Homenagem ao Dia do Síndico: como governar com o apoio dos conselhos, de síndicos mirins e de comissões de condôminos?

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É possível aos síndicos compartilhar decisões, tarefas e responsabilidades com subsíndicos, conselheiros, síndicos mirins e moradores, introduzindo nos condomínios o modelo da gestão participativa? em três residenciais destacados nesta reportagem, publicada em homenagem ao dia do Síndico (comemorado em 30/11), a experiência mostrou-se viável e os tem auxiliado na missão diária de governar esta pequena coletividade.

Entre os novos empreendimentos residenciais da Vila Romana, na zona Oeste de São Paulo, um deles chama especial atenção da vizinhança pelo seu bosque de três mil metros quadrados, tomado por árvores frondosas e antigas.

É o Condomínio La Dolce Vita, que possui área total de dez mil metros quadrados e contém pista de skate, quadra, piscina, playground, salão de festas, academia e três torres com 130 apartamentos de 160 metros quadrados. Internamente, entretanto, outro aspecto se destaca no local: cerca de 30 crianças, adolescentes e jovens transitam em harmonia por um ambiente bem preservado, afinal, muitos deles fazem parte de dois corpos diretivos mirins e atuam como líderes que exercem o papel de "síndicos, subsíndicos e conselheiros" junto ao grupo.

A ideia foi implantada no início deste ano, quando o advogado e empresário Harry Mihalescu tornou-se síndico do local.

Seu objetivo foi o de envolver a garotada com os assuntos do condomínio, de forma que passassem a preservar os equipamentos.

"É preciso trazê-los para dentro do condomínio e torná-los nossos parceiros", observa Harry, que propôs a criação de dois grupos de síndicos mirins: um até 12 anos, outro com adolescentes e jovens a partir desta idade. Cada um deles possui 11 membros, eleitos para um mandato de dois anos entre seus pares. Marco Fasciolo é o síndico mirim do grupo dos menores, está com 13 anos, mas tinha 12 quando foi escolhido. "É muito legal, em todas as brincadeiras que a gente fazia, eu era sempre o líder, sempre gostei disso", relata o garoto. Desta maneira, quando surgiu a oportunidade, mobilizou os colegas para que formassem um dos grupos diretivos. Sua primeira tarefa foi organizar uma assembleia própria e extrair uma lista de sugestões de melhorias, as quais foram apresentadas, posteriormente, à administração e registradas em ata no livro do Conselho Consultivo.

A principal decisão da equipe dos pequenos foi a de equipar a brinquedoteca com um videogame, aparelho adquirido pelo condomínio e cuja agenda de uso eles próprios administram. Marco diz que acaba tendo "responsabilidade sobre os menores, adoto reclamações e sugestões e passo para a administração caso eu não consiga resolver". Marco esteve à frente também das negociações com o outro grupo de síndico mirim para solucionar um conflito que havia entre os maiores e os menores no uso da quadra poliesportiva. Para o administrador do condomínio Roberto Silva, um dos idealizadores da experiência, a organização da garotada contribuiu ainda para reduzir a praticamente zero os atos de depredações nas áreas comuns e para melhorar o relacionamento com os funcionários. Segundo ele, a experiência, caso continue dando certo, será oficializada no Regimento Interno. Atualmente, o Dolce Vita possui uma vida social intensa e promove confraternizações com os condôminos, como a festa junina e o Natal, além de lanches promovidos pela própria garotada.

NO TAMBORÉ, UM COMITÊ GESTOR

No Condomínio Jardins de Tamboré, localizado na Grande São Paulo, a experiência do síndico mirim ainda não chegou, mas o empreendimento vive, desde princípios deste ano, um modelo de gestão compartilhada que já alterou a maneira como os condôminos se relacionam com o local. Até o índice de inadimplência caiu, afirma o síndico Paulo Eduardo Campos, um administrador financeiro que tem ocupado a função desde 1986 em outros condomínios nos quais residiu. No Tamboré, um conjunto seminovo de cinco torres e 299 apartamentos, Paulo tornou-se síndico em 2012, introduzindo reuniões semanais com um comitê informal de gestão, formado pelo próprio síndico, cinco subsíndicos e os membros do Conselho Consultivo (são 15 conselheiros).

Toda quinta-feira, entre 19hs e 21hs, os membros do comitê se encontram para discutir problemas, buscar ideias e tomar decisões. Apesar da autonomia conferida pela Convenção ao síndico, Paulo Eduardo diz que estas são conjuntas e consensuais. Além disso, a cada quinzena eles abrem a palavra aos moradores, os quais dispõem ainda de uma boa estrutura de comunicação para apresentar demandas e tomar conhecimento dos assuntos do condomínio, como o jornal mensal, o site interno, o livro de ocorrências e email para contato com o gerente administrativo.

"Nesse estilo de gestão, tudo é discutido e pensado antes. Por exemplo, na segurança mudamos a forma de negociação com a prestadora, realocamos os funcionários e isso está dando certo. A partir do momento em que se abre a discussão e a participação, surgem novas ideias", arremata Paulo. Quanto à queda da inadimplência, ele acredita que seja reflexo da percepção dos moradores de que "o dinheiro está sendo reinvestido, então eles se sentem motivados".

O MODELO DE DEMOCRACIA DO CONDOMÍNIO ILHAS GREGAS

Já no Condomínio Ilhas Gregas, a gestão participativa ocorre através das comissões temáticas informais formadas pelos moradores, que aproveitam sua experiência profissional e dão sugestões fundamentadas em assuntos como obras, gestão de pessoas e finanças. "Temos muitos talentos entre os condôminos, em diversas áreas, por que não aproveitá-los para ajudar na administração?", justifica o síndico Luiz Domingues, engenheiro civil aposentado que aos 85 anos circula com autoridade e desenvoltura pelos espaços movimentados do empreendimento de seis torres, localizado no Jardim Paulistano, zona Sul de São Paulo. Luiz Domingues está em seu nono ano como síndico, mandatos distribuídos em dois períodos distintos.

Entre as comissões, estão a de Finanças, Segurança, Recursos Humanos e a da Brigada de Incêndio, que juntamente com o Conselho Consultivo e o staff administrativo interno do condomínio - o gerente predial Fernando Figueroa e duas assistentes, ajudam a administrar um espaço físico de 68 mil metros quadrados de área construída, 49 funcionários próprios e 16 seguranças terceirizados. Neste momento, a Comissão de Finanças, o Conselho, o síndico e o gerente estão envolvidos na elaboração da previsão orçamentária de 2013. Mas Luiz Domingues acredita que as decisões finais devam ser sempre do síndico. "Ele precisa ouvir todo mundo, discutir, mas não pode abrir mão de sua autoridade, pelas responsabilidades, conhecimento e experiência que possui", acredita Luís.

 

Matéria publicada na Edição 174 - nov/12 da Revista Direcional Condomínios.


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