Condomínio: campo fértil para desenvolver as habilidades socioemocionais

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Educadora especializada em Psicopedagogia e Neuropsicologia, palestrante, terapeuta e pesquisadora da área, Adriana Fóz (foto) vem se notabilizando em defesa de um desenvolvimento mais integral das crianças e adolescentes, que envolva aspectos cognitivos, emocionais, culturais e sociais, entre outros. Em entrevista à revista direcional Condomínios, a especialista se diz otimista diante da possibilidade de os síndicos e condôminos se mobilizarem em prol das atividades recreativas e esportivas ao seu público jovem e mirim. Adriana é autora dos livros "A Cura do Cérebro" (Editora Novo Século, 2012) e As “Aventuras De Newneu, O Superneurônio” (Matrix Editora, 2014), e coordena o Projeto Cuca Legal (Programa de Prevenção em Saúde Mental nas Escolas), pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Direcional Condomínios - Até que momento os adultos têm responsabilidade sobre o desenvolvimento das crianças e adolescentes?

Adriana Fóz - Temos responsabilidades até a criança se transformar em um adulto. Ultimamente os pais estão um pouco perdidos com relação às suas funções e papéis. Creio que precisamos reinventar uma escola para pais...

DC - Mesmo entre os jovens, é importante oferecer a eles alternativas de sociabilização e crescimento?

Adriana Fóz - Sim, principalmente para os adolescentes que precisam de bons modelos e “alternativas” para seus comportamentos e compressões. Segundo os neurocientistas e neuroeducadores, os adultos precisam emprestar seus “pré-frontais” (área do cérebro responsável pelo planejamento, controle de impulsos, flexibilidade mental, dentre outros) ao adolescente.

DC - qual a importância das atividades orientadas nos condomínios?

Adriana Fóz - Dar alternativas saudáveis e contextualizadas ao jovem é ajudar a construir uma estrada eficiente na educação dos mesmos.

DC - qual a diferença entre orientação e tutela, aquela que tem efeito contrário, que impede as crianças de desenvolverem a autonomia?

Adriana Fóz - Tutela é um termo mais ligado ao Direito. A orientação que não impede o desenvolvimento da autonomia é aquela que contempla responsabilidade e construção do conhecimento. Um jovem autônomo deve receber limites competentes e ter responsabilidades condizentes.

DC - Os adultos têm abandonado as crianças e adolescentes na correria da vida contemporânea?

Adriana Fóz - Prefiro dizer que estão um pouco confusos diante das demandas, consumismo e liberdade exagerados. Se sentem frustrados e/ou culpados, e não estão encontrando um modelo saudável de educação frente aos desafios da atualidade.

DC - No ambiente do condomínio, com crianças integradas em brincadeiras coletivas, é importante que também os pais conversem entre si?

Adriana Fóz - Quanto mais a boa informação circular, melhores serão as consequências.

DC – qual a condição atual de afeto e amparo das crianças e adolescentes? Você é otimista?

Adriana Fóz - Sou otimista quando vejo um movimento de informação e busca de uma educação menos individualista e mais integrada, por exemplo. Sou otimista quando percebo serem valorizadas as habilidades socioemocionais, tão necessárias na educação dos dias de hoje. Vejo um campo fértil para os espaços coletivos, como os de um condomínio.

Matéria publicada na edição - 195 de out/2014 da Revista Direcional Condomínios