Direcional Informa: Segurança - Guarita

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No cockpit do prédio, comando e estrutura invioláveis 

Com um investimento em torno de R$ 70 mil, aplicado gradualmente nos últimos dois anos e meio, o Condomínio Mirante do Parque, localizado em Perdizes, zona oeste de São Paulo, conseguiu finalmente colocar  sua portaria dentro do padrão que os especialistas em segurança definem como inviolável. “A concepção da guarita mudou. Blindamos vidros e portas, implantamos eclusa no acesso de pedestres e automóveis, fechamos a janela, e instalamos ar condicionado, passa objeto e interfone para a comunicação com os moradores. Temos um novo circuito de CFTV , digital, que funciona junto com o anterior, analógico. E treinamos o porteiro, para que ninguém acesse o local nem entre no prédio sem prévia autorização”, descreve o síndico e advogado José Augusto de Moraes, em seu terceiro mandato no condomínio.

Tamanho investimento pretende repelir a ação dos ladrões, pois a portaria, além de atender e recepcionar as pessoas, assumiu a função de monitorar a segurança interna e externa dos prédios, justifica o consultor em segurança Florival Ribeiro. Mas boa parte dos prédios “está inadequada para o exercício destas atividades”, ressalva.

Para o especialista Nilton Migdal, “a guarita é o cockpit do prédio”. “O porteiro tem sua direção e não se consegue fazer um arrastão sem rendê-lo.” Por isso a ideia de projetar uma “célula segura”, combinando estrutura física, como a blindagem total (com alvenaria) ou parcial (vidros, portas e venezianas), com procedimentos rigorosos em termos de acesso. Nesse sentido, a comunicação direta com os prestadores de serviços, entregadores de encomendas ou moradores ficaria completamente vetada, recorrendo-se aí aos interfones e aos passa objetos.

No condomínio Mirante do Parque a segurança da portaria ganhou um ingrediente a mais: cada morador pode acessar, via internet, todo o movimento que acontece no seu interior, por meio da transmissão das imagens captadas pelas câmeras. Nilton Migdal sugere também que os edifícios instalem alarmes nos andares, para alertar os moradores em situações de risco. “Se o bandido perceber que não consegue render nem o porteiro, nem o prédio todo, ele não faz o arrastão”, comenta.

Um bom aparato de comunicação envolve todo o sistema de segurança (interno e externo), como alarmes, CFTV , controle de acesso dos portões (pedestres e garagem), portas de acesso ao prédio (hall social e serviço), mais o controle da iluminação e dos elevadores, enumera Ribeiro. Nesse sentido, a localização da portaria é estratégica. “Ela deve estar o mais próxima possível da calçada, pois recepciona pessoas e recebe mercadorias”, observa Ribeiro. “Seu projeto arquitetônico deve garantir ampla visão das regiões externas (frente e lateral direita e esquerda).” O consultor desaconselha o uso de películas escuras nos vidros, justamente por dificultar a visão do porteiro, um erro muito comum nos prédios em São Paulo.

Recomenda-se também a blindagem, em um padrão que seja resistente a disparos de arma de fogo até o calibre 44, sugere Ribeiro. As empresas do segmento devem operar sob licença concedida pelo Exército brasileiro, nas atividades de fabricação, armazenamento, comercialização e transporte do material, que é considerado bélico e regido pelo Decreto nº 3.665\2000 e pelo regulamento R – 105. Elas também dependem de alvará da Polícia Civil e precisam atender aos requisitos da NBR 15000/2005, estabelecidas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).

Outro ponto importante é o perfil do funcionário, que deve conciliar a rigidez da segurança com a polidez no trato com as pessoas. Finalmente, é preciso garantir boas condições de trabalho, com banheiro privativo, bebedouro e, claro, ar condicionado. 

Matéria publicada na Edição 141 de novembro de 2009 da Revista Direcional Condomínios.