Estratégias de contratação de obras para as fachadas dos prédios

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A síndica Karin Cerveira, que neste mês de junho completa o segundo mandato na gestão do Condomínio Edifício Sonatta, vem contando com o apoio de uma comissão voluntária de oito moradores para definir a contratação dos serviços de manutenção da fachada.

Entregue em 2010, o prédio passará neste ano por sua primeira repintura. O grupo de condôminos foi constituído em novembro de 2016 e tem dois engenheiros. É denominado Comissão de Pintura e Restauração e chegou a ter 17 propostas em estudo, mas, com dificuldades para tirar uma conclusão, decidiu buscar o auxílio de um engenheiro consultor.

“As propostas vieram bem diferenciadas, não apenas em termos de orçamento, quanto de escopo de serviços”, afirma a síndica. O condomínio está localizado na Chácara Santo Antônio, zona Sul de São Paulo, possui unidades de 129 m2 a 200 m2 com ampla área de lazer, por isso, pretende contratar um serviço especializado, a fim de manter o padrão da edificação – o acabamento da superfície é texturizado. O consultor compatibilizou as propostas para que a Comissão pudesse analisá-las.

O cuidado é tanto que Karin Cerveira teve o apoio de uma empresa que antes desenvolveu o rastreamento da fachada, através de drones, para fazer a inspeção e identificar problemas. “Foi um serviço pioneiro, experimental, nem nos cobraram nada.” Entretanto, mesmo com o relatório prévio sobre o estado atual do revestimento e estrutura, os orçamentos colhidos chegaram incompatíveis entre si. Agora, com o apoio do consultor independente, a comissão espera fechar com o prestador que tenha expertise na recuperação do tipo de textura aplicado pela construtora nas paredes.

De acordo com o engenheiro civil Marcus Vinícius Fernandes Grossi, “fachada é sempre um item delicado, porque normalmente requer soluções de alto custo (que o condomínio nem sempre concorda em fazer), e que trazem grandes riscos aos usuários (desplacamentos de reboco, infiltração de água dentro das unidades etc.)”. Já as soluções mudam conforme o diagnóstico (Leia mais nas págs. 20 e 21).

Para a Comissão do Edifício Sonatta, é importante considerar, antes da contratação, tanto a parte estrutural quanto orçamentária e contratual, assim, orçamentos muito baixos ou elevados foram rejeitados. E o estudo da minuta do contrato está a cargo de um advogado. A obra é complexa. “Estamos com trincas de todos os tipos, na estrutura e no revestimento. Elas terão que ser tratadas, partes da textura recompostas e a fachada como um todo deverá receber um fundo reparador antes da pintura. Mas nem todas as propostas contemplavam esse escopo. Não podemos simplesmente pintar”, afirma Karen, que espera ver os serviços concluídos ainda neste ano. Os trabalhos serão custeados por um rateio extra iniciado em janeiro passado, complementados com recursos do Fundo de Reserva.

PASTILHAS

O condomínio Alvorada, um residencial construído nos anos 70 no bairro da Liberdade, centro de São Paulo, é outro que está arrecadando contribuição extra para revitalizar a fachada (revestida por pastilhas de duas cores e argamassa). Aqui, no entanto, o processo começou há dois anos, afirma a síndica Cleusa Camillo. Esta será a segunda vez que a gestora contratará os serviços. “A última foi há seis anos, mas estamos com infiltrações nas pastilhas atingindo os halls dos andares”, descreve.

Em fevereiro deste ano, Cleusa foi eleita para o sexto mandato. Além da pintura, ela já contratou e acompanhou diferentes obras, como impermeabilização de térreo e cobertura, reforma elétrica etc. No caso do Alvorada, o condomínio dispensará o diagnóstico prévio das manifestações patológicas.

Matéria publicada na edição - 224 de junho/2017 da Revista Direcional Condomínios

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