Playground em condomínios: Brincar é preciso, mas com segurança!

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A segurança e o custo foram decisivos para o Condomínio Edifício Ideali promover a troca completa do playground de quase dez anos de uso por um novo conjunto, afirma a síndica Margarete Alvarez. Desde o final de abril, as crianças do prédio estão aproveitando a nova estrutura de madeira do brinquedo, trazendo acessórios em polietileno robusto, como as cadeirinhas dos balanços e a prancha do escorregador, diferente da versão anterior. “É um material mais indicado que a madeira para esse tipo de uso”, justifica Margarete.

A síndica conta que o playground antigo, que passava por manutenção periódica de empresa especializada, estava precisando de mais uma sessão de reparos, quando foi danificado por uma chuva forte no começo deste ano. Além disso, sua fixação no piso já apresentava sinais de corrosão. “Para arrumá-lo, gastaríamos o equivalente à compra de um novo, por isso a substituição.” O que não pode, observa a síndica, é ficar sem este item de lazer bastante utilizado pelo condomínio ou mantê-lo em condições precárias.

A psicóloga Sirlândia Reis de O. Teixeira reforça a importância do playground como espaço de lazer dos ambientes coletivos (condomínios, escolas, clubes etc.): “Muitos estudos mostram a relação entre o desenvolvimento motor e o equilíbrio adquirido nas atividades físicas proporcionadas pelo playground, que são capazes de favorecer ainda os aspectos cognitivos, afetivos e sociais”, descreve. A especialista é doutoranda em Psicologia, membro da Associação Brasileira de Brinquedotecas (ABBrin) e da International Toy Library Association (ITLA), além de autora de três livros sobre educação infantil, brinquedoteca e jogos e brincadeiras.

De acordo com Sirlândia Teixeira, o playground propicia “atividades como locomover-se pelo ambiente de variadas formas (andar, correr, saltar, rolar, entre outros) e manipular objetos e instrumentos diversos (segurar, arremessar, chutar, escrever na areia etc.)”. Os movimentos ajudam a criança a adquirir “importantes habilidades motoras”, fundamentais para que desenvolvam “domínio completo do corpo em diferentes posturas (estáticas e dinâmicas)” e cresçam “de forma saudável e feliz”.

Além disso, as brincadeiras no playground representam “uma prática lúdica, caracterizada pelo divertimento e entretenimento, onde a interação com os brinquedos costuma ser prazerosa e produz na pessoa um movimento de mudança positiva. Por exemplo, uma criança emburrada, ao chegar ao local, fica alegre e interage com os brinquedos”.

ATENÇÃO À NORMA TÉCNICA

Toda brincadeira, no entanto, deve ser segura conforme define a NBR 16071/2012, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Há três anos, a Associação lançou a NBR, atualizando os parâmetros relativos aos playgrounds, desde projeto e concepção à instalação e manutenção dos brinquedos e pisos. O arquiteto Fábio Namiki coordenou as mudanças e permanece à frente da comissão responsável pelos trabalhos.

Fábio anota, porém, que a NBR permanece desconhecida da maior parte dos síndicos. “Os fabricantes e instaladores sérios estão se adequando, mas o ideal é que o Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) passe a exigir certificação desses materiais, para que os condomínios possam cobrar isso.” O arquiteto destaca, por exemplo, que os brinquedos devem manter distância segura uns dos outros e que, acima de determinada faixa etária (ele sugere três anos), possam ser utilizados com segurança por diferentes idades, desde que a normatização relativa a vários aspectos de segurança seja atendida.

“A área do playground deve ser pensada para receber a criança, porque é nesse espaço que ela irá interagir, conhecer as outras, aprender o jeito de brincar e a respeitar as regras, como esperar pela sua vez.” O especialista defende ainda que os projetos incluam equipamentos em que até os pais possam participar da brincadeira, “caso de um playground com desenho universal”. Atualmente, a comissão da ABNT responsável pela área está desenvolvendo normatização nessa linha, a ser incorporada à NBR 16071.

BRINQUEDOS: A ESCOLHA CERTA

De acordo com Sirlândia Teixeira, “o mercado de playground já percebeu que precisa adequar os brinquedos à faixa etária dos seus usuários”, ampliando as opções aos condomínios. “Antes os escorregadores eram enormes e de material indicado para crianças maiores de 10 anos, hoje temos vários formatos e tamanhos, com grande variedade de matéria-prima.” A seguir, a psicóloga oferece sugestões aos síndicos quanto à escolha dos brinquedos.

Idade de 0 a 5 anos

“Nesta faixa etária, o corpo precisa de espaço para se movimentar e interagir com os objetos. Mas é preciso garantir brinquedos seguros e acessíveis, pois o foco será promover a autonomia dos pequenos. No início o bebê se desenvolve por meio da ação e do movimento. Mais tarde ocorre a predominância cognitiva e os brinquedos de desafio ocupam um espaço psicológico importante. Ao final desta fase as brincadeiras de faz-de-conta crescem por promoverem a criatividade e a ampliação da linguagem.”

Sugestões: “Playground multiatividades, gira-gira diversos, escorregadores, gangorras, túneis, cama elástica, piscina de bolinhas (quando coberta e higienizada diariamente), balanços, mesa de atividade, objetos para arremessar, blocos gigantes para montar, cercadinhos, tanque de areia (obrigatoriamente higienizado com frequência), trenzinhos etc. A recomendação é instalar brinquedos seguros, sem parafusos, de preferência em plástico rotomoldado e em espaço separado das crianças maiores.”

Idade de 5 a 10 anos

“No início desta fase os brinquedos ganham vida e a imaginação predomina nas ações da criança. Tudo pode ser transformado pela imaginação. Assim, o playground dessa fase pode contemplar elementos que já contenham formatos de faz-de-conta, como castelos, perfis de animais etc. Porém, no meio desta faixa etária o foco recai sobre os aspectos cognitivos, por isso o playground pode trazer itens com apelos escolares mais fortes. O desafio cognitivo torna-se muito importante para a interação acontecer. Por fim, com crianças já próximas dos 10 anos, o brinquedo coletivo ocupará um espaço maior em suas fantasias, pois eles próprios se organizam para competir e mostrar suas habilidades.”

Sugestões: “Balanços, escorregadores, tubos para passar dentro e fora, gira-gira, casinhas para subir e descer com desafios (tipo corda bamba), corredores também com desafios, trepa-trepa, cama elástica e túneis. A segurança permanece como quesito importante, entretanto, os materiais podem ser mais brutos, incorporando a madeira (como tronco de eucalipto).”

Idade de 10 a 15 anos

“Nesta etapa é preciso que os brinquedos tragam desafios, possibilitem gastar mais energia e estimulem a vivência em grupo. Como a experiência coletiva ganha espaço psicológico, os brinquedos podem favorecer atividades em equipe.”

Sugestões: “Balanços, escorregadores, cama elástica, trepa-trepa, túnel de desafios, jogos de tabuleiro ou mesa, quadras poliesportivas e, se houver espaço fechado, até os games são bem-vindos. Assim como no caso anterior, os materiais podem ser mais brutos (como tronco de eucalipto, madeiras ou mesmo ferro), desde que recebam a devida inspeção.”

 

Matéria publicada na edição - 203 de jul/2015 da Revista Direcional Condomínios

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