Afonso Celso - Edifício Copan
No mesmo dia, ele recebe arquitetos estrangeiros, resolve problemas de manutenção e lida com brigas entre vizinhos. O dia-a-dia do síndico Affonso Celso Prazeres de Oliveira é cheio de atividades. Afinal, ele não é um síndico comum. Há 11 anos, Affonso é síndico do Condomínio Edifício Copan, um dos cartões postais mais famosos de São Paulo, localizado na Avenida Ipiranga.
O Copan também não é um prédio comum: projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, começou a ser construído em 1952. Em 1961, a parte de alvenaria e concreto armado foi terminada e iniciou-se o acabamento. O primeiro habite-se do Copan data de 1966. Hoje, nos 1160 apartamentos, com áreas úteis variando de 29 a 214 metros quadrados, moram cerca de 5 mil pessoas. Há ainda no Copan 72 lojas e 221 garagens nos subsolos, totalizando 115 mil metros quadrados construídos, o que garantiu ao edifício o título de maior conjunto de apartamentos residenciais do Brasil pelo Guiness Book.
Números tão grandiosos tornam o Copan praticamente uma cidade e, conseqüentemente, seu síndico um prefeito. “Aqui, tudo é macro. O Copan é um gigante adormecido”, compara Affonso, morador do Copan há 40 anos, desde quando era estudante de administração de empresas da Fundação Getúlio Vargas, então localizada na rua Martins Fontes. Sua experiência como administrador e também na área da construção civil lhe garante um bom “jogo de cintura” na resolução dos problemas do prédio. Afinal, são 22 mil metros quadrados de área comum para serem limpos e cuidados. O síndico dedica horário integral ao prédio – ele paga sua taxa condominial, porém recebe um pro-labore.
Os 108 funcionários - todos registrados e com seguro, faz questão de frisar o síndico -, cuidam para que o prédio fique em ordem, apesar do intenso movimento de visitantes. Entre a manutenção realizada pelos funcionários, está a da parte hidráulica: vedantes e reparos de válvulas de descarga são trocados gratuitamente para os moradores. “Esse serviço já nos rendeu uma economia de 40% na conta de água. Passamos de um milhão de litros de água por dia para 600 mil litros. E nossa meta é reduzir o consumo em ainda mais 20%”, comemora o síndico.
Além dessa manutenção gratuita, a prestação de outros serviços, pagos pelos condôminos, dá ao condomínio uma renda extra. São serviços de marcenaria, pintura, pedreiro, elétrica, hidráulica. “Nosso sistema de administração é o de autogestão e agora conseguimos adquirir uma estrutura de empresa”, compara o síndico. Também o aluguel de áreas do edifício para a gravação de comerciais costuma ser rentável para o condomínio. Recentemente, a Coca-Cola pagou R$ 10 mil para gravar um comercial no Copan. “Com esse dinheiro, compramos um computador novo, além de outros equipamentos”, conta Affonso.
Assim, a receita de cerca de R$ 300 mil mensais vem permitindo ao síndico a realização de obras importantes. Dos 20 elevadores que servem os seis blocos de apartamentos, 12 serão substituídos e já foram encomendados para a Otis. Entre as obras previstas por Affonso, estão a troca das colunas e a restauração das fachadas. O trabalho nas fachadas deve durar quatro anos. A intenção é que as pastilhas com que o prédio é revestido voltem a suas cores originais: branco e cinza. Para tornar a obra viável, o síndico está atrás de parcerias, aliás, uma palavra-chave em sua administração.
Para restaurar um jardim localizado na Praça Darcy Penteado, localizada em frente ao Copan, o condomínio fez uma parceria com a boate Love Story, também beneficiada com a melhoria. Já a instalação de uma cabine de segurança da Polícia Militar na calçada do Copan foi uma iniciativa da Ação Local Ipiranga I, da qual Affonso é o presidente, dentro do programa Viva o Centro. “Se o prédio tem interesse arquitetônico, ele vai encontrar parceiros”, atesta. E interesse pelo Copan não falta. Cerca de mil pessoas por ano visitam o terraço do edifício. A maior parte dos visitantes são estudantes e muitos arquitetos estrangeiros. Ali, do alto do 38° andar, tem-se a noção exata da grandeza do Copan, um edifício à altura de São Paulo.
Matéria publicada na edição Nº 76 em maio de 2004 da Revista Direcional Condomínios.
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