Vilma Peramezza - Conjunto Nacional

Conjunto Nacional
O gigante da Paulista

Com o trabalho da síndica Vilma Peramezza, o Conjunto Nacional renasceu das cinzas e se mantém como um marco de São Paulo e da Avenida Paulista, com iniciativas sociais e que buscam a valorização do funcionário.

Conjunto Nacional
O gigante da Paulista

O Conjunto Nacional já conheceu épocas de luxo e de decadência. O prédio, que ocupa o quarteirão entre a Avenida Paulista, Rua Augusta, Alameda Santos e Rua Padre João Manoel, viveu uma fase de glamour da sua inauguração, em 1958, ao fi nal dos anos 60. O Conjunto Nacional foi idealizado por José Tjurs, empresário da noite e magnata da hotelaria, para ser um centro comercial, residencial e hoteleiro. Tjurs foi proprietário da rede de hotéis Horsa e vislumbrou para a Avenida Paulista um futuro empresarial, quando ela ainda era o endereço residencial mais sofisticado da cidade e o comércio, bancos, cinemas, bares e restaurantes fi cavam restritos ao centro. Para conceber o projeto, Tjurs contratou o jovem e recémformado arquiteto David Libeskind, outra ousadia do empreendedor. Primeiro, foi inaugurada a lâmina horizontal,endereço da famosa Confeitaria Fasano, com suas mesas espalhadas pela calçada e, no mezanino, do Restaurante Fasano.

A lâmina vertical foi concluída em 1962, com três edifícios de 25 andares – um residencial, com apartamentos de 190 a 890 metros quadrados, e dois comerciais, um de pequenos outro de grandes escritórios, em lugar do sonhado hotel de Tjurs. No alto do edifício foi instalado o relógio luminoso com a marca da indústria automobilística Willys, substituído em 1970 pelo da Ford e, finalmente, em 1975 pelo do Banco Itaú, verdadeira referência na cidade. Em 1992 o relógio passou por uma grande reforma e passou a marcar também a temperatura. Do período áureo, o Conjunto Nacional passou a uma época negra, nos anos 70. O edifício se transformou num local perigoso, com bares de baixo nível, doleiros, agenciadoras de garotas de programas e bocas-de-ouro (locais onde os assaltantes da região vendiam jóias roubadas). O Cine Rio exibia filmes pornográficos e poucos locatários de bom nível resistiam: a Livraria Cultura, o Cine Astor, o Salão Nacional e a lanchonete Viena. A decadência culminou com o incêndio de 4 de setembro de 1978, de grandes proporções mas que só não teve vítimas porque ocorreu numa madrugada de domingo para segunda-feira.

Depois do incêndio, vieram à tona as péssimas condições de manutenção a que chegara o Conjunto Nacional.Os rumos do edifício começaram a mudar quando o grupo imobiliário Savoy comprou o que restava dos bens da Horsa no Conjunto Nacional e passou a administrar o condomínio. É nessa época que a figura da advogada Vilma Peramezza começa a se confundir com a história do Conjunto Nacional. “Eu já administrava para a Savoy mais de 200 mil metros quadrados de imóveis em prédios antigos, o que me deu muita prática em administrar visando a valorização do imóvel”, lembra Vilma, síndica desde 1984 do Conjunto Nacional e contratada como gerente geral desde 1987. Na opinião de Vilma, o excelente projeto de base do edifício permitiu a restauração do condomínio. “Recuperar o edifício foi também um desafio de gestão, com uma forma de administração mais profi ssionalizada”, afirma. Vilma enfrentou o desafio de recuperar um edifício totalmente deteriorado fisicamente e desmoralizado perante a cidade. “Ao iniciar meu trabalho, o Conjunto Nacional era um lugar feio, escuro, deteriorado e perigoso. Tinha até corredores fechados com grades, onde se abria uma pequena porta para a passagem de pessoas. O objetivo era inibir a ação dos trombadinhas dentro do edifício. Reforçamos a segurança e começamos a pegar os ladrões”, conta a síndica no livro Conjunto Nacional – A Conquista da Paulista, do jornalista Ângelo Iacocca, lançado em 1998 para comemorar os 40 anos do condomínio.

Vilma providenciou uma limpeza nas áreas comuns, repletas de espaços alugados irregularmente. “Tiramos algumas lojas, quiosques e um bar que descaracterizavam a arquitetura”, lembra. Os locatários com atividades pouco confi áveis começaram a sair do prédio. As barracas de ambulantes que davam um péssimo aspecto ao Conjunto foram retiradas. Outra batalha foi com os mendigos que dormiam à noite nas calçadas. O trabalho foi demorado e exigiu paciência, além da instalação de fl oreiras e de reforço na iluminação. Em relação à manutenção, o trabalho era imenso. Imagine 24.375 metros quadrados de áreas comuns relegadas ao descaso durante anos, e instalações hidráulicas, elétricas, de telefonia e telhado, entre outros itens, com quase 50 anos de vida. “Temos consultores de segurança, engenharia e arquitetura. Não faço nada pela minha cabeça. Aliás, não sou a síndica que dá ordens. Temos uma gestão horizontalizada, onde cada departamento tem sua estrutura”, diz.

É preciso muito profissionalismo para dar conta corretamente de um orçamento de R$ 16 milhões (valor gasto em 2005 para gerir o Conjunto Nacional). Des se total, só em manutenção foram gastos R$ 1 milhão. Outros números grandiosos do edifício são os 24 elevadores, 5 mil correspondências distribuídas por dia e 35 mil pessoas circulando no condomínio diariamente. Segundo Vilma, a mudança mais importante que ela imprimiu no Conjunto Nacional foi a valorização dos funcionários. “Investi na qualidade de vida deles, para que pudessem trabalhar adequadamente”, conta. Uma iniciativa fundamental para a revitalização do Conjunto Nacional foi a implantação da coleta seletiva de lixo no condomínio.

Na sua fase decadente, o segundo subsolo do edifício era um verdadeiro lixão. Hoje, das 5 toneladas de lixo geradas pelo condomínio por dia, 16% está sendo enviada para reciclagem. O dinheiro obtido com a venda dos recicláveis reverte em projetos sociais para os 150 funcionários do condomínio (há ainda cerca de 80 terceirizados, na manutenção e limpeza). Entre eles, está o Brincando de Aprender, que traz os filhos de funcionários para conhecer o Conjunto Nacional e as aulas de alfabetização (abertas também para a comunidade). “Em 1992, quando quase não se falava de coleta seletiva, começamos a racionalizar o armazenamento e a retirada do lixo, para preservar a integridade e a saúde do pessoal da limpeza”, lembra Vilma. Os recicláveis também são utilizados na decoração de Natal do edifício, sempre com temas nacionais criados pelo cenógrafo Silvio Galvão. A execução fica a cargo do artesão Sandro Rodrigues e da equipe da Cooperaacs (Cooperativa de Arte Alternativa e Coleta Seletiva), criada em 2004 e que assumiu a decoração do Natal Nacional.

Matéria publicada na Edição Nº 98 em março de 2006 da Revista Direcional Condomínios.


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