Condomínios reforçam sistemas de proteção com parcerias na vizinhança

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Condomínios em São Paulo, Capital, estão se articulando para reforçar o sistema de segurança em sua área externa, ao integrar a comunicação com os demais prédios, trocar informações sobre tentativas ou ocorrências de invasão, orientar funcionários e moradores, além de prevenir novas ações dos bandidos.

Síndica Rose Arb contratou, juntamente com dois gestores vizinhos, monitoramento externo integrando a comunicação entre os prédios

A maior parte desses programas comunitários vem acontecendo sob a iniciativa e apoio da Polícia Militar do Estado (no Programa Vizinhança Solidária), mas existem outros tipos de articulações entre síndicos voltadas a um apoio mútuo. É o caso da gestora Rose Marie Clemente Arb, que mobilizou colegas para contratar o suporte de empresa especializada com vistas a monitorar seu quarteirão na Alameda Jaú, no Jardim Paulista, região da Av. Paulista.

Síndica do Edifício Jaú, Rose Arb sentiu necessidade de reforçar a segurança do prédio de 73 unidades quando uma moradora foi assaltada na esquina do condomínio, por volta das 20h, há cerca de seis meses. No cargo desde 2015, Rose havia percebido maior vulnerabilidade do residencial depois que um vizinho importante (o Tribunal de Alçada de São Paulo) se mudara do edifício comercial limítrofe, levando embora todo um aparato de segurança. Desde então, ela vinha procurando reforçar a proteção com novas câmeras (hoje são 18) e parcerias. Acabou optando, juntamente com dois síndicos vizinhos, por fazer um contrato único com empresa de monitoramento externo, integrando rádios comunicadores.

“Estes são destinados aos porteiros, durante 24 horas, para que em qualquer situação ou suspeita no perímetro, se comunicam entre si e, caso estejam impossibilitados de pedir auxílio policial, o porteiro vizinho faça o acionamento”, descreve Rose Arb. A cada 30 minutos a empresa faz checagem com os funcionários e periodicamente oferece treinamento, completa. Ela pretende manter os investimentos na segurança, protegendo mais o perímetro. “Se não fizer nada, fica difícil. O importante é passar maior sensação de segurança aos condôminos, além de agregar treinamento e acompanhamento”, diz.

ITAIM BIBI, PIONEIRISMO

Luzia Maziero Fernandes, presidente do Conseg do Itaim Bibi e coordenadora de um dos bolsões do Programa Vizinhança Solidária: Modelo para outros bairros

Coordenadora de um dos bolsões do Vizinhança Solidária no Itaim Bibi desde 2013, Luzia Maziero Fernandes se envolveu com o programa no começo de sua implantação na região. A experiência tem se replicado por vários bairros de São Paulo, seja sob a guarda da Polícia Militar ou, ainda, outros formatos que contam com o suporte de empresas privadas, a constituição de redes de comunicação via aplicativos de celular, entre outros. O fundamental é que haja um canal de comunicação direto entre os condomínios e entre estes e a polícia local. Na troca de informações, eles acabam se conhecendo, articulando e auxiliando mutuamente, evitando tentativas de invasão.

No Itaim Bibi, a história começou em 2009, com o apoio imediato da 2ª Cia do 23º BPM (Batalhão da Polícia Militar). A experiência cresceu tanto que acabou sendo desdobrada em diversos bolsões pelo bairro, agregando hoje 140 condomínios. Luzia Maziero era síndica na época e agora coordena um bolsão com 30 edifícios. Preside ainda o Conseg do bairro. Ela diz que o grupo se reúne todo mês e que os funcionários são treinados duas vezes por ano pelos policiais da 2ª Cia.

Mesmo assim, o bolsão decidiu reforçar os procedimentos das equipes através de palestras com o consultor e delegado Luís Renato Mendonça Davini. No mês de setembro passado, houve três treinamentos, reunindo 103 dos 170 funcionários dos 30 prédios. Segundo Luzia Maziero, todos devem ser frequentemente atualizados, pois houve uma invasão recente no bairro, que aconteceu no vácuo da entrada de um morador pelo acesso de pedestres. “Cuidar dessa parte é a principal orientação que Luís Renato Davini tem nos dado”, observa Luzia.

Segundo ela, a maioria dos condomínios se preparou para ingressar no programa, promovendo “mudanças estruturais”, como a instalação de eclusas nos acessos dos pedestres e veículos, de equipamentos nas portarias, “bom sistema de câmeras” e cerca elétrica. “Isso é o básico. Há prédios bem mais equipados, inclusive com serviços de segurança terceirizados”, completa. O que precisa agora é obter maior colaboração dos moradores, aponta. “Nosso grupo já tem procedimentos para os funcionários. Algumas dicas para os moradores são dadas esporadicamente, com os fatos que vão acontecendo. Mas é muito difícil educá-los. Gostaríamos que todos fossem treinados e cooperassem com os funcionários”, destaca Luzia.


Matéria publicada na edição - 229 - novembro-dezembro/2017 da Revista Direcional Condomínios

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