A academia no condomínio deve ser planejada para obter sucesso
Seg, 22 de Novembro de 2010 06:13
Grande parte dos condomínios de São Paulo ainda não oferece salas de ginástica equipadas para a prática regular dos exercícios físicos. São muitas as vantagens de se ter uma academia montada “em casa”, entre elas a facilidade de acesso, a integração entre os condôminos e o incentivo à vida ativa e ao bem-estar. Saiba como montar uma estrutura adequada em seu prédio.
A busca da qualidade de vida, a conscientização dos benefícios proporcionados pelo exercício regular à saúde, aliados à rotina frenética das grandes cidades, fazem com que os condomínios cada vez mais tenham estrutura para a realização de atividades físicas. Os chamados condomínios clubes se tornaram tendência entre os novos empreendimentos imobiliários, no qual a maioria dos lançamentos apresenta espaços como quadras, academias e piscinas. Porém, muitos ainda não se adequaram a essa nova demanda. Em São Paulo, onde existem cerca de 30 mil condomínios, estima-se que apenas 10% possuam salas de ginástica com equipamentos. Dentre os benefícios de uma academia no condomínio, pode-se citar a facilidade de acesso, a comodidade de praticar exercícios “em casa”, a integração entre os condôminos e o incentivo à vida ativa e ao bem-estar.
A elaboração de um bom projeto é essencial para implantação deste espaço no condomínio. Inicialmente deve-se aplicar uma pesquisa junto aos condôminos a fim de saber quantos pretendem frequentá-lo, quais atividades mais interessam e quais os horários mais adequados. Dessa forma é possível orientar-se em relação ao espaço físico necessário, aos equipamentos que devem ser adquiridos e aos serviços que poderão ser contratados. O auxílio de uma consultoria especializada pode ser benéfico para o sucesso do projeto.
O tamanho do espaço deve se adequar à quantidade de condôminos que utilizarão a academia num mesmo horário, com uma área mínima de 4m² para cada pessoa atendida. O local deve ser claro, arejado, constantemente limpo, ter piso antiderrapante para evitar acidentes e fixar melhor os equipamentos. Deve proporcionar um ambiente que promova qualidade de vida aos usuários ao oferecer, não apenas aparelhos de musculação e resistência cardiorrespiratória, mas também uma área para alongamento, relaxamento, yoga, pilates ou treinamento funcional. A decoração deve ser agradável e alguns itens darão maior conforto aos usuários, como ventiladores ou climatizadores, televisores, sistemas de som, bebedouros e toaletes. Piscinas, quadras e até mesmo o salão de festas podem ser utilizados para a realização de atividades orientadas, aulas de natação, hidroginástica e ginástica.
Os equipamentos devem ser prioritariamente de linha profissional, como os usados nas grandes academias. Aqueles de uso doméstico, com menor valor, são frágeis, se depreciam em pouco tempo e não possuem ajustes adequados a todas as pessoas. Podem ser utilizados além de equipamentos tradicionais como esteira, bicicleta ergométrica, elíptico e aparelhos de musculação, acessórios alternativos como colchonete, halter, caneleira, elástico, bola suíça, disco de equilíbrio, slide, mini-trampolim, entre outros. A escolha do tipo de aparelho deve levar em consideração o tamanho do espaço disponibilizado, sendo que as estações de musculação e os acessórios alternativos ocupam pouco espaço e possibilitam grande variedade de exercícios. O número e o perfil dos usuários devem ser considerados, visto que normalmente homens realizam exercícios com mais pesos e mulheres utilizam mais tornozeleiras.
A orientação profissional especializada é imprescindível para oferecer segurança e eficiência nas atividades realizadas, além de ser importante na motivação, adesão e fidelização do usuário na academia. Através do educador físico, que deve ser devidamente registrado no CREF (Conselho Regional de Educação Física), é possível oferecer atividades variadas e adequadas a cada indivíduo, respeitando suas capacidades e necessidades. Este profissional também auxilia na organização do espaço, no uso consciente, na preservação e conservação dos equipamentos.
A manutenção dos aparelhos deve ser realizada conforme a indicação do fabricante, que pode oferecer inclusive assistência técnica periódica e treinamento de funcionário do condomínio para realizar tal função, como a lubrificação e a troca de cabos.
Estabelecer regras de acesso e uso da academia é extremamente importante. Dias e horários de funcionamento, idade mínima e vestimentas permitidas, organização do espaço, limpeza e responsabilidade de repor qualquer dano causado devem ser considerados. O acesso de crianças sem supervisão pode acarretar em acidentes indesejáveis.
O êxito da implantação e execução deste projeto deverá satisfazer o condômino e valorizará o condomínio. Na próxima edição discutiremos a importância da orientação profissional e a atuação do personal trainer, uma ferramenta a mais para a qualificação dos serviços oferecidos.
Boa semana e bons projetos!!!
Por Felipe Baggio*
*Felipe Baggio é graduado em Educação Física pela Unimep/Piracicaba e pós-graduado em Fisiologia do Exercício (Especialização Lato Sensu pela UGF – Gama Filho/SP) e em Atividade Física e Saúde (Especialização Latu Sensu pelo FEFISO – Sorocaba). Treinador no SESI SP, Felipe atua como personal trainer em condomínios e foi diretor de Esportes no município de Salto.
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