaria. Outra dificuldade que deverão avaliar está ligada à sensação de segurança. Nossa cultura e costumes acham que é necessária a presença física de um porteiro para que as pessoas se sintam mais seguras. Cabe lembrar que a portaria virtual é interessante para pequenos prédios (no máximo 70 apartamentos), sendo que aos grandes condomínios ainda não resta comprovada sua eficiência.

DC - Com o porteiro virtual, como fica o recebimento das correspondências?

José Elias – Essa é uma dificuldade que as pessoas estão sentindo, uma vez que, atualmente, o porteiro recebe o material, armazena em local designado e entrega posteriormente ao morador. Será necessário ter outro colaborador para cumprir tal tarefa.

DC - Mesmo que o condomínio tenha a presença física do porteiro e aparatos como eclusa etc., os acessos aos halls também devem possuir algum tipo de controle (como biometria e cartões magnéticos)?

José Elias – Toda melhoria no controle de acesso é bem-vinda. Nesse caso, indico instalar esses equipamentos também nas entradas principais do prédio, deixando que apenas as pessoas estranhas ao condomínio sejam triadas pelos porteiros, virtualmente.

DC - O morador deve ficar com o controle remoto de abertura dos portões das garagens?

José Elias - Os prédios deveriam ter sistema de ‘enclausuramento’ na entrada de veículos, com sensores de intertravamento, sendo que um portão seria aberto pelo morador e, o outro, pelo porteiro. Mas quando há somente um único portão de veículos, é interessante que ele seja aberto pelo morador; ou pelo menos que seu controle remoto avise o porteiro sobre sua chegada, para que este confira se realmente é o condômino que está em seu interior e proceda à abertura do acesso de veículos.

DC - Qual o tempo indicado de abertura dos portões das garagens?

José Elias - Hoje temos os chamados portões “a jato”, que abrem e fecham entre quatro e seis segundos, dependendo do seu tamanho e peso. Cabe lembrar que para tais equipamentos é importante providenciar sensores antiesmagamento, evitando acidentes e incidentes nessas entradas.

CONDOMÍNIO EM IMPLANTAÇÃO SEGURANÇA: INVESTIMENTO PRIORITÁRIO

Prestes a completar 18 anos na função de síndica, marca que atingirá no próximo mês de outubro, Ana Josefa Severino está às voltas, desde o final do ano passado, com a implantação do novo residencial em que mora, o Plaza Athenee, no município de São Caetano do Sul, região metropolitana de São Paulo. Com torre única, 14 andares e 56 unidades, o Plaza ajuda a compor o cenário de renovação da cidade vizinha, com varandas gourmet e uma fachada clean que intercala vidros, cerâmica e alvenaria. Porém, assim como em outros prédios novos, ele foi entregue somente com três câmeras, interfone na portaria e um sistema básico de controle remoto para abertura do portão das garagens.

 

Portanto, síndica e condôminos resolveram dar prioridade, logo de início, à implantação de um sistema eletrônico de acesso às garagens, que possibilita aos porteiros identificar “quem entra e quem sai com os veículos”, afirma Ana Josefa. Agora, o condomínio irá providenciar a eclusa na passagem de pedestres e o reforço de 36 câmeras para o circuito de CFTV, somando um investimento perto de R$ 60 mil.

“As câmeras serão da melhor tecnologia que existe hoje, a digital, e permitirão o acompanhamento online da movimentação. Teremos central de monitoramento, local para gravação de imagens e acesso pela internet disponível às pessoas que compõem o corpo diretivo.”

As câmeras estarão nos halls, elevadores, nos três subsolos de garagem, e nos demais ambientes comuns, como brinquedoteca, sala de jogos, de fitness etc. Já a eclusa ganhará acessórios como ‘passa volume’. “Isso tudo foi aprovado em assembleia, pois temos um portão só e, às vezes, uma pessoa estranha ao condomínio entra no vácuo de outra, não se identifica”, justifica a síndica. Ela lamenta que na garagem, por enquanto, não seja viável a implantação de um segundo portão, por falta de espaço. E para o futuro, dentro do “cronograma de benfeitorias”, prevê a blindagem da guarita.

Matéria publicada na edição - 205 de set/2015 da Revista Direcional Condomínios

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