Enxugando custos: De olho no caixa

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Trabalho de formiguinha dos síndicos garante economia em contratos e prestações de serviços.

O trabalho de redução de custos do condomínio exige atenção praticamente diária do síndico. Que o diga a síndica Ivanir Sobreira. Há oito anos na função do prédio onde mora, na zona leste, Ivanir não tira o olho das despesas do condomínio, com 52 apartamentos. Só este ano, Ivanir já trocou dois fornecedores: a empresa de manutenção dos elevadores e a de fornecimento de gás GLP. Todo ano, ela renegocia os valores dos contratos. Com a empresa de elevadores, porém, Ivanir estava insatisfeita com os valores praticados e com a qualidade do serviço prestado. “A troca de fornecedor representou 70% de economia”, garante. 

Também com o gás a causa maior da procura por outro fornecedor foi o mau atendimento. “Mas consegui reduzir em 5% o valor do quilo do gás. Além disso, a empresa garantiu que o gás fornecido é mais puro e que o consumo irá cair”, completa. Ivanir busca economia também no consumo de energia elétrica e água. Na época do apagão, ela recorda que várias iniciativas tomadas (como a instalação de sensores nos halls e nas garagens) representaram uma economia de cerca de 1200 watts na conta mensal. “Hoje, conseguimos manter os mesmos níveis de consumo do passado”, diz. Com a água, se a conta excede a média, Ivanir solicita ao zelador que verifique as caixas acopladas dos apartamentos, em busca de vazamentos. 

Na folha de pagamentos, mais cuidados: a síndica eliminou horas-extras do zelador e mantém a folha enxuta. Ela gostaria de contar com mais um faxineiro, mas vem protelando esse custo. Os cuidados de Ivanir trazem resultados. A síndica conta que, com exceção da pintura, todas as obras já realizadas foram suportadas pelo dinheiro do caixa. “Tudo que faço procuro diluir no caixa, sem sobressaltos. Estamos planejando uma reforma na entrada do prédio, mas que só irá ser feita se entrar um dinheiro de inadimplência. Alguns moradores questionam porque não utilizo o fundo de reserva. Digo que enquanto eu for síndica, não iremos gastar o fundo. Ser síndico exige a responsabilidade de ter o dinheiro no dia de um pagamento”, adverte. 

O síndico profissional Nilton Savieto, que administra dez condomínios, concorda com Ivanir: a economia é resultado de muito trabalho e acompanhamento por parte do síndico. Nilton tem investido na formação dos zeladores para economizar com pequenos prestadores de serviços. “É importante e fundamental não ter surpresas no prédio. Treinado, o zelador tem condições de fazer uma preventiva. Ele funciona mais como um oficial de manutenção, e deve ficar atento a qualquer anormalidade nos equipamentos, acionando as empresas de manutenção”, acredita. Trabalhos executados pelo zelador significam economia, principalmente porque profissionais como pintores, eletricistas e encanadores têm inflacionado seus preços atualmente. 

Pequenos detalhes na contratação de serviços também podem fazer a diferença. Nilton recomenda, por exemplo, cotar os serviços de hidrantes e extintores com preço fechado, eliminando custos com peças substituídas. Conforme Nilton, são pagos à parte apenas extintores e mangueiras furadas. Com a hidráulica e a elétrica, a atenção também é grande. O síndico conta que realiza manutenções periódicas nas fossas de águas servidas, investindo assim na manutenção preventiva. “Sai muito mais barato do que acionar uma empresa se a instalação entupir”, diz. Em relação à elétrica, nos prédios comerciais Nilton tem investido em bancos de capacitores. Por conta da instalação de relógios digitais, feita pela Eletropaulo, que mede a energia reativa consumida, as contas têm subido de 12 a 15%, relata Nilton. O banco de capacitares, explica, recebe a energia reativa zerando esse consumo e trazendo economia na conta. Quanto aos contratos de manutenção, Nilton revisa-os todos os anos. O IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado) está muito alto, conforme o síndico. “Varia entre 11 e 12%, conforme o mês. Tenho conseguido negociar essa taxa para 4 ou 4,5%”, afirma.

Matéria publicada na Edição 126 de julho de 2008 da Revista Direcional Condomínios.