Perfil do Zelador: Na Vila Leopoldina, em São Paulo, profissionais também buscam união

Em um grupo de onze zeladores de condomínios residenciais que se reúnem periodicamente no bairro de Vila Leopoldina, na zona Oeste da Capital paulista, ninguém nasceu na cidade. São todos migrantes e apenas um deles começou a trabalhar como zelador. Os demais iniciaram na área da limpeza ou segurança. Antes de chegarem à zeladoria, muitos trabalharam como porteiros. Quatro continuaram a trajetória de ascensão profissional e estão hoje como gestores ou coordenadores prediais. Este é, em síntese, um retrato comum à categoria em São Paulo. O que ainda se mantém incomum na rotina da cidade é a mobilização que os une, bem articulada como a de seus colegas de Moema . O intuito é expandir o núcleo de convívio pessoal e familiar e trocar informações.

Tudo começou com encontros informais no chamado “Bar do Zelador”, localizado na Rua Schilling, região já próxima aos limites com o Alto da Lapa. Ali se concentram os empreendimentos imobiliários, notadamente residenciais, que há cerca de 20 anos começaram a mudar o perfil da Vila Leopoldina, então um bairro de operários e de pequenas casas térreas. O happy hour do final de expediente cedeu lugar a confraternizações mensais com as esposas e filhos e incorporou alguns outros trabalhadores de condomínios.

O núcleo inicial tinha 18 zeladores, 9 dos quais seguiram adiante e resolveram, em 2010, iniciar uma arrecadação mensal entre eles, para justamente custear esses encontros. Em dezembro de 2010, com o apoio de fornecedores, fizeram sua primeira grande festa de confraternização de final de ano, repetida no ano de 2011 com muito mais glamour e participação. Promovida no dia 3 de dezembro passado, reuniu 65 zeladores, familiares, demais trabalhadores e patrocinadores. 40 empresas, a maior parte localizadas na região, ajudaram a custear os R$ 38 mil gastos com a festa em um buffet, com direito a jantar, Dj’s e sorteio de prêmios.

“Há uma particularidade na situação do zelador, que é um profissional que atua isoladamente e nessa troca de experiências há benefícios para todos, inclusive para os condomínios”, comenta o zelador Fábio Dantas, um dos pioneiros do grupo (da turma inicial, mantiveram-se seis deles. Depois chegaram outros três e, em 2012, mais dois). Segundo Fábio, é por meio dessas conversas que eles conhecem um pouco mais sobre os serviços prestados pelos fornecedores e tomam contato com os preços praticados. Por outro lado, a união do grupo ajuda na interlocução com os órgãos públicos e fortalece o reconhecimento junto aos condôminos. É uma mobilização que pretende agora novos desafios: criar a Associação dos Zeladores da Vila Leopoldina, como uma forma de administrar melhor os recursos e buscar novos benefícios.

Por Rosali Figueiredo

 

Núcleo atual de organização dos “zeladores da Vila Leopoldina” (na foto, da esquerda para a direita): José Flávio de Oliveira (ex-segurança, começou há 10 anos como zelador e hoje é gestor de um condomínio com 368 apartamentos na Granja Julieta); José Fernandes Batista (foi faxineiro e há dez anos passou a zelador. Há um está como coordenador predial de um condomínio com 184 apartamentos); Fábio Dantas (começou como auxiliar administrativo em um condomínio com regime de autogestão. Está há 13 anos como zelador em um prédio com 26 unidades residenciais); João Alves Batista Filho (foi porteiro, auxiliar de zelador e está nesta função há 10 anos, em um prédio com 50 apartamentos); Zacarias da Silva Moreira (era funcionário da área de segurança em uma empresa terceirizada, depois passou a porteiro e há 13 anos atua como zelador de um edifício com 72 apartamentos); Anderson Geraldo Vitorino (um dos poucos que iniciou como zelador, há 16 anos, trabalhou na região da Lapa e hoje comanda um prédio com 102 apartamentos no bairro da Aclimação); José Neuton de Carvalho (um dos mais antigos na função, trabalha há 22 anos em condomínios, 19 deles como zelador. Iniciou na faxina e hoje cuida de um prédio de 72 apartamentos); Wanderley Almeida Santos (também começou na faxina, passou pela portaria e tornou-se zelador há 15 anos. Trabalha em um condomínio de 48 apartamentos); Francisco Feitosa Silva Carvalho (gerente predial de um condomínio no Tatuapé, com 32 apartamentos, começou como segurança terceirizado e trabalhou durante 9 anos na Vila Leopoldina); Wilson Nunes de Assis (o mais novato do grupo na função, assumiu como zelador há um ano. Começou na faxina, passou pela portaria e hoje comanda um prédio com 48 apartamentos); João Batista dos Santos Lima (também gerente predial em um condomínio localizado no Ipiranga, de 112 unidades, durante 15 anos foi zelador. Também começou na faxina e passou pela portaria).

(Foto e edição: Rosali Figueiredo)

 

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