Esforço para baixar consumo envolve controle no prédio e unidades

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Durante os meses em que vigorou a política de bônus nas contas da Sabesp para os condomínios que economizassem água, o síndico Daniel Andrade conseguiu uma redução de 20% no consumo do residencial Terraza De España, prédio com 108 unidades entregue em 2007 no bairro Bosque da Saúde, zona Sul de São Paulo.

Segundo ele, os resultados foram obtidos depois de intensa campanha de conscientização junto aos moradores, que mantiveram nos últimos meses o patamar de gasto da época da crise d’água. Porém, com a elevação da tarifa em maio de 2016, a conta voltou a pesar na dotação orçamentária do condomínio.

Sem condições técnicas e financeiras de promover a individualização da leitura (o prédio não dispõe de estrutura para a instalação dos hidrômetros no hall de entrada dos apartamentos), o síndico resolveu apostar em um programa de economia, revisando as instalações hidráulicas das unidades e áreas comuns. O processo foi realizado em outubro do ano passado, atingindo a 90% dos apartamentos. Ele consistiu na contratação de uma equipe externa para identificação de vazamentos (como em caixas acopladas) e instalação de redutores de fluxo de vazão nas torneiras, entre outras medidas. Já na primeira fatura posterior aos serviços, a conta baixou 13%, diz o síndico.

O investimento inicial foi zero, pois o condomínio passou a pagar pelo trabalho somente depois de apurada a primeira economia, repassando ao prestador de serviço um pequeno percentual, sistemática que será mantida até a quitação do contrato. Em outra edificação que aderiu ao programa, um edifício comercial no centro da cidade, a economia chegou a 45,10% em comparação à conta anterior e a 39,03% sobre a média dos últimos 12 meses, afirmam os responsáveis pelo serviço, os gestores Luciano Scherhaufer Salvagnin e Emerson Fregonezi.

REVISÃO DAS INSTALAÇÕES

A síndica profissional Mariza Carvalho Alves de Mello contratou o projeto para o Condomínio Uirapuru, residencial construído na década de 70 na região do Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Com 26 unidades amplas, dotadas de muitos banheiros e válvulas hydra nas descargas, o consumo d’água no Uirapuru pesa nas receitas. Luciano e Emerson encontraram na edificação um quadro de consumo muito elevado, chegando a 20 m3 por dia. A ideia é estabilizar o gasto diário em no máximo 15m3, já que conseguiram implantar o programa em 90% das unidades e também nas instalações das áreas comuns. Os serviços envolveram:

– Identificação dos vazamentos;

– Uso de sistema eletrônico para inspecionar a rede de água que liga o hidrômetro até a caixa inferior, com vistas a detectar vazamentos. A técnica é capaz de identificá-los mesmo se estiverem ocultos sob o concreto;

– Inspeção dos reservatórios inferiores e superiores do prédio, verificando possíveis perdas por infiltrações e/ou transbordamentos;

– Instalação de redutores de fluxo de água em todas as torneiras das unidades e áreas comuns, “deixando-as mais econômicas, porém confortáveis” (Os redutores são fabricados e fornecidos pelos gestores do programa);

– Ajuste da vazão e eliminação dos transbordamentos de todas as descargas acopladas e/ou válvulas tipo hydra; e,

– Apresentação de relatório final contendo indicação de problemas hidráulicos do condomínio que demandam reparos.

Por exemplo, em alguns andares do Uirapuru, foi detectada uma pressão d’água superior àquela recomendada pela norma técnica brasileira, com riscos de “rupturas nas tubulações, de intensificar vazamentos e danificar equipamentos como filtros purificadores”. A síndica Mariza Mello estuda agora soluções para o problema.

O programa de economia prossegue com um acompanhamento mensal da conta d’água e revisão do serviço a cada seis meses, enquanto houver vigência do contrato com o condomínio. Nova inspeção deverá ser feita caso a fatura da Sabesp volte a subir. De acordo com a síndica, o prédio busca formas de baixar o consumo há pelo menos oito anos, quando assumiu a gestão no local. Ela tem promovido a recuperação paulatina do sistema hidráulico do Uirapuru, com reparos finalizados nos reservatórios, hidrante, barrilete, esgoto e em uma das prumadas da rede potável (que apresentava tubulações emendadas com espessuras distintas).

Mas não só isso: “Realizamos um trabalho diário de conscientização e monitoramento, observando a variação dos hidrômetros e o comportamento dos ruídos nas tubulações”, exemplifica. Para a empreitada, ela conta com o apoio indispensável do encarregado de manutenção Renato Santana Feitosa, responsável pelo preenchimento da planilha diária do consumo. É Renato quem costuma dar o primeiro alerta às anomalias observadas diariamente.

Matéria publicada na edição - 224 de junho/2017 da Revista Direcional Condomínios

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