Confusão no condomínio (1): “O fundamental é inspirar, expirar e não pirar”

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Para o psicólogo Hernán Vilar, especializado em Administração de Empresas e mediação de conflitos, uma resposta emocional diante de fato considerado “absurdo” pode desencadear novas situações marcadas pelo descontrole, como verdadeiras campanhas de perseguição contra o síndico. Confira as dicas do especialista sobre como agir em situações como essa, na entrevista à revista Direcional Condomínios.

IMPACTO INICIAL

“Todos gostamos da normalidade, ela nos conforta. Mas quando somos confrontados com um absurdo, aquele ponto fora da curva, é necessário pensar antes de agir. A resposta emocional pode desencadear outros processos igualmente emocionais por parte do interlocutor e, rapidamente, as coisas saírem de controle.”

“VONTADE DE JOGAR A TOALHA”

“Mais do que comum, é normal ter vontade de jogar a toalha diante de algo absurdo, contudo, as pessoas capazes de controlar tais impulsos tendem a ser mais bem realizadas pessoal e profissionalmente. Precisamos encontrar o equilíbrio para superar e seguir adiante.”

MATURAÇÃO

“Cada pessoa tem seu tempo de ponderação na busca do reequilíbrio. Reagir rápido demais (explodir) ou tardiamente (ficar remoendo o ocorrido) parece um tanto histérico ou obsessivo. Novamente, o importante é saber lidar bem com as situações que nos tiram da normalidade. Não há receita para isto, cada pessoa desenvolve seus próprios mecanismos, mas o fundamental é inspirar, expirar e não pirar. Precisamos aprender a ganhar tempo, esperar as coisas irem se ajeitando. O mundo tende ao equilíbrio por seus próprios meios. Precisamos, em primeiro lugar, acalmar até que tenhamos domínio sobre a razão. Assim conseguimos ponderar e ver as coisas por múltiplos ângulos.”

E SE NÃO HOUVER TEMPO?

“Se há necessidade de tomar uma decisão rápida, vale a pena fazer uma rápida análise de suas consequências. Obviamente que quando temos pouco tempo tendemos a cometer erros de julgamento ou mesmo precipitar uma reação. Contudo, quando somos obrigados a tomar uma decisão, não tomá-la é um também um problema.”

PREPARANDO A CONVERSA

“A sugestão é sempre focar no objeto do problema e nos procedimentos, nunca na pessoa e em como ela é ou faz as coisas. Pensar no problema e nas suas possíveis resoluções é sempre mais equilibrado e acaba evitando conflitos pessoais desnecessários. Conversar implica em ouvir as razões da pessoa, por mais que isto nos pareça um absurdo. Ela pode não se dar conta de que esteja fazendo algo incomum. Mas tentar mudar seu ponto de vista ou fazê-la entender o nosso pode ser uma tarefa ingrata e difícil de obter êxito. É melhor ater-se às regras e códigos de conduta para que todos vivam em harmonia.”

SAINDO DO CAMPO PESSOAL

“Ninguém tem o direito de julgar o outro, por mais que suas atitudes nos pareçam fora de perspectiva. Quando nos envolvemos emocionalmente com uma situação temos, por vezes, alterada nossa capacidade de discernimento. Não deveríamos nos dar o direito de dizer o que pensamos sem nos preocuparmos com o impacto que isto terá no outro. A regra da boa convivência deve prevalecer sempre.”

TEIMOSIA

A argumentação por si não parece saudável quando há intransigência ou uma agressividade velada ou explícita. Casos dessa natureza devem ser tratados na reunião de condomínio, dando direito à outra parte de ampla defesa e argumentação. Então todos votam de acordo com as regras do condomínio. Em última instância, para que não haja uma exposição pessoal ou um agravamento das relações, melhor é ser muito objetivo e pragmático, buscando a ajuda de um mediador ou mesmo o apoio jurídico necessário.”

 

Matéria publicada na edição - 194 de set/2014 da Revista Direcional Condomínios