Condomínios-Clubes: Trabalho de gente grande

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Grandes áreas de lazer exigem administração profissional e bem assessorada para os condomínios-clubes.

Em condomínio-clube, tudo é superlativo: a quantidade de torres, de funcionários e, principalmente, de áreas de lazer. Se o espaço é grande, o trabalho do síndico é maior ainda. Mais obras e manutenções para administrar, mais empregados e terceirizados para controlar, mais problemas de convivência... 

Para conseguir gerenciar toda essa grande estrutura, é fundamental que o síndico conte com uma equipe competente. Para Silvia Barletta, da área de administração comercial e de marketing de uma administradora de condomínios, em um condomínio-clube o êxito da operação administrativa está calcado no desempenho da gestão local. “Em alguns casos, a estrutura exige, inclusive, a transferência de sistemas e a criação de portais interativos. É comum também a representação das torres através de subsíndicos, porém, sem autonomia administrativa”, informa. Aos subsíndicos, completa, cabe apresentar ao síndico os anseios e necessidades dos condôminos para análise e deliberação. 

Mesmo com um grande aparato administrativo, a responsabilidade continua sendo do síndico. De acordo com o Código Civil, a responsabilidade é objetiva, ou seja, independente de culpa. “Assim, em qualquer condomínio o síndico deve ter a preocupação com sua responsabilidade civil”, argumenta o advogado Cristiano De Souza Oliveira, consultor jurídico condominial. Por motivos óbvios, sustenta, em um condomínio-clube a preocupação com a prevenção, manutenção e riscos em geral deve ser ainda maior. “Nesses casos, os síndicos devem contar sempre com uma equipe bem estruturada e atualizada. Ou seja, da manutenção ao jurídico o síndico deve se cercar de pessoas comprometidas e responsáveis”, sustenta o advogado. 

É o que ocorre no condomínio Golden Towers. Marli Almeida, gerente do condomínio, coordena uma área de mais de 70 mil metros quadrados (13 mil metros são de área verde), com três torres e extensa área de lazer. “Minha função é facilitar a vida do síndico”, define. Construído há nove anos, o Golden Towers foi um dos precursores no conceito condomínio-clube, acredita a gerente. O condomínio conta com uma equipe de sete funcionários para manutenção. O encarregado de manutenção faz a programação dos serviços a serem realizados. “O síndico dá as prioridades, e eu gerencio a parte administrativa e financeira e a de pessoal”, conta. São contratados os serviços de uma administradora externa e a segurança (portarias e ronda) é terceirizada.

Marli cuida para que a grande área comum funcione perfeitamente. O bosque é utilizado para caminhadas. Há um “cachorródromo” para passeios dos moradores com seus cachorros. Quadras de squash, tênis, poliesportiva e sala de ginástica completam a área esportiva (as atividades esportivas são coordenadas por uma empresa terceirizada). Para manter os jardins e bosque em ordem, quatro jardineiros trabalham fixos no condomínio. “Procuramos manter todas as instalações impecáveis. Trabalhamos com manutenção preventiva, por isso é difícil termos emergências. Em um condomínio grande, tudo é grande. Se não atuarmos preventivamente, não conseguimos mostrar bons resultados”, admite Marli. Numa grande estrutura, até a coleta de lixo precisa de uma logística bem planejada. Marli estuda justamente a compra de um veículo elétrico para transportar os volumes com mais facilidade até a lixeira da rua. 

No item lazer, a administração atua ouvindo as expectativas dos moradores. Recentemente, solicitaram aulas de sapateado e Marli providenciou a reforma de uma sala não aproveitada para a prática da dança. “As crianças pediram um espaço para ginástica olímpica e estamos transformando uma das quadras de squash para essas aulas. Fizemos ainda uma sala de estudos e uma sala de jogos para os adultos, com mesas de carteado”, conta. 

Marli também comandou as negociações com a empresa que alugou o bar da piscina. “Agora, o bar funciona de 3ª a domingo, das 10 às 22 horas, inclusive com serviço delivery para os apartamentos”, diz. Entre os serviços, o condomínio também dispõe de coleta de lavanderia e salão de beleza. De maneira geral, o foco do trabalho, explica Marli, é minimizar as reclamações dos moradores. “Tenho um canal de comunicação sempre aberto com os moradores, por e-mail ou telefone”, arremata.

Matéria publicada na Edição 126 de julho de 2008 da Revista Direcional Condomínios.