Pisos de playground: Diversidade favorece escolha dos síndicos

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Os síndicos dispõem de ampla variedade de pisos para as áreas de playground dos condomínios, que inclui dos mais convencionais, como a grama natural ou sintética, aos emborrachados ecológicos. A dica é providenciar antes um projeto arquitetônico que harmonize os elementos com o espaço, observa Wenceslao Napolitano, engenheiro civil e designer com longa atuação na área de parques, jardins e montagem de áreas de recreação. Outra orientação essencial é que a escolha seja compatível com a NBR 16.071/2012, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), principalmente em relação aos quesitos de absorção de impacto, completa.

Essa questão depende de uma correlação que se faz entre a altura do brinquedo, além do HIC (head injury criterion ou critério de traumatismo craniano) previsto para uma eventual queda, e as especificações do piso (espessura, composição e densidade). O ideal, aconselha o engenheiro, é buscar um fabricante que ofereça pisos certificados, testados em laboratório, em conformidade com a norma da ABNT. "Todos os pisos têm seus prós e contras, até a areia pode ser utilizada, mas ela não é acessível; assim, é preciso analisar o perfil da demanda, do uso do espaço." Wenceslao diz que os condomínios podem escolher até mesmo a combinação entre diferentes materiais para criar um ambiente agradável, seguro e funcional à recreação.

DEMAIS PROPRIEDADES

Além disso, "a especificação correta do piso é condição indispensável para garantir um bom isolamento térmico e acústico, a drenagem necessária e o conforto, além de permitir acessibilidade adequada às pessoas com deficiência e mobilidade reduzida", afirma, por sua vez, a arquiteta Helena Quintana. Quanto às quedas, em uma espessura entre 20 e 40 mm, o piso poderá "amortecer em 60% os impactos, considerando alturas de até 1,70 metros", exemplifica.

Segundo Helena, os pisos emborrachados ecológicos costumam oferecer essas propriedades (a serem conferidas junto aos fabricantes e/ou fornecedores). Além do amortecimento de impacto, muitos deles apresentam "extensa gama de cores e formas, são produzidos por pigmentos orgânicos e atóxicos, são resistentes e antiderrapantes, de fácil limpeza (exigem apenas água e sabão) e não acumulam resíduos", enumera.

Uma das novidades do setor são os pisos intertravados de borracha vulcanizada, assentados em blocos diretamente no solo, sem cola, cuja manutenção requer somente limpeza simples e, depois de um período de cinco anos, eventual recolocação de peças que tenham soltado do contrapiso, afirma a arquiteta Mara Cabral, especialista em áreas de lazer e recreação. Os intertravados são permeáveis e sustentáveis, possuem durabilidade estimada de 30 anos e podem ser instalados também em trechos destinados a caminhadas.

Mas se o síndico optar por outros materiais, Mara Cabral deixa algumas dicas a ele no sentido de garantir a segurança do espaço. No caso da areia, por exemplo, ela deve ser bem arejada e mexida constantemente para evitar que o solo fique compactado (sua profundidade deve ser de pelo menos 50 cm para absorção de impacto, orienta). Já as superfícies com grama natural demandam cuidados como o replantio em áreas desgastadas.

Outra opção é o revestimento derivado de borracha reciclada de pneu. De acordo com Ricardo Artioli, que atua no mercado de pisos para playground, o material é moldado no próprio local sem emendas, como se fosse um cimentício, na cor e design que o condomínio desejar, com vida útil de oito a dez anos e manutenção simples durante o período (lavagem e/ou limpeza). O piso é drenante e apresenta propriedade de amortecimento de quedas, afirma.

ACESSIBILIDADE

Caso decida renovar a área de playground de seu condomínio, o síndico poderá dar atenção ainda aos aspectos de acessibilidade, adotando pisos táteis para usuários portadores de deficiência visual e também mapa tátil, que orienta o deslocamento e uso dos equipamentos, propõe o engenheiro Wenceslao Napolitano. De acordo com o Projeto Alpapato (de promoção da acessibilidade social de crianças com deficiência), os elementos táteis possibilitam aos pequenos com mobilidade reduzida "a oportunidade de brincar de forma segura e ampliar experiências motoras, cognitivas e sensoriais, gerando sensações prazerosas que favorecem a melhora da autoestima".

OPÇÕES AOS CONDOMÍNIOS

O gerente predial Celso Daniel, do Condomínio Maison Danielle, localizado na região dos Jardins, em São Paulo, costuma observar as características do ambiente e o perfil do fluxo de crianças e adolescentes antes de cotar a instalação de pisos nas áreas de recreação. No Maison Danielle, ele optou por emborrachados intertravados em uma pequena área externa, aonde criou um espaço com traves de futebol para brincadeiras com bola (o prédio não dispõe de área suficiente para quadra).

No salão interno, criou um misto de brinquedoteca com playground, para crianças de cinco a dez anos, recorrendo a um emborrachado de EVA, com espessura de 10 a 15 mm. "O material está dentro das normas e é bem seguro", destaca. Se fosse montar um playground para adolescentes, Celso Daniel escolheria revestimento mais espesso. "Todos os pisos tem vantagens e desvantagens, devemos analisar cada caso", pondera, lembrando ainda que nessa escolha devem ser considerados aspectos como manutenção e limpeza.

A síndica Kelly Remonti, do Condomínio Top Village, localizado em Alphaville, diz que em breve terá que trocar o revestimento do playground, hoje em grama sintética. Antigo, o material apresenta "sinais de desgastes e deformações" ocasionados pela própria idade. A síndica elogia a grama sintética pelo "custo mais baixo" e o fato de favorecer a drenagem, "secando o ambiente de forma mais rápida", no entanto, pondera que pode haver problemas no sistema de instalação, com as emendas (elas podem se soltar nas pontas com o tempo). Mas a escolha do piso futuro, se em grama sintética ou não, levará em conta, na verdade, a disponibilidade orçamentária do condomínio, afirma Kelly Remonti.

 

 

 

 

 

Matéria publicada na edição - 204 de ago/2015 da Revista Direcional Condomínios

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