Condomínio seguro: Tecnologia, normas & mão de obra

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A tecnologia de segurança está em sua 3ª geração e deve apresentar em maio, em São Paulo, durante feira do setor, câmeras em altíssima resolução, em Full HD. Porém, 90% dos mais de 60 casos de invasão em condomínio registrados na cidade em 2014 ocorreram pelos acessos da frente, reforçando a necessidade de integrar equipamentos, treinamento e procedimentos.

 

Cuidar da segurança em tempo integral de um condomínio é trabalho sem trégua, focado nas minúcias. O vacilo de um porteiro ou segurança, de um morador ou empregada, pode colocar em jogo todo o sistema montado depois de investidos tempo e dinheiro em equipamentos, treinamento de mão de obra e orientação aos condôminos. O gerente predial Celso Daniel, que atua em um residencial do bairro dos Jardins, em São Paulo, segue um script diário de verificação dos procedimentos da equipe do prédio, tanto interna (agente de portaria) quanto externa (controlador de acesso). “É um tal de manda subir, de se deixar levar pela comodidade, mas segurança não combina com conforto, sem identificação e liberação não deixo entrar”, afirma.

Celso Daniel acompanha nos detalhes a rotina diária do condomínio de torre única com um apartamento por andar. O prédio dispõe de guarita blindada e programada para abrir apenas em determinados horários, CFTV, cerca elétrica, alerta vigia, botão de pânico, monitoramento remoto em tempo integral, alarmes sonoros, sensor de muro em infravermelho etc. Porém, o condomínio aposta principalmente em treinamento e procedimentos, reforça Daniel. Por exemplo, os moradores que querem entrar com o carro devem obrigatoriamente baixar os vidros e acender a luz interna do veículo a noite para que o controlador libere o portão externo da garagem. O segundo portão é aberto pela portaria somente depois de fechado o primeiro.

Parecem regras simples, mas são fundamentais, observa o gestor, pois as invasões acontecem em sua maioria pelas falhas nos acessos de pedestres e garagem. É o que ensina o consultor da área e tenente-coronel da reserva da PM de São Paulo, José Elias de Godoy, autor de livros sobre segurança em condomínios. “Não adianta nada investir um dinheirão em tecnologia se não houver procedimentos e colaboração dos condôminos. São Paulo teve em 2014 mais de 60 casos de invasão em condomínio, pelo menos 90% pelo acesso de pedestres ou veículos”, afirma.

Max Pagano, responsável pela equipe e o monitoramento do residencial dos Jardins, defende o cumprimento estrito de uma lei básica: “Visitante entra somente depois de liberado pelo condômino. Se não é morador, é estranho. Porteiro não tem que abrir para ninguém se não for identificado e não tiver a entrada autorizada de dentro”. O gestor Celso Daniel relata que já houve várias situações de parentes retidos na portaria do prédio e impedidos de entrar, porque o condômino estava viajando e se esquecera de deixar liberação expressa na portaria.

Atenção especial é dada aos prestadores de serviços, especialmente de telefonia e de limpeza de tapetes e sofás. “A regra é que o morador avise com antecedência o gerente predial da programação do serviço”, destaca Max. Ele alerta que têm sido comuns golpes de ladrões se passando por profissionais de tevês a cabo ou internet, oferecendo um upgrade no serviço do condômino, para conseguir invadir o edifício. Por isso, moradores e empregados domésticos recebem comunicados frequentes sobre as regras de segurança no local. O trabalho é reforçado pelo relacionamento com os vizinhos, incluindo demais prédios e uma escola, todos conectados via rádio.

UM OLHAR PARA FORA

Na região do Morumbi, além das proteções internas, os condomínios estão se articulando em “um modelo de cooperação para monitoramento das vias públicas”, a Rede Comunitária de Segurança (RCS). A experiência foi iniciada há pouco mais de um ano para identificar com agilidade eventuais ações suspeitas e comunicá-las à Polícia Militar. De acordo com Humberto Tufolo, síndico de um residencial localizado na Vila Andrade, a rede atinge hoje 110 empreendimentos.

Ela consiste basicamente na instalação de câmeras voltadas para o perímetro externo e interligadas via internet, independentes do circuito interno dos prédios, e na implantação de um canal de comunicação entre eles, integrado à base da PM. “Qualquer ação suspeita é comunicada, assim ‘despotencializamos’ a intenção criminosa nas vias, de forma que a polícia possa se concentrar nas áreas mais vulneráveis, com presença física.” Humberto revela que após o início da integração, o tempo de resposta da PM a um chamado caiu de 45 minutos para “3 a 7 minutos”.

“O medo cerceia a liberdade”, argumenta o síndico, destacando que a região do Morumbi tem registrado crimes diários, boa parte deles não registrados em Boletins de Ocorrência, ou seja, fora das estatísticas oficiais que servem para balizar as ações públicas. “As pessoas ficam no conformismo. Precisamos exigir medidas das autoridades, praticar a cidadania, fazer parte das estatísticas.” O objetivo é conquistar um “convívio integrado entre as diferentes comunidades no sentido de transformar o bairro em um lugar gostoso de viver”.

Ele acredita que o trabalho tem ajudado a aproximar moradores e PM, bem como a fortalecer a segurança interna de cada edificação. Em seu condomínio, os principais recursos físicos e tecnológicos já foram instalados, como eclusas e câmeras de alta resolução, com transmissão de dados em TCP/IP (protocolo da internet). “Mas temos que zelar não apenas pela segurança do morador, como também pela dos transeuntes.”

ABESE DEFENDE INTEGRAÇÃO DE RECURSOS

Do ponto de vista da vida interna do condomínio, por mais sofisticados que sejam os recursos tecnológicos, um sistema efetivo de segurança requer integração, defende Selma Migliori, presidente da Abese (Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança). A entidade promove agora em maio a 18ª edição da maior feira do setor na América Latina (Exposec), evento que está completando sua maioridade.

Segundo ela, “os condomínios estão buscando mais a tecnologia para suprir algumas vulnerabilidades, mas observamos que ainda inexiste uma cultura inicial de normas de procedimento de segurança”. Este é o aspecto mais importante, defende Selma. “É a partir das normas que se faz um projeto de tecnologia. Investe-se em câmeras, mas não há regras básicas de triagem e controle de acesso”, exemplifica. “O conceito de segurança eletrônica é o de prover e registrar informações e prevenir contra invasões. Mas a tecnologia deve estar integrada a treinamento e normas, ter o apoio de um zelador que realmente se mobilize para que os procedimentos internos sejam atendidos.”

Entre os destaques da Exposec, estão as novas câmeras com tecnologia Full HD, “de melhor resolução e custo mais acessível”, facilitando a identificação das imagens, ilustra. Selma aponta ainda outra preocupação da entidade, a da segurança cibernética. Com maior volume de dados dos condomínios circulando na rede, será preciso cuidar melhor da privacidade e back-up das informações.

Programada para os dias 12 e 14 de maio, no Centro de Exposições Imigrantes, a 18ª EXPOSEC (Feira Internacional de Segurança) terá novamente a presença da revista Direcional Condomínios, que ocupará o estande 670 – A, na Rua 600. Voltado aos profissionais do setor (com entrada franca), o evento é promovido pela Abese, com realização da Fiera Milano.

Matéria publicada na edição - 201 de mai/2015 da Revista Direcional Condomínios

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