Quinta, 27 Março 2014 20:31

Invasões nos condomínios: nem sempre a culpa é do porteiro!

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O porteiro sabe que é a peça mais importante no sistema de segurança condominial, mas também sabe que é a mais frágil, ou seja, precisa se submeter a uma série de desejos e vontades pessoais de moradores, sob o risco de ser descartado antes de atingir seus objetivos profissionais.

Como exemplo, cito abaixo algumas situações em que o interesse pessoal de moradores se sobressai em relação ao desejo coletivo de segurança condominial:

  1. Ausência de lista de convidados para os eventos nos salões de festas: recordo-me de uma festa a fantasia em um condomínio, cujo anfitrião, à revelia do que preconizam os manuais de segurança, autorizou que todos os que estivessem fantasiados entrassem no empreendimento sem prévia identificação e comunicação. Pois bem, dois marginais adentraram fantasiados e furtaram uma residência. Depois de conhecido o furto, a administração condominial procurou pelo porteiro para saber os nomes de todos que adentraram ao local, mas nada havia sido anotado, por ordem do morador.
  2.  Liberação de visitantes sem identificação: esta é outra prática comum, principalmente com familiares. O morador autoriza que todos os seus familiares entrem sem ser identificados e anunciados, para não constrangê-los. Vemos dois erros aqui: o primeiro é que este visitante poderá infringir alguma norma interna (na área comum) e não poderemos identificar a unidade responsável por ele; segundo, o visitante pode ter brigado com o morador (apesar de serem parentes) e estar indo ao prédio para tirar satisfação, o que poderá resultar no cometimento de um crime.
  3. Esquecer-se de comunicar a visita de prestadores de serviço: também é um fato muito comum. Após se esquecer de comunicar por escrito a referida visita, o morador liga para a portaria e exige a liberação do prestador, mesmo sem o porteiro saber se realmente é o morador quem está falando do outro lado da linha, ou em que situação se encontra. O morador pode estar sendo obrigado a fazer aquela ligação telefônica.
  4. Valores deixados na portaria: muitos moradores deixam dinheiro na portaria para que o funcionário entregue a alguém. A maioria dos condomínios tem evitado esta prática, pois a possibilidade de desvios é grande. Há um ditado sábio que diz que “a ocasião faz o ladrão”, logo, “é melhor prevenir do que remediar”.
  5. Identificação de moradores: ninguém gosta de ser barrado ao entrar em sua própria casa (no caso, o condomínio). Mas muitas vezes o porteiro é novo e precisa identificar a todos, até que os moradores sejam conhecidos por ele. O morador deveria ficar feliz com isso, pois está adentrando num lugar seguro. Todavia ele esbraveja, fala palavrão, diz ao porteiro que é ele quem paga seu salário, que acabou de sair e já está sendo barrado para entrar etc., etc. Toda esta situação desestimula o porteiro a “fazer o certo”, de modo que na segunda ou terceira vez que for tratado de maneira mal educada, certamente não barrará mais ninguém, contribuindo para a ineficácia da segurança condominial.
  6. Recebimentos de encomendas: boa parte dos condomínios não permite que entregadores de pizza, fast food, flores, etc. acessem a área comum. Nestes casos cabe ao morador dirigir-se até a portaria, a fim de retirar a encomenda. Apesar do objetivo nobre da regra (evitar a circulação de estranhos no condomínio), muitos moradores assediam os porteiros e rondas para que recebam destes funcionários a encomenda e entreguem em mãos aos moradores. Conhecemos muitos casos de porteiros que abandonaram a portaria para atender ao desejo do morador, contribuindo assim pela mais absurda ausência de segurança no condomínio.

Como vimos, há estas e muitas outras situações em que os próprios moradores contribuem para a falta de segurança condominial. Não quero tirar a responsabilidade dos porteiros, controladores de acesso, rondistas e vigias. Ao contrário, quero enfatizar que os moradores também fazem parte do sistema de segurança e acabam contribuindo positiva ou negativamente para a eficiência e eficácia do sistema. Pense nisso!!!!!!!!!!

São Paulo, 27 de março de 2014

Roberto Flores Freitas

Oficial da Reserva da Polícia Militar do Estado de São Paulo; Sócio-proprietário do Grupo Alpha Serviços, desde 1999; Bacharel em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública pela Academia de Polícia Militar do Barro Branco (1994-1997).
Mais informações: roberto@alphaprotecao.com.br