Perfil do Zelador: um grupo ativo no bairro de Moema, em São Paulo
Seg, 13 de Fevereiro de 2012 12:19
O zelador José Zilmar Miranda tem uma história de vida muito parecida com a de boa parte dos colegas profissionais que atuam em grandes cidades como São Paulo. Sua experiência de trabalho com condomínios começou na área da limpeza, como auxiliar em um prédio onde atuava um primo. Tinha apenas 18 anos, morava no extremo sul da Capital paulista e sequer possuía dinheiro para pagar o ônibus e chegar a Moema, região onde trabalha desde então. O primo pagou a condução. E para José Zilmar isso representou um grande empurrão, pois com uma pequena deficiência na perna provocada por uma artrite na infância, tinha dificuldade de se colocar profissionalmente na época.
Natural de Martins, localidade serrana do interior do Rio Grande do Norte, José Zilmar chegou a São Paulo com 10 anos. Desde que começou a trabalhar em condomínios, experimentou uma progressão muito rápida. Em pouco tempo chegou a porteiro e desde 1994 está como zelador. Com 2º grau completo, frequentou “mais de 20 cursos na minha área”, entre eles o de administração de condomínios, ministrado pela professora Rosely Schwartz. E assim como grande parte dos zeladores que tem a moradia no local de trabalho, aproveitou para poupar e adquirir a casa própria, um apartamento localizado no bairro do Grajaú e que mantém alugado.
Casado com uma fiscal de loja do Shopping Ibirapuera, pai de dois rapazes (de 18 e 15 anos), José Zilmar participa da atual diretoria do Sindifícios (Sindicato dos Trabalhadores em Edifícios e Condomínios de São Paulo), como suplente do Conselho Fiscal, e diz que costuma encaminhar seus funcionários para cursos de zeladoria. Também orienta porteiros, vigias e auxiliares de limpeza e de manutenção dos condomínios da região a frequentarem cursos que possam lhes ajudar a progredir na carreira. Pois José Zilmar acredita que a educação é o principal caminho que o trabalhador e seus familiares têm para melhorar de renda e de padrão de vida. O zelador revela que gosta muito de estudar a legislação trabalhista, o que lhe permitiu, por exemplo, dominar os meandros complicados dos cálculos de horas extras e de descanso semanal e, com isso, corrigir valores a menos que ele e sua equipe vinham recebendo.
Não à toa, uma de suas principais mobilizações acontece em torno da Escola Estadual Professor Napoleão de Carvalho Freire, de Moema, onde faz parte do conselho e um de seus filhos ainda estuda. Ali, ajuda a organizar eventos, como a festa do dia das crianças, mutirões de limpeza, além de confraternizações voltadas a arrecadar verba para a manutenção da escola, que com seus 1.800 alunos recebe um orçamento trimestral de apenas R$ 3 mil para cuidar de toda esta parte. “Os condomínios da região empregam cerca de 800 trabalhadores e grande parte de seus filhos estudam nesta escola”, justifica o zelador. Segundo ele, a ideia agora é promover o tratamento do piso do prédio menor do colégio e treinar os funcionários para o trabalho de limpeza.
Mas essa é apenas uma parte da grande mobilização que torna José Zilmar um líder entre seus pares. Ele ajuda ainda a organizar encontros semanais entre eles para jogar futebol (é a chamada “turma da quadra”, com perto de 55 integrantes); eventos mensais com os familiares (o mais recente aconteceu na escola Napoleão, reuniu cerca de mil pessoas, contou com o patrocínio de fornecedores e serviu para a campanha de arrecadação de fundos para a manutenção do colégio); e participa do conselho do meio ambiente da subprefeitura de Vila Mariana.
Segundo José Zilmar, essa movimentação toda começou há cinco anos e atinge a cerca de 130 zeladores, que atuam na chamada “Moema dos Pássaros”. O bairro possui 387 condomínios, 330 dos quais contratam zeladores. Mas o que José Zilmar destaca é a verdadeira rede de contatos que se formou entre eles e que serve tanto para a vida pessoal de cada um (pelas oportunidades de convívio familiar e comunitário estendido), quanto profissional (onde trocam dicas de fornecedores, profissionais e de cursos) e social (aqui, buscam a melhoria da infraestrutura pública e urbana).
Com 44 anos e próximo de completar o tempo de serviço para a aposentadoria, José Zilmar nem pensa em se afastar do trabalho. Afinal, pretende quitar seu apartamento e adquirir um segundo imóvel que venha a lhe ajudar no futuro a ter, aí sim, uma aposentadoria mais tranquila.
Por Rosali Figueiredo
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