Por que automatizar o condomínio?

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A integração entre alarmes e controle de acesso ou entre equipamentos de prevenção a incêndio confere mais agilidade aos sistemas, diminui riscos por falha humana e dá mais tranquilidade aos condomínios.

O Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) de São Paulo registrou oito arrastões em condomínios na Capital paulista nos três primeiros meses de 2009, um a menos do que as ocorrências observadas em todo o ano passado. Segundo o empresário Edílson Rodrigues, do segmento de produtos e serviços elétricos e eletrônicos, os condomínios não têm poupado esforços nem recursos para melhorar o sistema de segurança. Rodrigues cita o caso de um edifício residencial localizado na Chácara Klabin, zona Sul da cidade, vítima de arrastão no final do ano passado, apesar de contar com guarita blindada, portões eletrônicos com clausura, CFTV e seguranças.

Neste caso, os ladrões tiveram acesso a uma informação privilegiada, souberam que um apartamento estava desocupado e se apresentaram como proprietários. A ocorrência levou o condomínio a reinvestir em seu sistema, mudando a posição dos receptores das câmeras dos portões e melhorando o alcance da identificação na cabine, diz. Também diminuiu o tempo de fechamento dos portões, de 15 para 4 segundos, e trocou a equipe de seguranças.

Mas especialistas na área recomendam que os condomínios invistam ainda na automação do sistema, por meio da integração dos equipamentos, diminuindo os riscos advindos do fator humano. “Inicialmente, é preciso ter um projeto de segurança eletrônica, para depois fazer a sua integração via automação”, observa Selma Crusco Migliori, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (Abese). Isso confere, ressalta, maior sofisticação ao sistema, agilidade e eficiência e confunde a ação dos ladrões.

É o caso, por exemplo, de interligar os alarmes à iluminação e ao banco de imagens e de dados do controle de acesso, como forma de garantir um alerta automático em caso de invasão de pessoas estranhas. “Existem empresas integradoras que realizam esse trabalho, assegurando maior eficiência ao sistema”, afirma. Um dos principais ganhos da automação é a independência que o condomínio adquire em relação ao acionamento humano. A presidente da Abese lembra que há softwares de gerenciamento do acesso de veículos, liberando a sua entrada somente depois do reconhecimento da placa, dispensando o condômino de portar controle remoto ou a sua liberação pelo porteiro. Outra tendência do mercado, aponta Edílson Rodrigues, é que os condomínios residenciais passem a fazer cadastro de seus visitantes, com fotos, liberando a circulação por meio do uso de credenciais, a exemplo do que acontece em muitos edifícios comerciais. Isso facilitaria a integração dos dados, observa.

“A primeira grande vantagem que a automação garante é a segurança de controlar a entrada de pessoas não conhecidas à área interna dos edifícios. Além disso, ela pode gerar economia e também maior agilidade nos acessos de pessoas e veículos”, afirma, por sua vez, Samuel Iwamoto, suporte técnico comercial de um dos maiores fabricantes nacionais de equipamentos e soluções de acesso.

Os especialistas apontam, entretanto, a necessidade de treinamento da equipe de colaboradores, não sem antes implantar uma nova postura comportamental dos condôminos em termos de segurança, destaca Selma Crusco. “Geralmente o fator humano falha por falta de conscientização dos moradores”, completa, sugerindo a eles desenvolver normas comuns a todo o condomínio, como forma, inclusive, de balizar o trabalho dos funcionários. “Muitas vezes o porteiro é levado, por alguma situação, a abrir os portões”, diz.

A automação está presente também na interligação dos equipamentos de segurança contra incêndio, um tipo de investimento recentemente feito pelo edifício comercial Taluá, no Jardim Paulista, em São Paulo. Segundo Eduardo Shigueo, administrador do imóvel, houve a integração entre os detectores de fumaça, o sistema de pressurização das escadas e o fechamento das portas corta-fogo, atendendo às normas atuais de órgãos como o Contru e o Corpo de Bombeiros. E para se adequar à legislação sobre acessibilidade, o condomínio teve que instalar trilhos com uma cadeira automática para uso dos portadores de deficiência, pois há um desnível de 70 centímetros entre a rua e a entrada do prédio.

Matéria publicada na Edição 135 de maio de 2009 da Revista Direcional Condomínios.