O jeito feminino de governar - garra no condomínio em implantação

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As síndicas representam apenas 14% da carteira de condomínios do administrador Marcelo Mahtuk, mas ele diz que há uma tendência cada vez maior à profissionalização das mulheres na função. E vai além: Marcelo prefere administrar com elas, pela maior disponibilidade, atenção, cuidados e paciência que reservam à gestão condominial. Pois é assim, com dedicação e comprometimento, às vezes até certo preciosismo nos detalhes, que as mulheres têm feito diferença nos condomínios, conforme três histórias destacadas nesta edição, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher (comemorado em 8 de março).

A nutricionista Roseane Mary Barros Fernandes era síndica havia oito anos do prédio em que residia na Vila Andrade, zona Sul de São Paulo. Mas desde julho de 2012 assumiu outra empreitada, agora no Condomínio Antígua, empreendimento novinho para onde se mudou, na mesma região do Morumbi. Ela foi eleita na assembleia de instalação do condomínio de duas torres, 148 unidades e ampla área de lazer.

Desde então, Roseane vem dando expediente quase em tempo integral para colocar a casa em ordem, que começou com o recebimento formal do condomínio junto à construtora, "inicialização" de todas as máquinas (fluxo de água e gás das duas torres, avaliação das casas de máquinas etc.), treinamento das equipes, desenvolvimento de plano de segurança, divulgação da Convenção e Regimento Interno, e monitoramento das reformas e mudanças das unidades ainda vazias, cerca de 70% delas, entre outras providências.

Passados sete meses, o condomínio exibe um cenário saudável e organizado, mas Roseane admite que a jornada mal começou. Ela quer definir as prioridades para os próximos meses, sanar algumas pendências com a construtora, pedir auxílio à CET para eliminar a formação de filas duplas em sua rua e "aprimorar alguns processos", como aplicar verniz naval a todo mobiliário externo (de madeira), trabalho já iniciado. Segundo ela, o momento ainda é de "aculturação" dos moradores e funcionários, adaptando- -os às normas internas, tarefa em que conta com o auxílio do subsíndico e de um Conselho Deliberativo bastante atuante. "Temos reuniões a cada 15 ou 20 dias e muita troca de informação por e-mail, o que ajuda a que as coisas andem em sintonia", diz. No total, o condomínio emprega doze funcionários, todos terceirizados.

Síndica profissional em outro edifício, Roseane recebe apenas isenção de taxa condominial no Condomínio Antígua. E destaca que a gestão condominial tem um ganho extra sob o comando das mulheres: "O comprometimento é o que resume a postura da mulher, de ver tudo com mais afinco, se envolver com uma questão até que encontre a solução, o que exige muita paciência e dedicação. Já o homem delega mais, mas corre o risco de ter uma expectativa frustrada." Há cerca de 30 dias, Roseane contratou uma funcionária para a portaria. "Os problemas têm diminuído sensivelmente no dia a dia. É mais um sinal de que a mulher está presente e disposta a dar certo."

 

UM OÁSIS NO CENTRO DE SÃO PAULO

Quem trafega pela Rua Humaitá, esquina com a Martiniano de Carvalho e a um quarteirão da Rua Brigadeiro Luís Antônio, um dos principais corredores de tráfego do Centro de São Paulo, é incapaz de imaginar que, por detrás da fachada retangular de um edifício de 54 anos, exista uma área de lazer com árvores altas, espaço para bancos, churrasqueira, playground e estação de reabilitação para a terceira idade. É o espaço de lazer do Condomínio Edifício Itororó, a mais nova conquista de uma gestão feminina iniciada há 16 anos pela síndica e administradora Carmen Mendes Pagan.

Para que se tenha uma ideia da envergadura das mudanças promovidas pela síndica no período, é importante citar dois fatos. Quando Carmen assumiu o cargo, o edifício de 160 apartamentos, de 48 a 100 metros quadrados, estava para ser interditado por falta de segurança pelo Contru, Departamento de Controle Urbano da Prefeitura de São Paulo. Havia 36 unidades vazias, que não encontravam mercado para locação, nem para venda.

Hoje, o cenário é outro. O interior do edifício revela limpeza, organização, pintura em ordem, recipientes para separação de lixo, elevadores novos, funcionários uniformizados e muitos murais disponibilizando informações aos moradores. Foram incontáveis reformas: elétrica, hidráulica, telefonia e interfone, substituição total dos três elevadores, laje e telhado na cobertura, implantação de sala para administração e reunião, bicicletário, armário para correspondências dos moradores, banheiro para os funcionários, alvenaria, fachada etc. E outras estão por vir, como mais uma revitalização da fachada e a modernização da portaria.

No entanto, o que mais se destaca na gestão de Carmen é a forma de trabalhar com as contas. Ela é remunerada como administradora e a cada mês disponibiliza todas as notas e empenhos aos três membros do Conselho Fiscal, que devem emitir relatório dizendo se a movimentação mensal está ok ou não. O balancete é então disponibilizado aos moradores, junto com o boleto de pagamento do condomínio.

"Dá muito trabalho, tem que ter disposição de fazer e, principalmente, de cobrar as pessoas", observa a síndica, também secretária executiva de uma empresa privada e estudante de curso superior de Design de Moda. Mas Carmen não pretende parar por aqui, pois "tenho medo que as coisas acabem e há muito que fazer ainda".

 

EM SÃO BERNARDO, UM COMANDO DE MULHERES

Uma síndica (Roseli Silva Carvalho), uma zeladora (a ex-porteira Mara Cristina Roca de Victor) e cinco mulheres integrantes do Conselho Consultivo. Esta é a comissão de frente que administra o Condomínio Residencial Nova Petrópolis, em São Bernardo do Campo, Grande São Paulo. Composto por quatro torres, 296 apartamentos, uma vaga de garagem para cada, além de equipamentos de lazer, o condomínio vive em seu segundo ano sob a gestão de Roseli, moradora há treze anos do local e que nunca havia sido síndica.

"O primeiro ano foi muito difícil, mas no segundo peguei o jeito da coisa, consegui mais credibilidade com moradores e diminuíram muito as reclamações. Antes de ter meu segundo filho (o bebê está com 9 meses), eu limpava o jardim, gostava de ficar mexendo, circulava e circulo ainda muito pelo condomínio", relata a síndica, destacando que este é o segredo e o diferencial das mulheres: a disponibilidade e a presença física constante.

A zeladora Mara confirma. "O convívio no condomínio tornou-se mais pacífico, a relação com os funcionários mais aberta e há uma atenção maior à manutenção. A mulher presta mais atenção aos detalhes, em coisas que já deveriam ter sido arrumadas e não eram feitas, como, por exemplo, na jardinagem ou na luz de emergência. Já está funcionando tudo", comemora a zeladora, no cargo há um ano.

Matéria publicada na Edição 177 - mar/2013 da Revista Direcional Condomínios


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