Padronização é a melhor saída para o fechamento das sacadas

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Empreendimento novo e com cinco torres, o Condomínio Jardins de Tamboré, localizado em Santana de Parnaíba, Grande São Paulo, enfrentou um problema bastante comum hoje. Assim que começaram a se mudar, as unidades localizadas em uma face mais suscetível a ventos fortes, e invasão da água da chuva, não tinham outra opção senão providenciar o fechamento da sacada gourmet. Por isso, os condôminos procuraram a construtora logo que receberam as chaves, em 2009. E ela analisou o cálculo estrutural da obra e constatou que o fechamento era possível, mas com ressalvas: o material não poderia ser muito pesado, uma vez que a laje foi construída sem apoio em colunas.

O caso é relatado pelo síndico atual, Paulo Eduardo Campos, eleito em abril de 2012. Segundo ele, a própria construtora tratou de fazer os estudos e propor um padrão técnico de fechamento. Optou-se pelo vidro laminado transparente com 10 milímetros de espessura, correndo sobre trilhos brancos, e abertura lateral. Convocou-se a assembleia dos moradores e ficou estabelecido que os apartamentos que queiram fechar a varanda têm que seguir esse perfil, além de arcar com os custos, estimados, segundo Paulo Eduardo, entre R$ 7 mil e R$ 9,5 mil.

O síndico afirma que a mudança foi aprovada por maioria simples. “O fechamento não é obrigatório; eu mesmo prefiro a minha varanda aberta”, comenta. De qualquer forma, quem decidir fechar, terá que seguir o padrão. E além do envidraçamento, o condômino, também sob determinação da mesma assembleia, terá que adequar a cortina a ser usada nas sacadas aos modelos aprovados.

SEGURANÇA

O que está em jogo é a segurança da edificação, e de seus moradores, bem como a preservação da fachada, fundamental para a valorização dos imóveis. De acordo com o engenheiro civil Celso Couto Júnior, professor da Fatec (Faculdade de Tecnologia de São Paulo), é indispensável que um técnico habilitado analise se a estrutura do prédio comporta um novo peso no fechamento das sacadas. Nem todos “calculistas de estruturas” dimensionam as varandas para suportar um peso extra, como o do vidro no peitoril, observa Celso Couto. O engenheiro alerta que se não houver aí reforço da estrutura, com o tempo poderão surgir problemas como fissuras, trincas e deformações. Morador de um apartamento com sacada, no bairro da Aclimação, em São Paulo, Celso comentou que a convenção de seu condomínio já tratou de proibir qualquer mudança nessa área.

VEJA O QUE DIZ A LEI
Para o advogado Cristiano De Souza Oliveira, um condômino não pode fechar uma varanda como bem entender. Ele defende ainda quórum unânime para definição de um padrão pelo condomínio. Confira a reportagem com o especialista 

Matéria publicada na edição - 185 de nov/2013 da Revista Direcional Condomínios