CFTV, tags, controle de acesso, eclusas, treinamento e regras: saiba implantar um programa de segurança

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Ação do porteiro, ponto central de um sistema eficaz de segurança

Mão de obra qualificada, equipamentos instalados em pontos estratégicos e corretamente monitorados, regras de acesso ao condomínio a serem atendidas por todos: moradores, funcionários, visitantes e prestadores de serviços.  Aqui está, em síntese, um cardápio básico de um sistema minimamente preventivo de segurança, conforme expõe a seguir o colunista Luís Renato Mendonça Davini, delegado do Grupo de Operações Especiais da Polícia Civil.

“A ação do porteiro deve ter TOTAL APOIO dos moradores”

Novo modus operandi do crime contra os condomínios

“De acordo com nosso acompanhamento, o número de casos registrados como ‘arrastões em condomínio’ diminuiu em relação ao ano passado. Por sua vez, em relação às ações que bandidos direcionam contra os porteiros, podemos acrescer que a principal está voltada no sentido de enganá-los, quando do controle de acesso ao condomínio, para prática de furtos pontuais.”

Informações privilegiadas
“Os bandidos cada vez mais agem com precisão e utilizando de informações privilegiadas. Recordo-me do caso em que a empregada deparou-se com um cofre de parede fechado no apartamento e, achando que ali tivesse grande quantia guardada, acabou passando a informação para o seu ‘amante’ e, assim o mesmo invadiu o prédio, mas dentro do cofre não havia nada de valor, apenas alguns documentos pessoais. Assim, fica a dica: caso tenham cofre em casa, abram-no e deixem a ‘empregada’ limpá-lo por dentro, assim termina a curiosidade. Caso tenham algo de valor, retirem quando a empregada não estiver em casa e, depois que a mesma tiver limpado por dentro, recoloquem os valores, trancando-o em segurança.”

Principal investimento em segurança
“Inicialmente devemos realizar um DIAGNÓSTICO do sistema de segurança para verificar as prioridades de investimento em equipamentos. E determinar o custo e orçamento. Nesta linha, seguimos:
- Sempre começar pelos muros, portões, janelas e eliminar agentes facilitadores como galhos e falhas no muro que sirvam de calço ou base para escalada;
- Promover o treinamento operacional dos funcionários, buscando afiná-los com os recursos que o condomínio dispõe, devendo ainda, observar a existência de um plano de pronta–reposta para uma situação emergencial;
- Na área de segurança eletrônica, atualizar o CFTV, investindo em câmeras e armazenamento de imagens.”

Regularidade do treinamento em segurança
“O treinamento deve ocorrer de forma semestral no mínimo, por profissionais extremamente qualificados. Deve ainda ser anotado o índice de aproveitamento e a evolução do sistema de segurança, bem como as carências da equipe de funcionários, para que, no próximo treinamento, esta questão seja abordada e resolvida.”

Orientação aos moradores
“O treinamento com dos moradores deve seguir logo após o dos funcionários, para que possamos assim ter moradores e funcionários no mesmo nível de entendimento, colaboração e ação do sistema de segurança.”

Locais estratégicos de instalação do CFTV
“São eles: os pontos de acesso (portaria), entrada social e de serviço de pessoas; acesso e saída de veículos da garagem; entrada nos elevadores e hall social, elevadores, hall dos andares e caixa de escadas dos andares.”

Uso e armazenamento das imagens gravadas pelo CFTV
“Defendemos que as imagens sejam gravadas de forma remota por uma empresa capacitada. É uma medida necessária diante de duas situações correntes: dos inúmeros casos em que os condomínios, mesmo após grande investimento em câmeras, acabaram ficando sem nada, pois os marginais danificaram ou subtraíram a CPU e o DVR com as imagens; e do risco iminente de ter as imagens arquivadas no próprio condomínio subtraídas pelos marginais. Eles não devem ter acesso às imagens, as quais poderão servir de grande ferramenta com identificação da autoria delitiva. O sistema de gravação remota deve ser atualizado e o condomínio não deve economizar num requisito de extrema importância.”

Eclusas: indispensáveis
“Elas são indispensáveis desde que observadas regras básicas, como:
- Passar apenas uma pessoa por vez. O segundo portão deve abrir somente quando o primeiro já tiver sido fechado. O porteiro NUNCA deve abrir o segundo portão se houver duas pessoas na eclusa, devendo orientar aquela que chegou em segundo a retornar e aguardar na rua, para que a pessoa que chegou primeiro e se encontra na eclusa possa entrar no condomínio;
- A ação do porteiro deve ter TOTAL APOIO dos moradores;
- Quanto aos veículos, deve ser dada preferência para aquele que estiver entrando, para que se acesse apenas um veículo por vez.”

Do controle de acesso à garagem
“O acesso às garagens deve seguir o estipulado em assembleia com os moradores. Quando temos uma eclusa de veículos, o controle do portão da rua fica com o morador, sendo que o segundo portão será acionado pelo porteiro quando o primeiro estiver fechado. Salienta-se que a preferência de acesso ao condomínio sempre será para aquele que estiver chegando da rua, salvo se for estipulado o contrário pelos moradores.
Quanto aos TAGS DE IDENTIFICAÇÃO, torna-se uma ferramenta muito importante pela simplicidade operacional que ao final oferece. Os são simples e eficientes, temos um exemplo do controle de acesso pelo sistema LINEAR, onde o morador e o seu veículo pode ser identificado. Mas isto somente irá funcionar com precisão quando o funcionário (porteiro e zelador) estiver treinado e os moradores respeitarem todo o procedimento.”

Luís Renato Mendonça Davini – Consultor de segurança para os condomínios e delegado do Grupo de Operações Especiais da Polícia de São Paulo. Mais informações: www.asertec.com.br; O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

 

“O ideal é que tudo que envolva segurança seja feita de forma preventiva”

“Neste ano mudou o modus operandi dos bandidos; eles têm invadido os prédios através de falhas de procedimentos de portaria, enganando ou ludibriando os porteiros. Os ladrões têm utilizado também informações de operadores de TV a cabo e internet para entrar nos condomínios, passando-se por prestadores de serviço.  

Informações privilegiadas
“Normalmente eles têm informações mais detalhadas sobre a(s) vítima(s), e até sua rotina, como se está ou não no apartamento, os objetos de valores que possui etc. Tem crescido o alvo em pessoas de origem oriental, que acabam sendo as maiores  vítimas desses assaltos.”

Principal investimento em segurança
“De forma geral é preciso investir na segurança física do condomínio, na qualificação dos colaboradores e na conscientização dos moradores. Temos observado grande fragilidade na conduta dos funcionários, por isso, é imprescindível treiná-los.”

Regularidade do treinamento em segurança
“O ideal é que seja constante e que não passe de seis meses de intervalo entre um e outro.”

Orientação aos moradores
“A conscientização dos moradores é essencial para a segurança do condomínio, portanto, é importante marcar uma palestra aos condôminos, próxima a uma assembleia, em que vai se tratar sobre procedimentos ou mesmo alguma alteração específica na segurança. Ou, em última instância, quando houver algum evento que tenha causado polêmica sobre a proteção condominial. O ideal é que tudo que envolva segurança seja feita de forma preventiva, evitando-se somente tomar providência após algum sinistro.”

Equipamentos mínimos de segurança
“Hoje as câmeras de CFTV são uma realidade nos condomínios e devem ser instaladas prioritariamente nas áreas de movimentação obrigatória, nos pontos sensíveis e vulneráveis do prédio, a fim de que se tenha controle e monitoramento destes locais.”

Uso e armazenamento das imagens gravadas pelo CFTV
“Atualmente os sistemas de CFTV são bem modernos e de alta tecnologia e as gravações são de alta resolução. No entanto, é importante que sejam usados gravadores digitais tipo DVR stand alone [que dispensam o uso de computador ou software], para maior segurança e precisão na operacionalização do sistema.”

Eclusas: indispensáveis
“As eclusas ou clausuras são um conceito bastante utilizado hoje nas entradas dos condomínios. Porém, somente terão sua efetividade e eficiência na segurança se forem operadas de forma que se abra o 2º portão após o 1º estar fechado. Para que isto realmente se concretize, é importante que nos portões das eclusas sejam instalados sensores de intertravamento.”

Do controle de acesso à garagem
“Tudo depende da peculiaridade de cada prédio. No entanto, o que se costuma fazer é, quando tiver eclusa, utilizar-se o sistema misto de abertura, onde o morador abre um portão e o porteiro o outro, a fim de que ambos estejam comprometidos em seu controle. Os tags são uma opção mais moderna, automatizada e utilizada em portarias de alto fluxo de veículos e, nestes casos, vêm a ser boa solução no controle de acesso às garagens.”

José Elias de Godoy - Oficial da PMESP, consultor de segurança em condomínios e autor dos livros "Manual de Segurança em Condomínios" e “Técnicas de Segurança em Condomínios”. Mais informações: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. .

São Paulo, 4 de agosto de 2014