Repaginação da Garagem: Piso, Sinalização, Iluminação

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PELA ORGANIZAÇÃO E O CONFORTO DE UMA ANTESSALA

Boa parte dos moradores das grandes cidades passa pelas garagens antes de entrarem em suas casas para momentos de merecido descanso. Assim, é preciso dar um aspecto de antessala neste importante espaço de convívio diário das pessoas.

Ambientes com pouca iluminação, de paredes e luminárias escurecidas pela fuligem e poeira, tetos tomados por calhas de maneira a evitar gotejamento sobre os veículos, pisos sujos, trincados e irregulares. Não é raro encontrar esse cenário nos subsolos dos edifícios de São Paulo, a despeito de esta ser a cidade do automóvel e de boa parte de seus residentes chegarem a suas casas pela garagem. “Para a maior parte dos condôminos, basta terem a vaga e que a garagem funcione”, observa a arquiteta Cleide Yusuf, especialista no assunto. “Por uma questão de economia, o espaço acaba sendo o último em prioridade.” O que é um erro, ressalva, já que um tratamento no piso, pintura, sinalização e iluminação confere mais conforto ao usuário, agiliza os deslocamentos e facilita a manutenção. Sem contar no remanejamento dos espaços, que costumam aumentar em até 20% o número de vagas disponíveis e adequálas às larguras mínimas estabelecidas pelo Código de Obras de São Paulo.

Para dar uma cara de mais leveza, organização e modernidade às garagens, Cleide sugere iniciar a repaginação pelo piso. O ideal seria um revestimento em epóxi, que propicia claridade e facilidade de limpeza, ou a pintura sobre a superfície (concreto ou cimento), com material sintético especial, o mesmo empregado em quadras. O interessante, observa a arquiteta, é que tanto o epóxi quanto a pintura podem ser aplicados em diferentes tonalidades, demarcando as próprias vagas. “O revestimento da garagem toda pode ser em cinza claro e o espaço da vaga em um tom mais escuro, em azul”, sugere. Cleide destaca, por outro lado, a necessidade de se instalar superfícies antiderrapantes nas rampas de pedestres (que pedem ainda piso tátil) e dos veículos.

Nas paredes, colunas e tubulações, a pintura também auxilia na organização e confere um padrão estético mais confortável. “As tubulações de esgoto, de incêndio e elétrica podem ser pintadas em cores diferenciadas. As paredes, por sua vez, devem ser preferencialmente brancas, acima de meia altura. Os condôminos acabam optando por preto na primeira metade da parede, para protegê-la contra a fuligem, mas o ideal seria substituí-la por outra tonalidade”, diz. Já as faixas amarelas, utilizadas como sinalização, podem ceder lugar ao verde, opina. E como demais elementos indispensáveis de sinalização, aparecem as placas de quilometragem, as de localização das vagas e dos prédios (quando a garagem atende a mais de uma torre), faixas de redução de velocidade, além dos “borrachões” protetores de colunas e paredes, “que dão um visual bonito e bem organizado”.

Para completar a repaginação, entra um item essencial: a iluminação. Um bom padrão de claridade resulta da combinação entre o projeto de luminotécnica e as tonalidades presentes nas paredes e no revestimento básico do piso. O técnico em iluminação e empresário Rogério Garcia Parra, síndico do condomínio Splendor Tatuapé, localizado na zona Leste da cidade, costuma dizer que “luz é vida, comunicação e segurança”. Presidente da Associação Pool Design da região Leste da cidade, o síndico observa que as garagens precisam de uma quantidade mínima de 200 a 300 lux em qualquer ponto, conforme a NBR 5413/92 (da ABNT/ Associação Brasileira de Normas Técnicas).

O técnico deixa outras recomendações para os colegas síndicos: utilizar lâmpadas fluorescentes de 40 watts e sensores de presença; deixar as luminárias presas ao teto e, quando houver vigas formando barreiras à disseminação da luz, pendurá-las, mas sempre até o nível dessas vigas; adquirir somente materiais de qualidade; instalar balizadores (LED’s ou fluorescentes) nas paredes contíguas às rampas; realizar a limpeza periódica das lâmpadas com uma solução de água e álcool, já que o acúmulo da poeira e fuligem pode gerar perda de até 30% da luminosidade. Para encerrar, Rogério lembra que paredes claras garantem maior refletância luminosa e recomenda critérios no uso de lâmpadas potentes nas eclusas (é preciso uma altura mínima de três metros, evitando o ofuscamento sobre o motorista) e das LED’s (muito mais econômicas, elas ainda não têm o mesmo fluxo luminoso das fluorescentes).

Matéria publicada na Edição 150 de setembro de 2010 da Revista Direcional Condomínios.


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