Vera Nogueira de Sá - Edifício Cellini

Em seu primeiro mandato, síndica define organização do orçamento como meta prioritária

Nos seis primeiros meses de gestão como síndica no Edifício Cellini, no bairro do Campo Belo, zona Sul da cidade de São Paulo, Vera Nogueira de Sá elegeu a redução de custos como o primeiro grande trabalho a ser feito em sua estreia na função. A partir de um estudo das prioridades, Vera conseguiu identificar as despesas excessivas do condomínio, pois em janeiro de 2011, quando assumiu o posto, a engenheira civil se deparou com um quadro financeiro bastante delicado. “Tive que fazer um levantamento emergencial da situação de cada despesa, de cada contrato, a fim de verificar onde poderia intervir”, lembra.

A partir daí, deu início a um processo de organização do orçamento. Fez uma lista de prioridades e constatou que havia excesso de funcionários e de horas extras. “Distribuí uma pesquisa entre os condôminos para saber a opinião deles quanto à satisfação com relação aos funcionários, à segurança e limpeza, que é terceirizada”, lembra a síndica. Então, foi possível para Vera definir quem poderia ser dispensado dos serviços no condomínio e quais despesas extras seriam inadiáveis. A limpeza da caixa d'água não acontecia há um tempo, a recarga dos extintores estava vencida, e também era necessário fazer a revisão e troca das portas corta fogo. Muito trabalho.

 “Fiz nova previsão de gastos e readequação da arrecadação. Estabeleci um cronograma de pagamentos em função das prioridades elencadas. Primeiramente, foram pagas as despesas referentes ao pessoal e, na sequência, os serviços emergenciais”, relata. No momento, essa fase emergencial já foi superada, e agora a concentração está nas manutenções corriqueiras e preventivas da vida condominial.

Ainda devem acontecer mais realizações na gestão de Vera, como a reforma no pavimento térreo. O desejo é atingir as áreas do hall social, o salão de festas e a sala de ginástica. “Um dos meus desafios é viabilizar esse desejo da maioria dos condôminos de forma criteriosa e com responsabilidade no que se refere ao dinheiro que será empregado para tal”. Segundo a síndica, a forma de atingir o melhor custo benefício é por meio de planejamento e pesquisa. Atualmente, Vera está consultando arquitetos, e os orienta para que eles apresentem propostas que agradem tanto esteticamente quanto na relação monetária. “Tenho visto alguns estudos e matérias técnicas, as quais relatam que um investimento inferior a 1% do valor dos apartamentos, com uma reforma para renovação das áreas comuns, é possível atingir uma valorização de 15 a 30% do valor atual de mercado desses imóveis”.

 A engenheira civil ainda tem outro desafio pela frente, que é o de reduzir a taxa condominial sem prejuízo na qualidade dos serviços. O Edifício Cellini possui mais de 20 anos, e não sofreu nenhuma reforma substancial nesse período. “Com investimentos relativamente baixos, no sistema de iluminação, por exemplo, podemos atingir melhor desempenho a custos menores”, afirma. Vera ainda acrescenta que existem muitas outras possibilidades de intervenção para redução de custos com pouco investimento, como o reuso de água para lavagem e rega e aquecimento solar para a piscina.

Reclamações vindas dos moradores sobre o cotidiano condominial são raras. Vera percebeu que as pessoas são mais participativas nas discussões quando percebem que as coisas estão fora do lugar. Devido a correria que todos estão, a grande maioria não se interessa por detalhes. De qualquer forma, quando surge uma queixa, Vera procura encontrar a solução rapidamente. “Entendo que o desafio de um síndico é o de um administrador competente: a constante busca pela melhor relação custo benefício no que se refere aos assuntos técnicos, mas sem perder o foco na importância das relações interpessoais”, conclui.

 

Por Rafael Lima

Sex, 01 de julho de 2011
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