Aldy Carvalho - Condomínio Arpoador
Desde que se mudou para o Condomínio Arpoador, há 12 anos, Aldy Carvalho procurou ser um condômino participante: comparecia às assembléias, chegou a ser suplente do conselho e se indignava com a situação do prédio. “Nunca administrei nada, não tinha experiência, mas pensava que não podia ser tão difícil ser síndico”, lembra.
Antes, ainda, de assumir o cargo, Aldy propôs ao então síndico se poderia cuidar do jardim. “Ele aprovou a iniciativa”, diz. Assim, Aldy e a esposa, Lenir, iam ao Ceagesp de madrugada e compravam mudas para o condomínio, sem exigir reembolso das despesas. “Aos poucos formos ensinando as crianças que o condomínio também é a casa delas”, acredita o casal.
Logo depois, quando o síndico desistiu de continuar no comando do condomínio, Aldy pediu apoio a alguns moradores para serem conselheiros e se apresentou na assembléia como candidato a síndico. Hoje, ele está em seu segundo mandato e mostrou que era possível mudar o condomínio. Para superar as barreiras, investiu no trabalho comunitário. A semente começou a ser plantada já com as crianças, no trabalho do jardim. Com o apoio do vizinho e amigo Yoshinori Sato, outro apaixonado por plantas como Aldy, as antigas ribanceiras com terra aparente e tampas de caixas de esgoto e de passagem quebradas deram lugar a recantos bem cuidados e floridos.Vasos comprados com o dinheiro da reciclagem do lixo e bichinhos de cerâmica aparecem aqui e ali, tornando o jardim o cartão de visitas do local.
Com três blocos e 48 apartamentos, o Condomínio Arpoador tem uma pequena receita (a taxa condominial está fixada em R$ 182,00). Mas isso não impediu Aldy de somar esforços e fazer as obras necessárias – como a reforma das casas de força (que estavam comprometidas por infiltrações), a compra de novas bombas de recalque e o investimento em ferramentas, incluindo cortador de grama, lavadora de alta pressão, pulverizador e EPIs para os funcionários.
Para baratear o conserto do esgoto, por exemplo, que entupia freqüentemente, o próprio Aldy, com ajuda de Yoshinori e dos funcionários, cavou a vala para atingir a rede hidráulica. “Chamei o encanador só para ligar os canos”, comenta. As mãos de toda a equipe também ajudaram a construir o canto do coreto e a área da churrasqueira e do forno a lenha. Lenir, por exemplo, pintou corrimões, montou o logotipo do condomínio em mosaico, texturizou paredes e compôs um painel de azulejos na pia da churrasqueira. Hoje, todos se orgulham de uma área de lazer digna de um prédio de alto padrão. Para a inauguração do espaço, Aldy organizou a Noite da Pizza, até com o patrocínio de uma pizzaria e a participação da maior parte dos moradores. Hoje, a união dos condôminos é uma das características do residencial. “Muita gente reformou seus apartamentos e não quer mais mudar daqui”, aprova.
Na área administrativa, o síndico optou por dispensar o zelador. O apartamento foi reformado e alugado, gerando uma receita de R$ 400,00 para o condomínio. Aldy também atualizou o regulamento e passou a prestar contas mensalmente através de balancete. O prédio é regido pela auto-gestão; os moradores pagam a taxa direto para o síndico, que deposita o valor na conta corrente do condomínio. “Hoje, pela primeira vez na história, temos um fundo de reserva de R$ 1 mil”, comemora Aldy, que tem procurado investir na auto-estima dos funcionários (3 porteiros, um folguista e uma faxineira). “Reformamos o vestiário, providenciamos uniforme e conta corrente em banco para eles”, enumera.
Matéria publicada na edição Nº 72 em janeiro de 2004 da Revista Direcional Condomínios.
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