Transição do sistema de controle de acesso no condomínio deve ser criterioso

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“Quando o síndico começa a entender como funciona a portaria virtual, percebe que terá que enfrentar uma série de barreiras. Mas, conforme as pessoas vão entendendo a operação, veem que o sistema pode operar até melhor.” (Sérgio Meira de Castro Neto)

Caso optem efetivamente pela instalação de portaria virtual ou pela automação, gestores e condôminos deverão garantir uma transição cuidadosa ao processo, afirma o diretor de Condomínios do Secovi-SP, Sérgio Meira de Castro Neto, que promoveu palestras sobre o assunto em agosto passado. “Independentemente do padrão do prédio, as receitas estagnaram ou caíram, as despesas aumentaram, nesse contexto, o produto portaria virtual se encaixa como uma luva na necessidade atual dos condomínios”, justifica.

É preciso, no entanto, uma transição criteriosa, alerta. “Quando o síndico começa a entender como funciona a portaria virtual, percebe que terá que enfrentar uma série de barreiras”: Custo da rescisão dos funcionários; investimentos altos em equipamentos, introduzindo-se, por exemplo, biometria, além de barreiras eletrônicas e iluminação adequada para proteção perimetral; e “quebrar” a resistência dos hábitos, de condôminos “acostumados com a presença 24h do porteiro, o que passa sensação de segurança”.

“Mas, conforme as pessoas vão entendendo a operação, veem que o sistema pode operar até melhor”, arremata Sérgio Meira. E justifica: Nesse modelo, há “vários procedimentos a serem cumpridos e a triagem à distância costuma ser mais rigorosa, protocolar”.

Para assegurar a eficácia do sistema, compete ao condomínio e aos seus gestores, na transição:

- Aprovar em assembleia de condôminos a implantação da nova portaria;

- Analisar a natureza do contrato com o prestador de serviços: Alguns deles fornecem os equipamentos mediante leasing. Observar ainda quantos condomínios o porteiro remoto irá atender simultaneamente e qual o tempo de resposta ele dará a um chamado do visitante, ou como a empresa dará assistência a alguma quebra de equipamento;

- Providenciar suportes como nobreak, gerador e redundância do sinal da internet (contratos com pelo menos dois provedores);

- Na operação, certificar-se que os equipamentos estejam instalados e funcionando;

- Manter o zelador, que se encarregará de receber encomendas e dar o suporte necessário mediante quebras (do motor do portão da garagem, por exemplo), entre outras ocorrências. “Ele terá uma função primordial nesse sistema, será o coringa do prédio”;

- Atualizar cadastro de moradores e prestadores de serviços;

- Garantir a manutenção constante.

Sérgio Meira acredita que o modelo possa operar bem em condomínios com até 60 unidades. “As mudanças estão muito rápidas e com a experiência concreta, do dia a dia, as empresas irão melhorar esse tipo de serviço, quebrando paradigmas, inclusive esse” (do perfil de condomínio que comporta a portaria virtual).

O consultor da área de riscos nas edificações, Carlos Alberto dos Santos, lembra que os prédios deverão instalar alarme de incêndio na portaria física do prédio em caso de automação ou controle virtual, de forma que o zelador ou o funcionário à distância possam dar o alerta mediante alguma ocorrência. O condomínio Siena Tower recebeu um Comunique-se dos Bombeiros durante a renovação do AVCB, justamente para que providenciasse o alarme de incêndio.

Matéria publicada na edição - 227 de setembro/2017 da Revista Direcional Condomínios

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