Áreas de vulnerabilidade nas edificações “propiciam invasões”, diz Ten. Cel. e consultor José Elias de Godoy

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Em sua palestra no Encontro dos Síndicos realizado pela Direcional Condomínios, no último dia 5 de outubro em São Paulo, o consultor em segurança José Elias de Godoy voltou a defender que os síndicos e condôminos pensem de forma integrada a proteção das edificações.

José Elias de Godoy: Sistema de segurança deve “garantir, simultaneamente, a estrutura física, o treinamento do funcionário e a conscientização dos moradores, que é a parte mais difícil”

“É preciso monitorar preventivamente todas as áreas de vulnerabilidade:

(1) Perímetro;

(2) portões e acessos;

(3) portas dos halls (social e serviços);

(4) elevadores e escadas; e, por fim,

(5) as unidades”, disse.

Os síndicos respondem pelos quatro primeiros “anéis de segurança”, enquanto os moradores pelo último, arrematou. José Elias é um dos principais especialistas no assunto do País, Tenente-Coronel da Reserva da PM de São Paulo, autor de livros na área, e instrutor há mais de 20 anos de cursos de formação. O consultor já atendeu a 1.600 condomínios e treinou 17 mil colaboradores neste período.

Segundo ele, cada setor ou “anel” do prédio exige uma ação estratégica dentro do que considera como o “triângulo da segurança no condomínio”. Ou seja, três pilares têm que ser trabalhados simultaneamente. “O bandido gosta de penumbra e de agir pelo efeito surpresa. Assim devemos garantir: (A) A estrutura física; (B) o treinamento do funcionário; e, (C) a conscientização dos moradores, que é a parte mais difícil, pois sua ação negativa atrapalha o procedimento do colaborador.” Em termos de estrutura física, o especialista destacou que isso inclui desde adequação e reforço na iluminação, especialmente a perimetral, aos equipamentos (câmeras, cercas, sensores, alarmes etc.), estrutura física (enclausuramento, passa objetos na guarita, entre outros) e sistema de comunicação (central atualizada de interfones e rádios, principalmente).

Por outro lado, em relação aos funcionários, destacou que “um porteiro não tem condições de monitorar câmeras e fazer controle de acesso simultaneamente”, sugerindo aos gestores que providenciem uma central de monitoramento à parte ou contratem o serviço junto a um prestador de serviço. E, no acesso dos veículos, que haja um plano de redundância, através do qual, num primeiro momento, o funcionário identifique e libere o portão externo, para, em seguida, na abertura do segundo, o próprio morador fazê-lo por meio da biometria. Quanto às unidades, o consultor alertou que 60% em média dos moradores não trancam as portas de seus apartamentos, facilitando o delito caso o bandido tenha conseguido furar os quatro “anéis de segurança” anteriores.

“VAGA DE PÂNICO”

Outra dica básica, mas ainda assim ignorada por muitos condomínios, foi dada sobre a chamada “vaga de pânico”, um espaço deixado permanentemente vazio para que o morador estacione seu veículo caso se encontre rendido por bandidos. Esta deve ser a mais discreta possível, alertou José Elias. “Ela nunca pode estar ao lado dos elevadores e precisa dispor de sensores para alarme e de câmera, de forma que o porteiro a visualize e saiba o que está acontecendo”, orientou o consultor.

José Elias de Godoy falou ainda sobre portaria virtual e repassou demais orientações importantes aos síndicos presentes no evento:

- Abordar o tema da segurança e definir modelo de prevenção no âmbito da assembleia de condôminos;

- Empregar o sistema de comunicação do prédio para dar orientações constantes e sistemáticas aos moradores quanto aos procedimentos corretos de acesso ao condomínio;

- Estar alerta e fazer parte do processo de seleção e contratação dos funcionários;

- Definir claramente as responsabilidades de cada colaborador e garantir seu treinamento periódico (a cada dois ou três meses); e,

- Fazer a integração do condomínio com a comunidade, a exemplo do Programa Vizinhança Solidária;

Segundo José Elias de Godoy, “tudo é prevenção, quando esta falha, aí vem só dor de cabeça!”.


Matéria publicada na edição - 229 - novembro-dezembro/2017 da Revista Direcional Condomínios

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