Perfil do Zelador: Na Vila Leopoldina, em São Paulo, profissionais também buscam união
Seg, 13 de Fevereiro de 2012 12:14
Em um grupo de onze zeladores de condomínios residenciais que se reúnem periodicamente no bairro de Vila Leopoldina, na zona Oeste da Capital paulista, ninguém nasceu na cidade. São todos migrantes e apenas um deles começou a trabalhar como zelador. Os demais iniciaram na área da limpeza ou segurança. Antes de chegarem à zeladoria, muitos trabalharam como porteiros. Quatro continuaram a trajetória de ascensão profissional e estão hoje como gestores ou coordenadores prediais. Este é, em síntese, um retrato comum à categoria em São Paulo. O que ainda se mantém incomum na rotina da cidade é a mobilização que os une, bem articulada como a de seus colegas de Moema . O intuito é expandir o núcleo de convívio pessoal e familiar e trocar informações.
Tudo começou com encontros informais no chamado “Bar do Zelador”, localizado na Rua Schilling, região já próxima aos limites com o Alto da Lapa. Ali se concentram os empreendimentos imobiliários, notadamente residenciais, que há cerca de 20 anos começaram a mudar o perfil da Vila Leopoldina, então um bairro de operários e de pequenas casas térreas. O happy hour do final de expediente cedeu lugar a confraternizações mensais com as esposas e filhos e incorporou alguns outros trabalhadores de condomínios.
O núcleo inicial tinha 18 zeladores, 9 dos quais seguiram adiante e resolveram, em 2010, iniciar uma arrecadação mensal entre eles, para justamente custear esses encontros. Em dezembro de 2010, com o apoio de fornecedores, fizeram sua primeira grande festa de confraternização de final de ano, repetida no ano de 2011 com muito mais glamour e participação. Promovida no dia 3 de dezembro passado, reuniu 65 zeladores, familiares, demais trabalhadores e patrocinadores. 40 empresas, a maior parte localizadas na região, ajudaram a custear os R$ 38 mil gastos com a festa em um buffet, com direito a jantar, Dj’s e sorteio de prêmios.
“Há uma particularidade na situação do zelador, que é um profissional que atua isoladamente e nessa troca de experiências há benefícios para todos, inclusive para os condomínios”, comenta o zelador Fábio Dantas, um dos pioneiros do grupo (da turma inicial, mantiveram-se seis deles. Depois chegaram outros três e, em 2012, mais dois). Segundo Fábio, é por meio dessas conversas que eles conhecem um pouco mais sobre os serviços prestados pelos fornecedores e tomam contato com os preços praticados. Por outro lado, a união do grupo ajuda na interlocução com os órgãos públicos e fortalece o reconhecimento junto aos condôminos. É uma mobilização que pretende agora novos desafios: criar a Associação dos Zeladores da Vila Leopoldina, como uma forma de administrar melhor os recursos e buscar novos benefícios.
Por Rosali Figueiredo

Núcleo atual de organização dos “zeladores da Vila Leopoldina” (na foto, da esquerda para a direita): José Flávio de Oliveira (ex-segurança, começou há 10 anos como zelador e hoje é gestor de um condomínio com 368 apartamentos na Granja Julieta); José Fernandes Batista (foi faxineiro e há dez anos passou a zelador. Há um está como coordenador predial de um condomínio com 184 apartamentos); Fábio Dantas (começou como auxiliar administrativo em um condomínio com regime de autogestão. Está há 13 anos como zelador em um prédio com 26 unidades residenciais); João Alves Batista Filho (foi porteiro, auxiliar de zelador e está nesta função há 10 anos, em um prédio com 50 apartamentos); Zacarias da Silva Moreira (era funcionário da área de segurança em uma empresa terceirizada, depois passou a porteiro e há 13 anos atua como zelador de um edifício com 72 apartamentos); Anderson Geraldo Vitorino (um dos poucos que iniciou como zelador, há 16 anos, trabalhou na região da Lapa e hoje comanda um prédio com 102 apartamentos no bairro da Aclimação); José Neuton de Carvalho (um dos mais antigos na função, trabalha há 22 anos em condomínios, 19 deles como zelador. Iniciou na faxina e hoje cuida de um prédio de 72 apartamentos); Wanderley Almeida Santos (também começou na faxina, passou pela portaria e tornou-se zelador há 15 anos. Trabalha em um condomínio de 48 apartamentos); Francisco Feitosa Silva Carvalho (gerente predial de um condomínio no Tatuapé, com 32 apartamentos, começou como segurança terceirizado e trabalhou durante 9 anos na Vila Leopoldina); Wilson Nunes de Assis (o mais novato do grupo na função, assumiu como zelador há um ano. Começou na faxina, passou pela portaria e hoje comanda um prédio com 48 apartamentos); João Batista dos Santos Lima (também gerente predial em um condomínio localizado no Ipiranga, de 112 unidades, durante 15 anos foi zelador. Também começou na faxina e passou pela portaria).
(Foto e edição: Rosali Figueiredo)
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