Internet e redes sociais nos condomínios: comunicação online gera novos modelos de gestão

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Dez anos atrás, em um conglomerado de 174 milhões de brasileiros, apenas 13 milhões tinham acesso à internet, de acordo com pesquisa realizada pelo e-commerce.org.br em 2002. Hoje, compara Cátia Lassalvia, consultora de comunicação digital para empresas e o Terceiro Setor, em uma população de 190 milhões, existem aproximadamente 80 milhões de usuários de internet e cerca de 90% deles acessam redes sociais digitais.

“Os brasileiros em idade economicamente ativa e das classes A, B e C são, em grande parte, heavy users de internet e de redes sociais”, comenta Cátia. Ou seja, são pessoas viciadas em ferramentas digitais e que têm muita facilidade em manuseá-las, diz.

O fato é que a era digital revolucionou a forma de se comunicar, relacionar e fazer negócio. “Hoje, a web, por exemplo, pode ser uma ótima plataforma de gestão, funcionando como uma intranet ou portal corporativo”, sugere a consultora. E partindo desta premissa, Paulo Schochter, diretor de tecnologia da informação de uma agência de comunicação, desenvolveu um software para uso exclusivo do condomínio onde mora, com cerca de mil condôminos. “Tive a ideia de criar um canal, um portal na web, para auxiliar a gestão do condomínio e, principalmente, promover o que eu acho primordial: a comunicação”, revela Schochter.

Implantado desde junho passado, o portal já acumula mais de 40 mil acessos com 67% dos apartamentos registrados. Síndicos e condôminos podem ter acesso mediante identificação, por meio de um login e senha cadastrados no próprio portal. Este oferece serviços como: cadastro de carros, reservas das áreas comuns, classificados, reclamação online, enquetes, blogs (da administração, comissão de ética, assembleia e de eventos) e fóruns (de moradores e do conselho administrativo). Os canais que exigem respostas instantâneas, como o “Fale Conosco”, “Registro de Reclamação” e “Solicitação de Serviço”, são gerenciados pelo departamento administrativo interno do condomínio, explica o diretor.

“O síndico e um auxiliar atuam como moderadores, fazem o controle e encaminham as questões ou solicitações às pessoas responsáveis. A cada solicitação o sistema direciona um e-mail automático aos envolvidos que, ao acessarem o portal, podem responder. Imediatamente o solicitante recebe o e-mail de retorno”, conta Paulo Schochter.

Em relação ao investimento, Schochter diz que não há custo de compra ou implantação, apenas uma taxa de manutenção mensal em torno de R$ 2,00 mais impostos por apartamento. “O software foi desenvolvido para atender às necessidades de qualquer tipo de condomínio, seja o porte grande, médio ou pequeno”, sustenta.

As plataformas digitais possibilitam ao síndico verificar a situação do condomínio de qualquer lugar que ele tenha acesso à internet, e ainda, por outro lado, ele também pode incentivar os moradores a participar das ocorrências por meio de ferramentas da web, evitando-se, muitas vezes, reuniões longas e exaustivas.

O que é falado, reclamado ou sugerido no online pode pautar as condutas adotadas no dia a dia. Rodrigo Fortunato, consultor de condomínios de uma grande administradora, diz que no portal de sua empresa, os condôminos escolhem previamente o que será discutido na assembleia. “Dispomos, no canal Convenção e Regulamento Interno, de cédulas para que os moradores já tragam o voto ou a proposta com antecedência para agilizar a assembleia e torná-la menos maçante”, exemplifica.

Outra grande administradora da Capital paulista já possui 34 mil condôminos cadastrados no sistema digital de gestão e também está presente nas redes sociais digitais. Está há dois anos no Twitter, com 443 seguidores, e há um ano e meio no Facebook (com cinco adesões por dia). A assessora de imprensa da administradora, Mariana Costa, afirma que a empresa tem solucionado muitos problemas por meio das redes sociais. Para ela, as ferramentas podem funcionar como uma espécie de SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor): “já houve caso em que um condomínio estava em processo de implantação e um dos moradores, então insatisfeito com algumas questões, postou reclamações nas nossas redes sociais, que foram atendidas prontamente”, comenta.

Segundo a consultora Cátia Lassalvia, é válido tentar usar redes sociais em condomínios mais harmoniosos, naqueles que não tenham voyeurs (fofoqueiros e criadores de tensões). Entre as ferramentas, ela aposta mais no Facebook, pelo “fato de possibilitar a criação de grupos de discussão fechados”. “Ele tem espaço e ambiente mais propícios para o relacionamento entre condôminos e síndicos”, argumenta.

Para os condomínios que têm interesse em aderir a esses serviços, o Omar Anauate, diretor da Aabic (Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo) alerta: “é preciso procurar uma administradora idônea, que possua estrutura e recursos necessários para oferecer serviços via internet e que, ao longo do percurso, mantenha um sistema de informática atualizado, sempre de acordo com as atuais exigências de segurança. A internet é um lugar público, por isso, é preciso cautela com o tipo de informação divulgada”, justifica Anauate.

São Paulo, 7 de janeiro de 2012