Novos desafios ao controle de acesso: Portaria física, Virtual & Automação

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Pressionados pela violência nas cidades e pelo aumento dos custos, com pouca margem para reajustar a taxa condominial, os gestores estão procurando otimizar o controle de acesso dos prédios.

José Elias de Godoy, consultor e síndico: Modelo de controle de acesso depende do perfil do condomínio e do suporte que fará com que seus moradores sintam-se mais seguros

Em São Paulo predomina hoje a presença física do porteiro e/ou vigilantes (diretos ou terceirizados), mas a busca por alternativas (portaria virtual ou automação) ganha terreno a cada ano.

O síndico profissional Paulo Mujano implantou em março de 2016 uma solução mista no residencial em que mora, na região da Av. Paulista, na Capital. No condomínio de 20 unidades, entre 8h e 20h, de segunda a sábado, funciona a portaria física (convencional). No período restante (noturno), aos domingos e feriados, a automação (sem atendimento remoto). “No começo, houve certa resistência, por uma questão de hábito. Mas os moradores se adaptaram rapidamente e, depois disso, não tivemos problemas”, relata Paulo. Segundo ele, a “conscientização” representa condição essencial para que esses formatos deem certo. “As pessoas precisam entender que a segurança em condomínio depende de todos.”

Para o consultor em segurança José Elias de Godoy, que atua como síndico orgânico no prédio em que mora, na zona Leste de São Paulo, o modelo de controle de acesso a ser adotado por um condomínio “depende muito do perfil de seu público”. No empreendimento em que mora, com ampla área de lazer, duas torres e 76 unidades, funciona o que seria um modelo quase completo. Do ponto de vista dos equipamentos, o sistema de CFTV cobre todo perímetro, que se encontra protegido ainda por cerca elétrica em alguns pontos, em outros por sensor infravermelho ativo (“barreira virtual”). Alarmes disparam o alerta contra qualquer invasão. O fechamento dos portões da eclusa do acesso dos pedestres é eletromagnético com intertravamento. Há duas portarias com presença física do funcionário: Pedestres e garagem. E o aparato se completa com biometria, tags (chaveiros), gerador, nobreak, holofotes voltados para a calçada e vigilante externo. O condomínio possui 13 funcionários. O próprio consultor treina a equipe local, periodicamente.

José Elias afirma que toda essa estrutura atende à demanda dos condôminos, que preferem arcar com o custo do sistema a se sentirem minimamente vulneráveis. “A portaria física ainda dá maior sensação de segurança, mas isso é falho, porque 90% das ocorrências se dão por aí”, pondera. De outro modo, todo sistema buscará se adequar a essa sensação de segurança visada pelos moradores, que está no “campo subjetivo das pessoas”. A isso se alia um aparato efetivo de equipamentos e procedimentos, “um campo objetivo que visa à minimização dos riscos”, explica o consultor.

Todo condomínio que vier a discutir alternativas ao controle de acesso deverá manter ativada essa sensação de segurança junto aos moradores, indica José Elias. Entretanto, ele observa que podem ocorrer exageros no “enclausuramento” do prédio se o temor de invasão estiver muito acentuado. O consultor acredita, inclusive, que prédios com até 40 unidades, que tenham optado pela portaria virtual, se encontrem hoje menos vulneráveis, “desde que o serviço venha atendendo a todo um protocolo”.

MUDANÇA DEU CERTO

Síndica Rosana Nichio: “Mais segurança com portaria virtual”, “o funcionário não tem vínculos”

Essa tem sido justamente a experiência do Condomínio Siena Tower, situado no Alto de Santana, zona Norte da cidade. A síndica Rosana Nichio conduziu um processo criterioso de mudança da portaria física para a virtual em abril do ano passado. Com apenas 24 unidades, o condomínio sentia urgência no corte dos custos, optando desta forma pela racionalização do controle de acesso. Atualmente, trabalham no local apenas o zelador orgânico e um funcionário terceirizado de limpeza.

“Vínhamos há alguns anos observando a obsolescência dos equipamentos de segurança, ao mesmo tempo em que precisávamos diminuir custos. Instalar a portaria virtual foi uma decisão difícil, porque gostávamos da equipe de profissionais que tínhamos aqui”, afirma. Houve ainda a necessidade de muitos investimentos: Reforma da cerca elétrica; reforço no CFTV (com câmeras IP no perímetro); nova central de interfone, com comunicação direta entre moradores; iluminação com fotocélula e/ou sensor de presença; troca do motor do portão da garagem; eclusa de pedestres com biometria e intertravamento; nobreak (mesmo tendo gerador).

Foram celebrados contratos com dois provedores de internet e, o zelador, conectado à central remota em tempo real, mantido. “Ele é peça fundamental do sistema, pois recebe encomendas e correspondências.” Segundo Rosana, foi preciso também orientar os moradores. “Eles estão na linha de frente da segurança do prédio. Costumamos anotar todo procedimento equivocado para orientá-los, mostrando que isso fragiliza o sistema.”

“Hoje sinto mais segurança com a portaria virtual, pois o funcionário que atende, à distância, mantém uma relação impessoal com o morador ou visitante, ele não tem vínculos, não facilita para ninguém”, resume a síndica. Além disso, quando se completaram sete meses da implantação, os investimentos estavam amortizados, o que permitiu ao condomínio começar a contabilizar um reforço no caixa. Com os custos reduzidos, a taxa de rateio caiu significativamente e, em julho passado, a síndica registrou inadimplência zero, um marco nos 18 anos de vida do prédio. A síndica observa que o controle de acesso deverá ser aprimorado conforme a disponibilidade futura de caixa, incluindo a instalação de biometria nos elevadores.

Matéria publicada na edição - 227 de setembro/2017 da Revista Direcional Condomínios

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