Ada Marangoni, síndica do Condomínio 28 de Agosto
Visitar o Condomínio 28 de Agosto nos remete à São Paulo da década de 50. Apartamentos amplos, com 3,50 metros de pé direito, e elevadores com portas pantográficas lembram os anos dourados. A localização do condomínio também é clássica: ele ocupa 1500 m2 de área, entre as avenidas Nove de Julho e São Gabriel e as ruas Groenlândia e Maestro Elias Lobo, no Jardim Paulista. A vista do topo do prédio é tão privilegiada que serve de Posto Avançado de Campo para a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) monitorar o trânsito.
O charme do 28 de Agosto faz parte do cenário da cidade há exatos 50 anos. Aliás, foi nesta data, em 2003, que o prédio comemorou seu cinquentenário. E, por sinal, muito bem comemorados, com faixa lembrando aos moradores o aniversário, e até uma procissão pelo condomínio. Toda essa festa foi organizada pela síndica Ada Marangoni com o máximo empenho. Afinal, Ada mora no prédio desde sua inauguração e é síndica há 8 anos. Apesar da idade avançada do condomínio, os apartamentos estão valorizados - os de dois dormitórios são avaliados em R$ 90 mil, graças às melhorias empreendidas pela síndica.
Eram inúmeros os problemas do condomínio quando Ada assumiu o cargo de síndica. “A grama chegava pelos joelhos e o jardim estava cheio de ratos. A garagem tinha uma crosta de sujeira. Quando lavamos a garagem, a diferença de cor do piso foi tão grande que acharam que eu havia encerado o chão”, lembra. A fiação elétrica ainda era original. Recentemente, Ada encomendou a troca de toda a fiação e das prumadas até os apartamentos. As seis portarias receberam sistema de monitoramento (através de canais da TV a cabo, os moradores podem verificar quem está interfonando da rua). Também os halls de entrada dos blocos ganharam novo visual: pintura texturizada, piso trabalhado em mármore e granito, portas dos quadros de luz em alumínio anodizado e aparador em mármore. Nas garagens, o acesso aos elevadores foi ampliado, melhorando a passagem de móveis e eletrodomésticos durante mudanças.
A última obra realizada foi a reforma da calçada, refeita com pedra miracema. “Retiramos cinco árvores, inclusive uma frutífera, que não é mais permitida pela Prefeitura para plantio em passeios, e plantamos nove. A calçada antiga estava toda levantada pelas raízes das árvores, colocando em risco os pedestres”, justifica. A grande área verde do condomínio - que conta com pés de amora, abacate, mangueira, jaca - também está recebendo atenção especial. “Convidei uma moradora para cuidar do jardim. Sabia que ela conhecia paisagismo e ela fez o serviço durante um tempo como voluntária”, diz Ada. Hoje, o condomínio paga para a moradora muito menos do que gastaria com outra empresa. Pedir o apoio e a colaboração dos condôminos é uma das características da síndica. “Temos muitos moradores de terceira idade, especialmente senhoras viúvas, que se sentem úteis ajudando”, comenta.
Praticamente todos os dias Ada passa algumas horas na sala da administração, localizada na garagem. Ouve reclamações, recebe cumprimentos e elogios pela administração. Fica contente com o reconhecimento dos moradores. Afinal, não é fácil administrar com o dinheiro curto. A inadimplência é alta (gira em torno de R$ 70 mil) e, para incrementar o orçamento, o condomínio aluga o topo do prédio para uma placa publicitária. Entre os próximos projetos, estão em pauta a pintura das grades, a proteção das portas dos halls sociais com verniz náutico e a reforma dos elevadores. Apesar das dificuldades, Ada gosta do desafio. Administra com pulso firme os 15 funcionários e fica de olho em todos os detalhes, como se há roupas penduradas nas janelas. Afinal, o 28 de Agosto ainda tem muita história pela frente.
Matéria publicada na edição Nº 68 em setembro de 2003 da Revista Direcional Condomínios.