Água & gás nos condomínios: individualização de tende ao crescimento

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De acordo com especialistas no segmento, as edificações, especialmente os prédios novos, tendem a adotar a individualização da água.  No município de São Paulo, ela não é obrigatória, conta Eduardo Lacerda, ao contrário do acontece na Europa. Há, no entanto, muitas cidades brasileiras com essa obrigatoriedade, com variados sistemas de operação. Alguns deles, com participação das concessionárias locais.  

O mercado, no entanto, ainda carece de regulamentação, embora haja normas a serem observadas para os equipamentos. A Abramei, nova associação criada para representar as empresas do setor, planeja reverter esse quadro, afirma Eduardo, vice-presidente. Segundo ele, está em estudo a criação de uma norma pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), buscando estabelecer critérios mínimos de atuação das companhias que se dedicam à individualização da água.

Para os condomínios, a recomendação dos especialistas é que sejam cuidadosos na seleção dos fornecedores. É importante checar a empresa em todos os sentidos, observando itens como o capital (“Essa área de atuação demanda investimento intenso”, observa Eduardo), contrato social, se ela tem seguro de responsabilidade civil, e se os funcionários são contratados pela CLT. “Os contratos devem ser muito bem estudados pelo consumidor”, alerta.

João Martani, engenheiro e um dos pioneiros em sistemas de individualização no Brasil, lembra que para prédios muito antigos, o melhor momento para implantar um sistema é quando se faz a troca das colunas. Já os prédios novos, segundo ele, estão tecnicamente preparados para receber os medidores. Os custos com os equipamentos são altos, na avaliação da síndica Elizabeth Bonetto, do Edifício Glória Jardim Vitti, localizado no bairro da Freguesia do Ó, zona Norte de São Paulo. Ela observa que a reposição desses itens, ao final de sua vida útil, deve ser programada. Os serviços da empresa gestora também precisam ser considerados, pois passam a compor as despesas mensais dos moradores, a título de taxa de manutenção.

Economia na conta da água

Os números gerais indicam, no entanto, que o investimento compensa. A fatura da água, quando individualizada, proporciona economia de 20% a 40% do volume de água gasto no prédio. “Aproximadamente 30% dos apartamentos consomem 60% da água do condomínio. Esses são os gastadores. Ou seja, 60% dos apartamentos pagarão valor menor”, compara João Martani. Alguns vilões dessa história são bem conhecidos. Entre eles, a descarga com válvula tipo hidra; a retirada dos tampos de vazão de água dos chuveiros; banhos longos; e vasos sanitários antigos. Os de 2003 para cá, detalha o especialista, já têm um design que proporciona sua limpeza com seis litros de água. Os anteriores a essa data precisam, às vezes, de 20 litros para eliminar os dejetos.

Gás

No caso do gás, não há tantos detalhes para se observar em termos de manutenção e, dificilmente, segundo Eduardo Lacerda, ocorrerá vazamento. Para essa tubulação específica ele recomenda uma revisão a cada cinco anos, prevenindo-se contra eventuais danos. Se houver um aquecedor de passagem (para aquecer água do banho), o cuidado deverá ser abreviado para seis meses - no máximo para um ano. Também é recomendável promover a limpeza dos bicos do fogão e o equipamento deve  estar devidamente adaptado para esse tipo de abastecimento.  

“Nós buscamos empresa especializada”, ratifica a síndica Elizabeth Bonetto. Ela recomenda atenção com o flexível, que leva o gás ao fogão, pra verificar se está em boas condições de uso. Para apartamentos vazios, a recomendação é pedir ao responsável pela unidade que o sistema seja desligado. “É uma medida de segurança e de economia. Senão, gera fatura”, alerta a síndica.  

O GLP, com seus cilindros, por ser um gás mais pesado, requer, preventivamente, ventilação na parte inferior do espaço, para facilitar a dispersão de vazamentos.

Matéria complementar da edição - 184 de out/2013 da Revista Direcional Condomínios