Ana Franzini - Residencial Marajoara 3
A reconstrução de um condomínio
Com redução de custos e uma administração transparente, a síndica Ana Franzini mudou a realidade do Residencial Marajoara 3. A síndica Ana Franzini transmite entusiasmo e euforia quando conversa sobre seu trabalho à frente do Residencial Marajoara 3, um condomínio com três blocos e 10 mil metros quadrados de área. Sua história surpreende pela rapidez com que operou mudanças substanciais no condomínio.
A reconstrução de um condomínio
Ana mudou-se para o Residencial em 2003 e não tinha experiência nenhuma com condomínios. “Sempre fui contra morar em prédios justamente pelo valor da taxa condominial”, conta. Ela procurou conhecer melhor o lugar onde passou a viver e começou freqüentando as assembléias. Ana solicitava as pastas de prestação de contas e questionava por escrito as irregularidades que encontrava.
Como ninguém respondia as suas questões, ela parou de perguntar. Quase foi vencida pelo desânimo quando conheceu outra moradora e, juntas, iniciaram uma mobilização entre os condôminos. Ana pediu à administradora um resumo de operações (receitas e despesas), de 2003 a 2004, e preparou planilhas de como o condomínio era administrado e como deveria ser. Os dados foram divulgados aos moradores, que passaram a perceber os erros da administração anterior e que seria possível melhorar. “Os moradores confiaram em nós. Na assembléia de eleição, em março de 2005, houve mais de 100 presentes. Nunca, na história do Marajoara, houve tanta gente numa eleição. Consegui mais de 90 votos”, relembra.
Ana recebeu um condomínio esfacelado. A administradora queria subir o valor da taxa em 26%, mas a síndica recém eleita impediu. Prometeu na assembléia que iria pagar todas as dívidas e ainda dar desconto na taxa condominial. Uma semana antes da eleição, a dívida, segundo lhe informou a administradora, estava em torno de R$ 70 mil, mas Ana calcula que o valor era ainda maior. “Girava por volta de R$ 90 mil. Tínhamos parcelamentos com a Sabesp, pois o prédio não pagava três contas por ano, para depois parcelar. O condomínio tinha também faturas de gás e materiais de construção vencidas”, diz. “A situação era caótica. O Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros estava vencido e faltavam documentos obrigatórios, como o laudo de pára-raios e a brigada de incêndio”, completa.
Ana, então, começou do zero: rescindiu todos os contratos de prestação de serviços e partiu em busca de informações para aprender a ser síndica. Afinal, o condomínio não podia mais esperar. Muitas áreas estavam com a manutenção precária, como brinquedos do playground colocando as crianças em risco, grades enferrujadas e um muro de 75 metros de comprimento prestes a cair.
Hoje, Ana paga pelo contrato de manutenção dos elevadores 1/3 do preço anterior, economiza cerca de R$ 13 mil anuais centralizando a manutenção de portões, elétrica, bombas e sensores em uma só empresa e reduziu o custo da terceirizadora de mão-de-obra. “Cotei 13 prestadoras de serviço de mão-de-obra. Nem a mais cara chegava próximo dos R$ 51.600 gastos anteriormente. Hoje, gastamos cerca de R$ 26 mil com portaria e limpeza”, compara. Com a demissão do antigo zelador e a renegociação dos contratos, em três meses Ana quitou as dívidas do condomínio e iniciou as melhorias. Entre elas, a eliminação de vazamentos nas áreas comuns, pintura de halls, escadarias e corrimãos, colocação de 28 câmeras de CFTV com sistema digital, novos brinquedos para playground, colocação de placas de identificação e de limite de velocidade, instalação de portões novos na entrada do condomínio, nova central de portaria digital e valorização da fachada com colocação do nome do condomínio.
O novo zelador e mais dois funcionários de manutenção, todos próprios do condomínio, cuidam para manter as áreas comuns em bom estado. As obras e melhorias valorizaram o empreendimento. Ana pagou pelo seu apartamento R$ 85 mil. Hoje, as unidades estão avaliadas de R$ 150 mil a R$170 mil. E a melhor notícia: em março, Ana reduziu em 20% a taxa condominial do edifício Madeira, em 15% a do edifício Negro e em 10% a do Mamoré. E a valorização do condomínio continua: a síndica está iniciando uma grande obra de restauração da fachada e pintura dos três blocos do condomínio, que, em 12 anos de vida, nunca foram pintados.
Para a síndica, a receita para fazer uma boa gestão é simples: “Basta ter boa vontade, integridade e não ser omisso, além de entender que o dinheiro dos outros é sagrado.” Da condômina que nada entendia de condomínios, Ana se transformou em uma expert no assunto. “O mundo dos condomínios é ingrato mas fascinante. Nos faz entender que a partir de mudanças na nossa pequena comunidade podemos mudar a cidade”, finaliza.
Matéria publicada na Edição Nº 104 em setembro de 2006 da Revista Direcional Condomínios
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By autson.com










