Síndica alerta para cuidados com reuso d’água

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Durante a realização da 5ª Edição de Homenagem às Síndicas pela Direcional Condomínios, no dia 11 de fevereiro, em São Paulo, a principal solução debatida para o enfrentamento da crise da água foi a implantação de processos de reuso e também de captação da chuva. Por exemplo, a síndica Nelza Huerta instalou, bem antes da escassez atual, um sistema sofisticado de reuso (de água descartada pelas máquinas de lavar roupa e também da limpeza das áreas comuns) e de armazenamento pluvial. Os projetos do condomínio de Nelza, o Maison Du Rhone, no bairro do Campo Belo, foram acompanhados por técnicos e têm sido mostrados ao longo do tempo pela mídia.

Já para os síndicos que começam a correr atrás dessas alternativas somente agora, a colega Ângela Merici Grzybowski, profissional da área e há mais de dez anos está à frente do Residencial Maresias, recomenda alguns cuidados que devem ser tomados na hora de se estudar a viabilidade ou não dessas soluções.

São elas:

1 – Para o reuso da chamada água cinza, utilizada por torneiras, chuveiros ou máquinas de lavar nos apartamentos, é necessário inicialmente fazer uma vistoria interna para conferir a integridade da coluna de descarte da água. Em alguns edifícios, depois de inúmeras modificações feitas ao longo do tempo, pode haver ligações irregulares desta coluna com outras saídas de esgoto das unidades. É comum encontrar alterações nos apartamentos feitas por encanadores, que, "por preguiça, colocam a descida da pia da cozinha junto com a do tanque ou da máquina, por esta ficar mais próxima de uma nova posição da pia".
Se acontecer um problema desse tipo, a água não servirá para qualquer tipo de reuso.

2 – Caso a descida (coluna de descarte da água da máquina de lavar roupa, por exemplo) esteja íntegra, é preciso desenhar "um projeto detalhado de captação, armazenamento, tratamento e uso". É um estudo que deverá ser executado por engenheiro ou técnico capacitado. "Não basta ter um encanador curioso. Isso deve ser documentado e divulgado para os condôminos para evitar reformas futuras que venham a prejudicar o processo de reuso."

3 – O síndico deve considerar ainda a existência ou não de espaço suficiente para o armazenamento e tratamento da água. Num condomínio, as dimensões são consideráveis. "Não é como em uma casa, em que cestos de 100 ou 200 litros com tampa resolvam. Deve ser convocada assembleia de condôminos para discutir e aprovar o projeto e a localização desse armazenamento, principalmente porque haverá necessidade de se instalar uma bomba para levar a água ao seu destino. Isso gera não só custo, como barulho e incômodo a quem estiver próximo."

O tratamento da água também requer cuidados, cuidando-se de que o processo e os produtos sejam adequados à limpeza. Além disso, o funcionário responsável pelo tratamento deverá ter treinamento e utilizar EPIs para a execução da tarefa. "É importante ainda testar periodicamente a água para haver certeza que está limpa, mesmo sem estar potável."

5 – Toda a rede relativa à água de reuso deve estar separada da rede potável e ser sinalizada. "A pessoa que utilizar a torneira do reuso deverá saber que a água ali não é potável."

É preciso, finalmente, "lembrar-se da responsabilidade do condomínio e do síndico caso haja algum problema no uso indevido dessa água. Falar em reuso é lindo, fazer é outra história e, fazer corretamente, é mais complicado ainda, afinal o custo é considerável", pondera Ângela Merici.

Matéria complementar da edição - 199 de mar/2015 da Revista Direcional Condomínios