Segurança nos condomínios: diminuindo o potencial de riscos
Sex, 04 de Novembro de 2011 13:29
Quando falamos em segurança, precisamos pensar de forma objetiva. Para se estabelecer um controle de acesso eficaz, é necessário que se realize preliminarmente a elaboração de um planejamento de segurança. Conhecer o fluxo de usuários, os meios de retenção deste fluxo e os processos de identificação dos usuários será imprescindível para resultados de qualidade. O grande problema inicia com o fato de não se constituir um especialista para representar o condomínio, que dê alternativas cabíveis para os riscos elencados. Em grande parte, os prédios consideram que já dispõem dos meios necessários para sua proteção. Contudo, a realidade, quando revista por um profissional, apresenta riscos e vulnerabilidades, que são verdadeiros convites a práticas delituosas, razão pela qual muitas vezes os prédios são surpreendidos.
Ora, quando se está doente, somente a palavra de um médico, na condição de especialista, somada a exames clínicos diagnósticos, poderá trazer êxito à saúde do paciente. De forma semelhante, deveria ocorrer o processo de segurança. Ressalto aqui que tratamos de assegurar vidas humanas, e isto deveria ser considerado como premissa, porém lamentavelmente, segurança ainda é considerada como despesa na gestão administrativa, e não como investimento.
Como especialista, percebo ainda que há de um lado a inclinação do individuo residente em condomínios verticais em estabelecer um comportamento psíquico de pseudoproteção, onde há um exagero de otimismo em relação a sua seguridade. Nestes casos, o indivíduo considera que nada poderá lhe acontecer, chegando até mesmo a negligenciar questões básicas de segurança. Este exemplo se confirma muito negativamente no trânsito brasileiro, onde as estatísticas comprovam que ainda se conduz um veículo como uma arma apontada para a própria cabeça, praticando-se a condução veicular sob efeito de drogas, álcool, ou meramente por excesso de velocidade. Quantas são as vítimas fatais e outras tantas mutiladas ou com traumas físicos severos, frutos deste sentimento equivocado, produzido por um excesso de autoconfiança?
É necessário que se compreenda que em segurança ter a convicção apenas não é suficiente, é preciso periodicamente revisar os processos, testá-los e, sobretudo, estabelecer uma rotina de treinos e simulações operacionais para se averiguar a eficácia dos processos, ou seja, não basta ter a impressão de que algo terá um desfecho positivo, é necessário ter a certeza para garantia de resultados. “Ninguém salta de paraquedas sem ter total convicção de que o equipamento funcionará de fato.”
De outro lado, somos levados a considerar que é inútil buscar uma proteção qualificada. É muito comum ouvirmos aquele jargão do jornalismo apresentado nos telejornais, que trata de invasões a condomínios residenciais em arrastões, especialmente naqueles de alto padrão, com chamadas do tipo: “O local era protegido com câmeras, diversos seguranças, cerca eletrificada, mas nem todo este aparato foi suficiente para deter os criminosos”. Isso deixa aquela sensação ao espectador de que nada é adequadamente capaz de neutralizar uma ação criminosa e, portanto, cada investimento proposto seria inócuo frente à criminalidade, Isto é o que causa o efeito social de se achar que “quando o ladrão quer entrar, ele entra”. Este é o maior erro que se comete. Quando se assume a derrota, ela certamente virá. Deve ser traçado de forma profissional um plano de segurança que preveja: “Quando o ladrão quiser entrar, nós da segurança vamos provar para ele que cometeu um grande erro”.
Onde existem critérios táticos, treinamentos periódicos, recursos humanos qualificados, aptos e possuidores de aptidão ( talento ) e preparo para suas funções, o potencial de risco é reduzido sensivelmente, a ponto de promover-se dois efeitos: ou desmotivar a prática do crime pelo grau de dificuldade para eventual êxito da investida, ou, pela competência e superioridade tática em prever ações de riscos e neutralizá-las antes de sua consumação (desarticulando-se uma campana, por exemplo, ou uma espreita criminosa pela detecção, identificação – qualificação do suspeito - e estabelecimento de medida reativa – promovendo-se a solicitação de apoio tático qualificado e competente para confrontar, neutralizar, ou efetivamente dar voz de prisão aos suspeitos considerados).
Por Eduardo Lauande
*Eduardo Lauande é Administrador de Empresas, Bacharel em Psicologia, Consultor em Segurança para condomínios, entre outros, Especialista em Análise Observacional e Modelagem Comportamental, graduado internacionalmente pela M.I.S. Israeli Security Academy.
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