Valdinei Stevanini - Virando o jogo

 

Virando o jogo

O síndico Valdinei Stevanini mudou o jogo no seu condomínio: transformou um ambiente conturbado num local bom de se viver.


Virando o jogo

Antes de se tornar síndico, Valdinei Stevanini havia colocado seu apartamento à venda. Insatisfeito com o clima de desarmonia que reinava no prédio de 60 apartamentos, Valdinei pretendia se mudar. “Crianças, condôminos, todos aqui viviam em guerra, não havia entendimento”, recorda. Valdinei, porém, resolveu enfrentar a situação e candidatou-se a síndico. “Ou eu iria comprar uma briga ou comprar amigos”, sustenta.  Seu objetivo principal, desde o início, há três anos, foi estar à disposição das pessoas. “Um condomínio é um conjunto de famílias, que no fim forma uma grande família. Todo ser humano precisa ser bem tratado. É preciso estar disposto a ouvir, sempre tendo em mente um bom resultado para a coletividade”, resume. Uma vez por mês, o síndico recebe os moradores para consultas no salão de festas. Reúne o conselho e leva a pasta de prestação de contas para dirimir qualquer dúvida. “Com isso, tirei das assembléias o item assuntos gerais. Diminuímos o tempo de duração das assembléias para uma hora e meia no máximo”, conta.

Recentemente, para minimizar os problemas de convivência com as crianças, o síndico convocou o que chama de “reunião de pais e mestres”. Na rotina do prédio, haviam queixas mais e menos graves: sujeira na piscina, brincadeiras nos elevadores e funcionários destratados eram algumas das mais comuns. “Mostrei a todos que o prédio é nosso. Os pais entenderam minha posição pois conquistei essa liberdade com os moradores. Muitos nem sabiam das atitudes dos filhos”, diz. Também com os inadimplentes o objetivo de Valdinei foi jogar claro. “Procuro saber do morador como ele pode pagar a dívida. Parcelo, desde que ele pague também o condomínio do mês”, explica. Com esse trabalho de incentivo, Valdinei não pretende inchar o caixa do condomínio, mas conseguir verbas para pequenas obras. Que, aliás, acontecem com freqüência. “Todo mês há coisa nova no prédio”, garante o síndico. A última aquisição foram dois bebedouros, um instalado próximo à guarita e outro junto à área de recreação infantil.

Quando se trata de cotar fornecedores, Valdinei também é rígido. Está pesquisando preços com 11 fornecedores de sistemas de segurança para instalar câmeras no condomínio. Quando tem dúvida sobre o que contratar, procura ajuda especializada. Foi o caso da pintura do prédio. Construído há nove anos, o edifício tinha trincas nas fachadas que causavam infiltrações nos apartamentos. O síndico procurou um engenheiro perito que analisou o caso e constatou, num laudo técnico, que a causa das trincas era o assentamento natural da construção. “Ele nos orientou sobre como contratar o serviço de pintura”, comenta. Para todas as empresas que participaram da concorrência, Valdinei entregou um CD com o laudo do perito. O síndico também chamou os moradores para ouvirem as explicações do engenheiro e criou uma comissão de obras para escolher a empresa de pintura. “Assim, todos se tornam partícipes da decisão”, acredita.

A negociação com os inadimplentes e os critérios adotados na contratação de serviços ajudou Valdinei a deixar a manutenção do prédio em dia e a realizar melhorias. O síndico conseguiu trocar o portão da garagem por um modelo de correr, instalar a eclusa de pedestres, equipar e reformar a sala de jogos, reformar o jardim dos fundos do condomínio (com árvores grandes, a área mais parecia um depósito de lixo das casas vizinhas). Além da manutenção, Valdinei também cuidou do relacionamento com os funcionários. Aliás, portaria e limpeza são terceirizadas. Só o zelador é funcionário do condomínio. Mas o síndico trata todos como funcionários e faz questão de, a cada três meses, se reunir com a equipe. “Para recebermos qualidade dos funcionários precisamos dar recursos e um bom tratamento a eles”, justifica. No final do ano, o condomínio organiza uma festa para os empregados. Uma comissão de mulheres sugere que cada morador contribua com um prato. Quem pode compra presentes para os filhos dos funcionários, que levam as famílias para a festa.

Unir os condomínios vizinhos foi outra realização de Valdinei. Os prédios estão localizados numa rua de grande trânsito, onde é proibido circular caminhões após as 22 horas. Valdinei mobilizou os síndicos vizinhos, instalou faixas no bairro e convocou todos para uma manifestação na rua. “Todos se mobilizaram e aprenderam que é preciso trabalhar juntos. Em grupo somos mais respeitados”, finaliza.


Matéria publicada na Edição Nº 114 em julho de 2007 da Revista Direcional Condomínios


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