Condomínios adaptam reservatórios e elevam volume de água destinado ao uso

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A seca dos reservatórios que abastecem São Paulo tem levado muitos gestores a providenciarem caixas d’água extras para armazenar a água da chuva e utilizá-la na rega de jardins e limpeza das áreas comuns. A providência foi tomada, por exemplo, pela síndica Agnes da Silva André, do Condomínio Edifício Minás, em Santana, zona Norte. Ela implantou três cisternas com capacidade total de seis mil litros na garagem, captando o volume que desce pelo sistema pluvial da cobertura, através de uma adaptação na tubulação.

Além disso, ao alterar o nível das boias de dois reservatórios de água potável do prédio, a síndica viu aumentar a quantidade que pode disponibilizar para uso dos moradores. “Com a elevação da boia, conseguimos aumentar a capacidade de retenção da água”, comenta Agnes da Silva. A intenção não é gastar mais, pelo contrário. O condomínio tem feito campanhas para a redução do consumo, objetivo já alcançado pelas 48 unidades e áreas comuns. A medida é preventiva e foi adotada para a eventualidade de São Paulo determinar um rodízio mais prolongado no abastecimento, explica a síndica.

Segundo o engenheiro Ayrton Barros, que atua com perícias e engenharia de segurança do trabalho, outra opção aos condomínios é rebaixar o chamado “pescador da bomba d’água” da caixa inferior. Em muitos casos isso pode ser feito para elevar “a quantidade de água utilizável dentro do reservatório”, observa. Nas caixas superiores, porém, “a altura do pescador não pode ser alterada, pois ela determina o volume de água da reserva de emergência para o sistema de combate a incêndio (hidrantes)”.

O engenheiro comenta ainda que outra possibilidade levantada pelos síndicos – a ampliação dos próprios reservatórios – só pode ser estudada nas instalações inferiores, desde que estejam localizadas no último subsolo (e não sobre uma laje) e haja espaço. Nas superiores, a ideia está descartada, já que a estrutura dos edifícios não costuma ser dimensionada para comportar sobrepeso nas coberturas.

Por fim, quanto ao uso das fontes alternativas de água (proveniente da chuva ou das minas rasas), Ayrton Barros orienta os síndicos a:

- Água da chuva: Descartar o jato inicial, pois ele carrega para o reservatório as sujidades depositadas sobre os telhados ou lajes; instalar tela na entrada dessas caixas com a finalidade de reter as impurezas; realizar seu tratamento com cloro; utilizá-la somente para regar jardins e lavar pisos;

- Água de mina: Providenciar, em primeiro lugar, análise prévia para verificar a existência ou não de coliformes fecais e descartar a solução caso o resultado seja positivo; e definir, conforme os dados colhidos, tratamento e uso adequado.

De forma geral, o engenheiro lembra que “as exigências mínimas para uso de água” são as de que esta não apresente mau cheiro, não esteja turva, não contenha componentes que agridam plantas ou estimulem o crescimento de pragas, nem manche superfícies, agrida metais sanitários ou altere característica de resistência dos materiais, não seja abrasiva nem propicie infecções ou contaminações por vírus e bactérias.

Matéria publicada na edição - 203 de jul/2015 da Revista Direcional Condomínios

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