Manutenção de segurança no gás, questão de vida nos condomínios

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Um prédio residencial sofreu sérios danos no mês de maio no Rio de Janeiro depois da explosão causada pelo acúmulo de gás em um dos apartamentos. O morador da unidade morreu dias depois, vítima dos ferimentos.

Neste caso, houve intervenção indevida do próprio condômino, mas especialistas dizem que há muita negligência nas instalações dos edifícios.

A cidade de São Paulo proibiu, em 1987, a construção ou reforma de prédios sem instalações de gás canalizado. A ideia era evitar a presença de botijões de GLP nos apartamentos e aumentar a segurança das edificações, medida consolidada pelo Código de Obras e Edificações, em 1992. Já no Estado do Rio de Janeiro, a proibição está em vigor desde 1976. Entretanto, os acidentes agora ocorrem por falhas de manutenção nos sistemas tanto das áreas comuns quanto privativas e ganham proporções trágicas, como a explosão da unidade habitada por um cidadão alemão, no Edifício Canoas, em São Conrado (RJ), no dia 18 de maio. Ele faleceu dez dias depois.

No incidente do Rio, o vazamento de gás foi provocado pela intervenção “de uma pessoa desabilitada” (o morador) em “fazer mudanças extenas, do ponto da parede ao aparelho de consumo (fogão ou aquecedor)”, avalia o engenheiro Roberto Boscarriol Junior. Segundo ele, quesitos básicos de segurança devem ser cumpridos em todo sistema de gás canalizado.

O primeiro deles é lembrar que “os componentes das instalações têm vida útil”, desde os cilindros externos de armazenamento (caso do GLP) às conexões. Os aquecedores internos e os ramais de distribuição nas unidades devem, por sua vez, receber manutenção periódica especializada, de preferência contratada pelo condomínio, “de forma a proteger o interesse coletivo”. Roberto Boscarriol afirma que “os maiores inimigos [da segurança] são os furos ou grandes vazios [nos apartamentos], como vãos entre o forro de gesso e o teto, que podem armazenar grandes quantidades de gás”. Outro problema está na insuficiência da extensão das chaminés dos aquecedores, cuja configuração deve mudar radicalmente conforme o tipo de gás, natural ou GLP.

Para o engenheiro Ayrton Barros, especialista em perícia e em engenharia de segurança do trabalho, a principal negligência observada nos edifícios em relação ao gás está na ausência de “inspeção periódica das instalações”. Conforme NBR 155276/2012, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), o trabalho visa a “manter as condições de operação e segurança da rede de distribuição interna, verificando no mínimo se:

a) A tubulação e os acessórios encontram-se com acesso desobstruído e devidamente sinalizado;

b) As válvulas e dispositivos de regulagem funcionam normalmente;

c) Tubos, conexões e interligações com equipamentos e aparelhos não apresentam vazamento;

d) As tubulações estão pintadas sem qualquer dano, inclusive com relação aos suportes empregados;

e) A identificação está conforme o especificado.”

Nos aquecedores instalados nas áreas privativas, é importante que o ambiente tenha ventilação cruzada permanente, com portas e janelas dotadas de vãos abertos (venezianas). Nesse sentido, o engenheiro chama a atenção dos síndicos para o envidraçamento indevido de varandas próximas às áreas de serviço dotadas de aquecedores. “Há o risco de o gás acumular na sacada, sem diluição”, ressalta.

Demais falhas comuns apontadas pelo engenheiro são: ausência de identificação de compartimentos de gás (alerta que evita, por exemplo, que as pessoas fumem no seu entorno); falta de manutenção nos aquecedores de passagem para água quente central dos edifícios; e uso de outra cor que não a amarela nas tubulações de gás, segundo determina a NBR 15526/2012. O amarelo está dispensado apenas das fachadas, onde, em nome da harmonia estética, a tubulação pode ser pintada na tonalidade da superfície. “Neste caso, a tubulação ou os suportes de fixação devem ser identificados com a palavra gás em intervalos mínimos de 10 metros ou em cada trecho aparente”, encerra Ayrton Barros.

CERTO X ERRADO

O engenheiro Ayrton Barros já atendeu a pelo menos 300 condomínios, de onde extraiu alguns flagrantes de instalações equivocadas de gás:

 

Matéria publicada na edição - 203 de jul/2015 da Revista Direcional Condomínios

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