Modernização hidráulica é obrigatória em condomínios que buscam economia

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Condomínios em processo de modernização têm na hidráulica um dos principais investimentos em pauta, não só para combater vazamentos e melhorar as instalações, como para implantar a leitura individualizada do consumo e ganhar um upgrade no valor dos imóveis. No Condomínio Edifício Rio Paraguai, localizado na região dos Jardins, em São Paulo, a hidráulica faz parte de um plano global de investimentos destinados à modernização do residencial de 40 anos e 26 unidades (duas por pavimento).

Nos últimos sete anos os condôminos investiram R$ 1 milhão na modernização do prédio, contabiliza o síndico profissional Waldemar Tubor. A verba pagou obras de impermeabilização do térreo, cobertura e caixas d’água; renovação do hall social e do fechamento da frente do edifício; reforma da casa do elevador e do barrilete (com remodelação completa do espaço, troca de tubulações e registros); e modernização mecânica dos dois elevadores sociais. No cronograma, estão previstos agora tratamento do piso das escadas internas, seguido da recuperação da fachada, paisagismo, novo mobiliário no salão de festas e troca do revestimento da garagem.

No caso da hidráulica, além da reforma completa do barrilete, o Edifício Rio Paraguai substituiu a tubulação de água fria em ferro fundido por cobre; canalizou e pressurizou para o térreo a água das nascentes que vertem no subsolo, para uso na rega dos jardins e lavagem do piso; e mudou o sistema de circulação da água quente central, para evitar perda de calor. Com os investimentos, o consumo mensal de água, que chegou a 850 m3 há três anos, caiu a 620 m3 em 2014 e está agora em 361 m3 (conta de abril de 2015, em queda superior a 100%). Isso é resultado também das vistorias feitas com regularidade nas torneiras e válvulas dos apartamentos, buscando identificar vazamentos (já houve duas neste ano).

Em outro condomínio residencial administrado por Waldemar Tubor, em Perdizes, zona Oeste da cidade, houve a troca recente de todas as prumadas de água. Também aqui o material escolhido foi o cobre, pois “ele dá mais segurança”, justifica. “Havia muitos pontos de vazamento neste condomínio e a tubulação já estava comprometida”, relata o síndico. Também o Condomínio Edifício Sucre, de Santa Cecília, incluiu a hidráulica em seu plano de modernização, com a reforma do barrilete (onde houve troca de tubulações, de ferro por cobre, registros, além de pintura) e impermeabilização dos reservatórios, afirma a síndica Mila Fernandes Rocha. O próximo passo prevê substituir as prumadas em ferro do prédio construído em 1967, tendo em vista o plano de se implantar a individualização da água.

MANUTENÇÃO DO SISTEMA

O engenheiro civil Tomas Gouveia observa que, de forma geral, a modernização hidráulica envolve desde os reservatórios (inferiores e superiores), às prumadas, demais tubulações, registros e barrilete. O engenheiro Ayrton Barros destaca, por sua vez, procedimentos essenciais de manutenção, com vistas a garantir o pleno funcionamento das instalações:

- As caixas d’água devem ser limpas e desinfetadas a cada seis meses ou antes, caso sejam detectados corpos estranhos ou qualquer alteração no aspecto da água. A questão é regulada pelo Comunicado CVS 006/2011 (da Vigilância Sanitária);

- Válvulas reguladoras de pressão devem ser limpas anualmente e, a cada três anos, demandam a substituição dos componentes internos, conforme determinado pelo fabricante;

- A impermeabilização dos reservatórios possui garantia de cinco anos, desta maneira, o síndico deve ficar atento a indícios de degradação;

- Canalizações de ferro costumam oxidar e as boas práticas de engenharia indicam a sua substituição por tubulações de cobre;

- Bombas de recalque que abastecem as caixas d’água superiores devem ser analisadas, observando-se alteração de ruído e vibração (ambos indicam problemas com rolamentos). Já os vazamentos identificados entre o motor e a bomba apontam, normalmente, falhas do selo mecânico. Quadros de comandos elétricos também podem apresentar ou gerar problemas, assim como as chaves-boias superiores e inferiores;

- Bombas do poço de escorva, responsáveis pela captação das águas pluviais no último subsolo e seu descarte na sarjeta, devem ser revisadas regularmente. Já esses poços precisam ser limpos sempre que apresentar sintomas de acúmulo de sujidades internas.

 

Matéria publicada na edição - 203 de jul/2015 da Revista Direcional Condomínios

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