Elétrica: Novidades e Melhorias de Desempenho

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AUMENTO DE CARGA PEDE AJUSTES POR SEGURANÇA E ECONOMIA

Novas edificações já podem receber cabos elétricos, de telefonia e de internet em um mesmo conduto, desde que projetadas para isso. As demais, no entanto, devem passar por uma reforma geral de suas instalações para atender ao maior uso dos equipamentos eletroeletrônicos. Ajuste depende de aprovação da concessionária.

Os novos hábitos de consumo, que incluem a utilização de maior número de eletrodomésticos e aparelhos digitais, exigem ajustes nas instalações elétricas das edificações. Pois só assim os condomínios antigos conseguem suportar a carga elétrica gerada pela utilização de lava-louças, secadoras, microondas, climatizadores, computadores etc., sem correrem risco de pane ou incêndio. Uma cultura de prevenção e controle de possíveis acidentes faz com que edifícios com mais de dez anos de uso promovam uma revisão na parte elétrica de sua estrutura, mesmo não sendo esta ainda uma determinação oficial.

Inexiste hoje uma legislação que obrigue a renovação da carga elétrica de um condomínio, a reforma ou qualquer outro tipo de modificação da instalação. “Entretanto, é unânime entre moradores e administradores que uma instalação elétrica corretamente executada e com a manutenção em dia serve como garantia de menores custos e riscos, seja com manutenção, seja com gastos com energia (desperdício) e, principalmente, com a segurança de todos os usuários”, explica Edson Martinho, engenheiro eletricista da Abracopel (Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade).

Edson observa que quando há aumento de carga deve ocorrer uma revisão da instalação, tanto no ambiente como no condomínio, pois a simples reforma elétrica de uma unidade, por exemplo, não garante a segurança nem do usuário nem da edificação, que poderá ser vítima de sobrecarga e, com isto, do desperdício de energia, incluindo riscos de incêndios. Após a adequação, a economia de energia acontece porque os aparelhos funcionam em seu ritmo normal e a energia não tem sobrecarga, fator que aumentaria o consumo. “A economia de energia acaba sendo consequência de uma instalação elétrica em bom estado, o que pode chegar a 10% ou mais de redução de consumo e consequentemente do valor da luz”, explica José Máximo Pontes, síndico do Condomínio Edifícios Atlas e Apolo, na Vila Mariana, zona Sul de São Paulo.

ADAPTAÇÃO DE CARGA

Os Edifícios Atlas e Apolo foram construídos há quase 30 anos e por isso, em decisão tomada em assembleia geral, os condôminos optaram pela troca da fiação elétrica, ou seja, das prumadas dos 12 andares, renovando a rede nos 96 apartamentos de cada um dos blocos. José Máximo conta que a principal motivação da troca foi a segurança. “Tínhamos fios desemcapados e cada vez que era necessário mexer na fiação para instalar um novo equipamento, isso em qualquer apartamento, havia preocupação, pois nem todos os fios cabiam na prumada que era mais estreita, e, claro, isso trazia risco de curto circuito. Assim a mudança teve aprovação unânime e há um ano dormimos mais sossegados.”

Os gastos foram em torno de R$ 120 mil reais por edifício e uma empresa terceirizada realizou o serviço. “Durou mais de um ano para concluir toda a adaptação. Fizemos um fundo de obra, em que mensalmente os condôminos pagaram cerca de 8% a mais durante um ano. Sem esse aporte ficaria difícil concluir a obra”, explica o síndico, lembrando que hoje o sistema comporta os fios elétricos e de serviços de novos equipamentos, como a TV digital ou a internet em banda larga, “porque aumentamos o tamanho e a potência da carga elétrica”. Os novos condomínios já estão mais próximos da necessidade atual, incluindo a previsão de aumento de carga para os próximos anos, observa o engenheiro Edson. “Isto porque são projetados com base nas normas. E o que se aplica a condomínios residenciais se aplica aos comerciais.” O Brasil possui pelo menos 1.500 normas técnicas relacionadas à eletroeletrônica.

MATERIAIS CERTIFICADOS

Quando o assunto é internet via banda larga, é importante saber que esse serviço está em processo de regulamentação e estudos, sendo que não possui nenhum vínculo com as questões de carregamento da rede elétrica. “Hoje não é permitido que os cabos de sinais (NET, banda larga etc.) passem no mesmo conduto (eletroduto ou eletrocalha) que os cabos de energia, a não ser em sistemas de construção modernos projetados para isso. Por isso, o condomínio deve se prevenir e modificar os sistemas de distribuição de condutores de forma adequada, sejam os de energia ou os de sinais, para que não haja problemas futuros”, conclui Edson.

O engenheiro destaca que os condôminos devem estar cientes de que toda instalação sofre desgaste com o tempo, portanto é necessária uma revisão a cada cinco anos, que deve privilegiar o projeto e o uso de novas tecnologias que garanta a segurança, o conforto e a economia de energia e, portanto, utilizar produtos e equipamentos certificados. A reforma deve ser executada por profissionais qualificados, habilitados e principalmente atualizados quanto às normas, produtos e tecnologias para garantir a melhor perfomance com o menor custo.

É preciso atenção, por exemplo, na entrada de energia e nos centros de medição, pois muitas edificações antigas não comportam acréscimos sem que haja principalmente uma obra civil para a instalação de eletrodutos para novos condutores, devido às condições em que foram construídas. “Na infraestrutura interna de cada unidade, para que ocorra a introdução de equipamentos modernos, as instalações elétricas devem atender aos requisitos da NBR 5410”, diz Sérgio Luiz Basso, gerente de engenharia da AES Eletropaulo.

Por outro lado, o Artigo 31 da Resolução 456/2000 da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) determina que todo aumento de carga deve ser objeto de estudo pela concessionária. As normas da concessionária AES Eletropaulo, por exemplo, exigem que as instalações sejam dimensionadas para a carga que se pretende utilizar, coordenadas com os condutores alimentadores da mesma e protegidas por condutor de aterramento, disjuntor DR e dispositivo de proteção contra surto (DPS). Esses materiais visam dar segurança para as instalações e pessoas.

A AES Eletropaulo recomenda uma consulta prévia antes de qualquer acréscimo de carga, identificando-se as necessidades técnicas do cliente e eventuais adequações ao sistema elétrico, solicitação que se encontra respaldada pela Resolução da ANEEL.

“Nenhuma adequação deve ser feita sem o acompanhamento de um profissional legalmente habilitado”, esclarece Sérgio. Atualmente a Eletropaulo disponibiliza em seu site (www.aeseletropaulo.com.br) alguns manuais técnicos que fornecem as diretrizes para a solicitação e construção das instalações elétricas dos consumidores de baixa e média tensão. No Livro “Instruções Gerais de Baixa Tensão – LIG BT”, a AES Eletropaulo disponibiliza o fascículo Determinação de Demanda (acessível no link www.aeseletropaulo.com.br/clientes/Engenheiros/Informacoes/ ManuaiseNormas/Paginas/LIGBT2005.aspx), que orienta sobre o cálculo da demanda da edificação. Cabe ressaltar, no entanto, que existem regulamentações do Confea (Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura) que estabelecem que o dimensionamento das cargas deve ser realizado por profissionais técnicos legalmente habilitados com a devida ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) recolhida. Segundo o gerente da concessionária, a observância destes procedimentos associada àqueles especificados pela Norma Regulamentadora nº 10 e Resolução 456 da ANEEL garantem ainda as condições de segurança das pessoas e nas instalações elétricas.

Já as normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) estabelecem a forma e a periodicidade para as manutenções de equipamentos e instalações. Em regra geral, a NBR-5410 (Baixa Tensão) e NBR-14089 (Média Tensão) dão as diretrizes básicas, no entanto, alguns equipamentos elétricos podem ter uma particularidade que requer uma análise na NBR que o subsidia na construção. Quanto ao quesito segurança, as especificações estão contidas nas NR’s 10 e 33.

Matéria publicada na Edição 150 de setembro de 2010 da Revista Direcional Condomínios.

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