Qualidade de vida nos condomínios

É possível atender as necessidades de moradores de todas as idades, com atividades esportivas, festas e espaços que promovam o bem-estar e a melhor convivência.

Os problemas de convivência têm sido apontados por muitos síndicos como os maiores entraves na administração de condomínios. Oferecer um ambiente acolhedor e voltado para a prática de atividades que facilitem o bem-estar é uma das tendências para minimizar os atritos e promover a qualidade de vida de toda a comunidade. 

A síndica Ana Josefa Severino Pereira não mede esforços quando o assunto é garantir serviços para os moradores e melhorar a convivência. Há cinco anos à frente do Condomínio Piazza di Toscana, com cinco torres, 168 apartamentos e uma área de 8 mil metros quadrados, Ana recentemente transformou parte da sala de repouso da sauna, que vivia ociosa, no Espaço Estética. O serviço, terceirizado, oferece limpeza de pele, drenagem linfática, massagem antistress e depilação. Cada morador paga apenas o que utiliza, e a empresa que usa o espaço paga um aluguel ao condomínio. O Espaço Mulher do condomínio funciona da mesma forma, e com muito sucesso entre os moradores, oferecendo serviços de cabeleireiro. 

Além dos serviços terceirizados, Ana já transformou em tradição as festas que organiza. São comemorados no condomínio dia das mães, dia dos pais, dia da mulher, festa junina, dia das crianças e Natal. Ana salienta que não mexe no caixa do condomínio para pagar as festas. “Vendemos convites a um custo baixo, justamente para estimular os condôminos a participarem”, diz. No último dia dos pais, a própria Ana cuidou do preparo da feijoada. Na festa junina, houve recorde de público - 300 pessoas -, constatando o sucesso da iniciativa.

Para estimular a prática de atividade física, a síndica firmou ainda parceria com uma empresa que oferece aulas diversas, como ioga e personal trainer. Outra profissional disponibiliza aulas de dança do ventre para as moradoras. Cada condômino paga diretamente aos profissionais os serviços que utiliza.

Para o professor de educação física Marcelo Mancini, habituado a cuidar da estrutura de áreas de lazer de grandes condomínios, é possível estimular a saúde nesses espaços, indo além dos exercícios físicos. “Trabalhamos também a saúde mental, com atividades como ioga, alongamento, tai chi chuan e relaxamento. Além disso, há as atividades voltadas para as crianças, como judô e ballet, que oferecem tranquilidade aos pais, que sabem que seus filhos estão bem acompanhados dentro do próprio condomínio”, avalia. 

A psicóloga Blenda Oliveira criou uma empresa justamente para prestar serviços relacionados à qualidade de vida, levando até aos condomínios um programa de atividades relacionadas à educação física, nutrição e psicologia. “O trabalho é desenvolvido por uma equipe formada por psicóloga, psicopedagoga, educador físico, nutricionista e profissional das artes, e atendemos bebês, crianças, jovens e adultos”, explica. A grade das atividades é desenvolvida conforme a demanda do cliente. O custo pode ser pago por morador ou rateado entre o condomínio. Há desde recreação infantil e ioga para crianças a atividades artísticas, como dança, música e artes plásticas, passando por orientação e organização com as tarefas escolares, arteterapia, coaching e grupos de reflexão temáticos com adolescentes e pais. “Temos percebido que há condomínios com estrutura muito boa, porém não tão bem aproveitada. Outros que não oferecem variedade nas opções de lazer. Há também uma necessidade de conscientização dos moradores em geral quanto à importância da conservação de um espaço que é de todos, como também uma socialização que resulte em benefícios à qualidade de vida dos condôminos”, acredita.

Simplicidade e remodelação
Basta abrir os jornais para constatar: nos lançamentos de empreendimentos imobiliários, chama a atenção a variedade de itens oferecidos nas áreas de lazer. Para a arquiteta Patrícia Valadares, gerente de projetos da construtora Tecnisa, após uma época em que foram valorizados os itens tecnológicos, hoje há um retorno para a busca do bem-estar. “São coisas simples, como banho de ofurô, sala de massagem ou de ioga”, diz. Segundo a profissional, através de pesquisas com moradores, a Tecnisa constata que esses espaços são realmente utilizados. Ela cita ainda outras construções simples e não onerosas como tendências nas áreas comuns: redários, praça da fogueira e forno de pizza, além da garage band e do pet care. O conceito, explica, é que essas áreas não gerem custo para a administração do condomínio, mas que cada condômino pague pelo que usar. “Condomínios já existentes podem adaptar um canto pouco utilizado em local para colocar algumas redes, quem sabe até instalando uma fonte e deixando o local/espaço agradável”, orienta. “Muitos prédios antigos têm grandes áreas comuns porém mal aproveitadas”, completa. 

Para que não haja o risco de uma área de lazer “micar”, ou seja, ser pouco utilizada, Patrícia afirma que é preciso haver um casamento entre o tipo de apartamento e o perfil dos moradores com os espaços do térreo. “Se os apartamentos são pequenos, ter um espaço gourmet no térreo costuma agradar. Já apartamentos com churrasqueira na varanda limitam o uso da churrasqueira do condomínio”, diz. A arquiteta cita o exemplo de um condomínio na Mooca, com quatro torres. Projetado pela falida Encol, há cerca de 15 anos, a obra foi retomada pela Tecnisa. “O empreendimento tinha pouquíssimas áreas de lazer, como playground, piscina e quadra. Fizemos um retrofit do térreo, e incluímos mais 15 itens de lazer. Na última década o lazer ganhou outra proporção nos condomínios”, aponta, completando que é preciso considerar outros públicos, além das crianças, ao pensar as atividades voltadas para o bem-estar. Deve-se levar em conta, por exemplo, as necessidades da terceira idade. A partir de 2010, os novos empreendimentos da Tecnisa ganharão pequenos detalhes que farão toda a diferença para os idosos, como áreas comuns de convivência, menos escadas, mais rampas, acesso facilitado às piscinas, fechaduras invertidas, pisos opacos e antiderrapantes, eliminação de cantos vivos, áreas de circulação e portas mais largas, entre outros detalhes. 

Em muitos condomínios, ganhar espaço é o grande conflito quando se trata das áreas de lazer. Mas, poucos procuram dar um melhor uso ao jardim. “Há até 10 anos, o jardim era mais um lugar de contemplação do que de uso. Hoje, cada metro quadrado é muito caro para deixá-lo apenas como visual. É possível ter um jardim bonito e utilizá-lo, um uso não exclui o outro”, afirma o arquiteto paisagista Benedito Abbud, que recomenda a criação, nos jardins, de espaços de lazer para todas as idades. Uma sugestão é criar um ambiente de estar, com mesinhas e bancos dispostos a 90 graus um do outro, facilitando a conversação. Abbud aconselha o uso de móveis de madeira que resistam ao tempo (como ipê, teca ou eucalipto tratado), de alumínio com trama sintética ou até mesmo de plástico, podendo receber também um pergolado coberto. “Há opções para todos os bolsos”, pondera.

Outras ideias são utilizar equipamentos de ginástica de troncos de eucalipto, próprios para áreas externas, e construir áreas para churrasco. Quando há total impossibilidade de realizar essas benfeitorias, o paisagista sugere rever as instalações de todo o térreo do prédio no momento de refazer a impermeabilização. “A impermeabilização tem uma durabilidade entre 25 e 30 anos. É uma obra cara e chata de ser feita, mas inevitável. Nessa hora é necessário remodelar o térreo do prédio em função das novas necessidades”, finaliza.

Por Luiza Oliva


Matéria publicada na edição Nº 140 em outubro de 2009 da Revista Direcional Condomínios.

         

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